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Cemitérios guardam verdadeiras obras de arte

Cidade Comentários 02 de novembro de 2012

Despercebidos pela maioria dos visitantes, monumentos, estátuas e obeliscos são preciosidades artísticas que encantam os apreciadores


Os milhares de parentes, amigos, curiosos e pessoas comuns do povo que visitarão os cemitérios públicos de Anápolis neste Feriado de Finados, em sua maioria, não perceberão. Mas, para quem é mais atento, é possível verificar que nos túmulos e nos jazigos, principalmente das famílias mais tracionais, estão tesouros da escultura, da fundição e de outros projetos artísticos que são verdadeiras preciosidades. Dentre as esculturas estão anjos, santos da Igreja Católica e outros projetos culturais. O escultor Emmerson Patrício, de Brasília, diz que tais obras são de valor inestimável. “Não se pode aquilatar o valor sentimental de esculturas como estas. Quem manda fazer um trabalho deste nem pensa em valores, em dinheiro. É uma manifestação de amor, sentimento, gratidão e carinho para com quem foi importante em vida. Depois, seguindo tradições européias, coisa que herdamos dos portugueses, muitas famílias querem deixar para a posteridade, marcas de seus ancestrais, gente que tem, cada qual, uma história. E, as esculturas em bronze, mármore e outros materiais que resistem ao tempo, são as melhores formas de se perpetuar tais fatos”, justificou o escultor.
Para Emmerson os estilos são variados, indo desde o barroco, até coisas mais modernas. Há algumas estátuas e monumentos que são inspiradas nas artes ensinadas em escolas de Portugal; França; Grécia, Itália e outros berços culturais do passado. O artista brasiliense, que já visitou cemitérios de várias partes do Brasil e de outros países, disse que no “São Miguel”, em Anápolis, “existem peças incrivelmente valiosas pela perfeição com que foram concebidas. Isto, década atrás”. Emmerson disse que em outras cidades foram desenvolvidos procedimentos para considerarem alguns mausoléus e jazigos patrimônios culturais da humanidade, devido à perfeição de suas estruturas. E, sugeriu que se estudasse esta questão em Anápolis.
Dia de Finados
Em Anápolis funcionam dois cemitérios públicos (São Miguel e Parque) e um particular (Memorial Parque), além dos que existem nos distritos administrativos. O “São Miguel” é o mais antigo e, originalmente, ficava onde é, hoje, a Praça Americano do Brasil. Com a chegada da Estrada de Ferro, na década de 30 (foi inaugurada em setembro de 1935) ele foi transferido para o Bairro São Lourenço, à época um local praticamente deserto. Hoje ele, que tem, aproximadamente, 50 mil sepulturas, não realiza mais sepultamentos, exceto de pessoas cujas famílias já possuam terrenos em seu interior, as chamadas perpetuidades.
É nele que está a maior parte dos túmulos e jazigos com obras de arte, revestimentos em mármore e outros materiais nobres, assim como as esculturas, as imagens e outros marcos considerados obras primas. Recentemente o Cemitério “São Miguel” passou por uma reforma em suas estruturas, inclusive no sistema de drenagem. Lá estão sepultados os restos mortais de importantes personalidades, lideranças políticas, empresariais e comunitárias da Anápolis mais antiga. Mas, também, milhares de anônimos, lembrados, somente, pelos parentes e amigos. Todavia, gente que teve importância fundamental na construção de Anápolis nos últimos 105 anos.
O outro cemitério, o Parque, fica na região Sudoeste da Cidade e é o maior existente em Anápolis, embora sua concepção date de 1975. Antes era particular. Depois, foi passado para a Prefeitura. Ali estão sepultados, aproximadamente, 50 mil corpos. Há, entre os que para lá foram levados, também, corpos de pessoas ilustres, gente que frequentou a mídia nas últimas décadas e que, igualmente, participou de todo o processo evolutivo de Anápolis. Mas, como no “São Miguel”, estão sepultados ali, milhares de corpos de gente anônima para a maioria da população, mas que ajudou no desenvolvimento do Município. Também no Cemitério Parque, embora o projeto seja diferenciado, podem ser observadas sepulturas com traços artísticos, uma homenagem “dos que ficaram, para os que partiram”. Outra coisa que chama a atenção de muitos visitantes é a coletânea de mensagens gravada nos túmulos. São textos bíblicos; provérbios populares do Brasil e de outros povos; trechos de poesias, mensagens espontâneas, cada qual buscando uma forma de perpetuar a memória dos entes queridos que morreram recentemente, ou, em épocas remotas.

Autor(a): Nilton Pereira

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