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Caso Mara Rúbia: Réu é condenado a 12 anos

Geral Comentários 21 de maro de 2014

Wilson Bicudo da Rocha foi condenado pelo 1º Tribunal do Júri de Goiânia, na última quarta-feira,19, a 12 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado


Wilson Bicudo da Rocha foi condenado pelo 1º Tribunal do Júri de Goiânia, na última quarta-feira,19, a 12 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara leu a sentença às 18h02, como previra no início da sessão e, por entender que persistem os motivos da prisão do réu, não permitiu que ele recorra - caso queira - em liberdade, razão pela qual Bicudo saiu algemado de seu julgamento.
O juiz poderia ter reduzido em dois terços a pena-base, que foi de 18 anos, o que a tornaria definitiva em seis anos e permitiria, assim, que o réu a cumprisse, já de início, no regime semi-aberto. Jesseir, no entanto, optou por reduzi-la em apenas um terço, considerando que as facadas foram desferidas na região ocular e, também, o comportamento da vítima.
Ao votar os sete quesitos, o conselho de sentença acatou integralmente a tese da acusação e concluiu que o réu tentou matar sua ex- mulher, Mara Rúbia de Guimarães, em 29 agosto do ano passado, quando a espancou, amarrou, amordaçou, furou seus olhos, a deixou desmaiada e trancada dentro de casa e fugiu, com o celular dela, dificultando-lhe o pedido de socorro.
Os jurados se convenceram, também, que Bicudo agiu por motivo torpe - porque queria se vingar da ex-mulher por ela ter se recusado a reatar com ele; e, ainda, que o crime foi praticado com crueldade e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Depoimento da vítima
No depoimento que prestou no julgamento de seu ex-marido Wilson Bicudo da Rocha, Mara Rúbia falou sobre como foi sua vida com ele, as ameaças e agressões, contou detalhes sobre o dia do fato, explicou os motivos pelos quais não o deixou e falou sobre a debilidade de sua saúde atualmente.
Ao longo de toda sua inquirição, Mara Rúbia ressaltou, por diversas vezes, a personalidade agressiva do ex-marido. "Ele furou meus olhos como se fura um limão. Como se corta uma fruta, uma verdura. Com uma tranquilidade impressionante", comentou, chorando muito.
Logo no início do depoimento, Mara Rúbia disse que chegou a ser internada, outras vezes, em razão da violência de Bicudo. "Se eu esquecesse de colocar uma água no filtro, ele quebrava o filtro. Tudo era motivo de agressão". Ela contou que, quando seu filho tinha dois anos, Wilson Bicudo, em outro momento de fúria, chegou a cortar o cabelo dela com uma faca. "Ele é cínico, mentiroso, covarde e cruel. Na frentre dos outros não fazia isso, mas se estivesse sozinho comigo, sim", garantiu. Ela afirmou que não se separou dele porque Bicudo a perseguia, a cercava e insistia para que ela voltasse, sempre fazendo ameças. "Voltei com ele por medo", admitiu, relatando que, na época, o então marido a impedia de manter o emprego e de ter vida social.
No dia dos fatos, ela foi "engravatada" por Bicudo ao entrar em casa. Depois de tentar enforcá-la, ele amarrou seus braços com uma corda, a amordaçou com um pedaço de pano e usou as próprias roupas dela para amarrar seu pescoço. "A essa altura eu estava já bastante fraca, sem ar, sem respirar. Havia me debatido muito. Mas consegui ver o momento em que ele foi até a cozinha, pegou uma faca e veio. Perfurou meu olho direito e, depois, o esquerdo, me levando até a fazer necessidades na roupa, de tanta dor. Logo depois, não vi mais nada, pois desmaiei", relembrou. Nesse momento, Mara Rúbia não conseguiu conter o choro.
A vítima contou que não sabe quanto tempo depois recobrou os sentidos mas afirmou que, na ocasião, ao acordar ainda muito fraca e amarrada, conseguiu se desvencilhar da mordaça com a própria lingua, que, paradoxalmente, por estar muito inchada, facilitou-lhe o afastamento do tecido. "Quando me vi livre da mordaça, comecei a pedir socorro. Não tinha voz, estava muito debilitada e era, na verdade, um sussurro, mas foi o que consegui fazer", contou, ao dizer que foi, então, socorrida por uma vizinha.
"Fiquei internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) por alguns dias, porque os médicos não descobriam o que estava causando hemorragia nos meus olhos. Eu não estava bem, vomitava muito sangue e não me lembrava do que realmente havia acontecido. Na verdade, eu estava delirando, pensava que tinha morrido", relatou.
Mara Rúbia disse que, alguns dias depois, se lembrou que havia tido os olhos perfurados, informou os médicos, que então, por meio de tomografia, constataram o fato. "Ninguém acreditou, no início. Minha irmã chegou a me dizer que eu estava enganada, que a hemorragia era por causa das lesões, mas eu disse 'furou sim, com uma faca'. Então eles fizeram uma tomografia, viram que minha lembrança estava correta e me mandaram para o Banco de Olhos.
Ela disse que mesmo após dois transplantes, não enxerga do olho direito e que vê tudo embaçado e duplicado, pelo esquerdo. Mesmo assim, procura levar uma vida normal, ainda que sua vida financeira esteja atribulada em razão de não ter condições de trabalhar. "Ele destruiu minha vida", lamentou.

Esperança roubada
Sobre o início do relacionamento com Bicudo, Mara Rúbia relatou que tinha, na época, a esperança de ele mudar com ela. Ela admitiu que sabia que ele havia agredido a ex-mulher. "Ela o deixou porque ele batia demais nela, chegou a agredi-la grávida e a quebrar todos os dentes da boca dela. Até hoje ele não conhece o filho dele, que tem 13 anos atualmente, porque a família dela a levou para longe, para impedi-lo de chegar perto deles."
Questionada sobre o porquê de, mesmo sabendo de tudo isso, ter seguido o romance com ele, Mara Rúbia afirmou que, quando conheceu o ex-marido, era muito novinha, ainda brincava de pique-esconde, sonhava em se casar, ter filhos. "Ninguém pode me julgar por isso. Eu sabia do passado dele mas, é aquela coisa: acreditava que ele mudaria, que comigo seria diferente. Mas não foi. Nada justifica o que ele fez". (Texto: Patrícia Papini / Fotos: Hernany César - Centro de Comunicação Social do TJGO)

Autor(a): Da Redação

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