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Cemitérios sofrem com maus tratos

Cidade Comentários 30 de janeiro de 2015

De um lado, a população alega que o acúmulo de entulhos e a poeira deixam os túmulos sujos. Prefeitura alega que conservação dos jazigos, também, é de responsabilidade da população. Reportagem do Contexto verificou quantidade considerável de objetos, capim, poeira e material de construção espalhados pelos cemitérios Parque e São Miguel


Iraci Ribeiro da Silva, 61, estava visitando o túmulo de seu marido, Antônio Pereira Marra, nesta quarta-feira, 28. Como de costume, observou se não havia algo ali para se limpar e tratou de cuidar do espaço onde são enterrados os parentes de seu ex-esposo. “Nós ficamos sentidos, porque viemos, limpamos, enceramos. Dois, três dias depois, quando voltar está tudo sujo”, reclamou sobre a poeira no jazigo, decorrente, principalmente, de terra e cimento deixados após obras feitas no Cemitério São Miguel.
“Se eles arrumassem um canto para fazer esses túmulos. Tinha dia que chegava aqui estava cheio de formas. Eu pedi ao rapaz, nunca mais eu vi. Foi muito bom, me atendeu, nunca mais colocaram formas de lajes aqui. Então, nunca mais eu encontrei, assim, cheio de laje”, destacou. Iraci informou que, nas proximidades dos túmulos, são construídas peças para as covas. “Estavam colocando coisas em cima. Eu pedi, ele (funcionário) não colocou mais, foi muito legal. Mas continua aqui (entulho de construção), que nós viemos, lavamos e não adianta”, acrescentou.
“Está bonito, o cemitério está arrumado, todo mundo nós vemos trabalhando, não vemos de braços cruzados. Mas é só que eles colocassem um local para fabricar os túmulos”, enfatizou. Ela entende que a poeira no local é prejudicial. “É. É o que eu acho, no meu caso. Meu marido está aqui, a família dele, está tudo aqui, então eu só acho isso”, concluiu. Este não foi o único caso apurado pela reportagem do Jornal Contexto. Algumas pessoas, que preferiram não se identificar, informaram que a limpeza do Cemitério São Miguel só é feita em véspera de Dia de Finados.
Outras fontes que, também, preferiram o anonimato revelaram que faltam funcionários para cuidar dos cemitérios públicos, no caso, o São Miguel e o Parque. Nas proximidades dos túmulos do São Miguel, entulhos, como tijolos; terra; cimento; grama alta; rodos; vassouras; baldes de tinta; resto de árvore queimado e galhos, plásticos, objetos de madeira, sacos de lixo, partes de covas, roupas de criança e, até, uma carretinha foram encontrados.
No cemitério Parque, galhos de árvores; cimento; terra; tijolos; baldes; máquinas; sacos de lixo; entulhos de construção; pedaços de uma caixa d’água; luvas, carrinhos de mão e mato alto tomando as covas foram encontrados.
Administração
Júlio Merguerditchian, gerente-administrativo dos cemitérios do Município, informou que o acúmulo de sujeira nestes locais decorre de processos administrativos que ocorrem a cada início de ano, quando os contratos para recolhimento de lixo na Cidade são renovados. Mas, destacou que no São Miguel um trabalho de limpeza foi feita na segunda e na terça feiras. “(No) São Miguel, nós temos um problema muito grande de espaço físico. Não tem como eu tirar o lixo e jogar para a rua. O lixo do dia-a-dia que tem lá”, evidenciou. “A população acha que aquilo (a rua) lá é um descarte (e começa a se desfazer de pias quebradas, sofás-velhos, prática que não é permitida para aqueles locais)”, explicou. Os entulhos são, então, mantidos dentro do São Miguel e do Parque, até que os caminhões da Prefeitura façam a limpeza.
Ele atribuiu parte do trabalho de conservação dos túmulos à população. “Se o dono manda fazer um serviço de alvenaria, a limpeza tem que ser por conta deles. O pedreiro que pegou (o serviço), que é particular, ele tem que deixar limpo. O problema é que eles acham que tem gente que faz a limpeza lá no dia-a-dia e acham que é por conta deles. Não é”, pontuou o diretor Júlio.
Limpeza
“Nós ficamos meio receosos porque, às vezes, a família chega lá: ‘mexeram no meu túmulo’. Não mexeu. Limpou”. Ele informou que muitos túmulos estão abandonados. Algumas famílias visitam os jazigos uma vez por ano, o que “acarreta certo tipo de transtorno”. “A Prefeitura não tem obrigação de limpar dentro dos túmulos”, acrescentou. É uma prática comum que familiares de pessoas enterradas nos cemitérios de Anápolis façam a limpeza das covas ou contratem alguém para fazê-lo. Ele ainda explicou que a “identificação (do familiar enterrado) é feita pela família” e que “a família que tem que vir demarcar” o local do enterro.
Projetos
Júlio Merguerditchian abordou alguns projetos e iniciativas que foram e estão sendo tomados nos cemitérios. Uma delas “a terceirização da segurança. Para o futuro, também, a terceirização da limpeza, que tem que ser feita”. Existe a intenção de se formarem covas definitivas “para aquelas pessoas que não têm condições de comprar”. Ele mencionou que o calçamento no Parque será terminado e serão erguidas cercas no São Miguel para o aumento da segurança.
Duas salas de velório estão disponíveis no Cemitério Parque. “Se precisar velar alguém, pode vir para cá, que não é cobrado nada”, afirmou. Júlio explicitou que a digitalização de documentos relativos a pessoas enterradas nos dois cemitérios foi feita. Ao observas as imagens feitas nos cemitérios, ele pontuou que alguns entulhos, como vassouras, baldes e rodos podem ter sido deixados por particulares. Árvores podem ter sido queimadas por velas deixadas pela população nas proximidades dos túmulos. A carretinha encontrada no São Miguel será retirada, conforme informou. Quanto a entulho de construção, ele informou que será feita a limpeza nos dois cemitérios. E afirmou que o chamado “mata-mato” está sendo utilizado, para diminuir a grama ao redor dos túmulos.

Autor(a): Felipe Homsi

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