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Casos de maus tratos e abandono de pessoas idosas aumentam em Anápolis

Cidade Comentários 31 de janeiro de 2014

Mesmo assim, a opção de se mudar para um abrigo é vista com resistência por grande parte deles


Mais um idoso em situação de vulnerabilidade social foi encaminhado para um abrigo. Francisco Tomás de Azevedo, 89 anos, vivia sozinho há mais de 50 anos, depois de deixar a família para trás em sua terra natal e vir para Goiás tentar ganhar a vida. O local onde foi encontrado, praticamente inabitável tamanho a sujeira, apresentava inúmeros perigos para um senhor parcialmente deficiente visual e com saúde bastante debilitada. Atualmente, estima-se que cerca de 300 idosos vivem em abrigos da cidade.
A denúncia ao Conselho Municipal do Idoso foi feita pela equipe da unidade de saúde do bairro Jardim das Oliveiras. Após o contato, a assistente social, Elaine Pereira, buscou ajuda nos vizinhos de Francisco para conseguir levá-lo ao abrigo Monte Sinai. De início, ele resistiu, mas depois de muita conversa acabou cedendo. Agora, ele passará por uma das fases mais difíceis deste processo, de adaptação e aceitação de passar o fim da vida em um local que tem um nome popular que muitos preferem evitar: asilo.
Essa é uma história que parece repetida e, de fato, é. Mudam, apenas, as personagens. Também, foi assim com Jorgina Pereira; Maria de Lourdes Alquimin; Jorge Alves Coutinho; Antônio Gomes da Silva; Altamiro José Pereira, Marcelino Rodrigues dos Santos e Manuel Moreira. Todos eles foram levados recentemente para o mesmo abrigo e diante de situações de maus tratos, em sua maioria abandonados.
De acordo com o delegado responsável pela Delegacia de Proteção ao Idoso de Anápolis, Manoel Vanderic Corrêa Filho, 70% do trabalho realizado pela unidade é assistencial. No período de maio a dezembro de 2013, a delegacia foi acionada em mais de 900 casos que envolviam maus tratos à pessoa idosa, sendo que menos de 1/3 foi encaminhada para um abrigo. Em muitos casos não houve necessidade deste tipo de intervenção.
Ele conta que nos casos mais graves, o grande desafio é convencer o idoso a querer ir para um abrigo. “Eles têm dificuldades em se adaptar às rotinas dos abrigos que é um local que tem horário pra tudo: comer, tomar banho, tomar sol, dormir. Temos casos aqui que o idoso até fugiu atravessando a Cidade à pé e voltou pra um barraco de latão que ele mesmo construiu e mora lá sozinho desde que o filho foi preso por tráfico de drogas. Nós realizamos visitas para ver como ele está, levamos cesta básica. Mas não podemos obrigar ninguém a ficar no abrigo, tem que ser por vontade deles. Então temos a preocupação de que se eles não aceitam, não teremos muito mais o que fazer”.
Na maior parte dos casos, essas pessoas foram resgatadas de situações degradantes em que perderam vínculo com a família, tinham suas necessidades negligenciadas, sofriam violência, ou eram explorados economicamente - principalmente por parentes próximos como filhos e netos.

Autor(a): Wanessa Mereb

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