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Caso Donato - Acusados serão ouvidos em juízo

Geral Comentários 20 de outubro de 2017

Donato foi assassinado na frente do pai, depois que a residência da família foi invadida por três assaltantes


Exatamente oito meses e quinze dias após o assassinato do jovem Donato Gontijo de, apenas, 27 anos, o juiz da 2ª Vara Criminal da Comarca de Anápolis, Adriano Camargo Linhares, realiza nesta segunda-feira, dia 23, uma audiência de instrução para ouvir as testemunhas de acusação e de defesa e, também, para interrogar os acusados de praticar este frio e bárbaro latrocínio, de grande repercussão na cidade.
Crime que chocou a população, Donato Gontijo foi morto na manhã do domingo, 05 de fevereiro, quando se preparava para ir ao trabalho, na panificadora de seu pai, no Bairro Jundiaí, logo depois que uma pessoa tocou o interfone, dizendo que iria entregar uma fita de videogame que, supostamente, havia sido emprestada por seu irmão mais novo. Ao abrir o portão, Donato foi surpreendido por um dos acusados lhe apontando uma arma de fogo e determinando que ele entrasse para o interior da sua residência.
Em menos de 20 dias, o caso foi elucidado, com a prisão de quatro dos cinco envolvidos no crime. Isso foi possível graças ao eficiente trabalho de uma força-tarefa montada pelo Delegado Geral Fábio Vilela no dia seguinte ao crime, envolvendo equipes do Grupo de Investigação de Homicídios; do Grupo Especial de Combate ao Crime contra o Patrimônio; do 3º Distrito Policial, do Setor de Inteligência e da própria Regional.

Os acusados
Na época, foram apresentados quatro dos cinco inicialmente acusados pelo crime restando, apenas, Lucas Araújo Milhomem, 21 anos, que conseguiu fugir. Lucas foi preso há pouco mais de quatro meses no Estado do Pará e, posteriormente, recambiado para Anápolis, onde se encontra recolhido no presídio local juntamente com Wender Patrick Bueno de Oliveira, de 22 anos e que era vizinho da vítima. Os outros acusados são Leidiane dos Santos Sousa (25 anos, hoje em prisão domiciliar depois de dar a luz a um filho, fruto de sua relação com Alex Estevão de Queiróz, 21 anos, a quem é atribuída a autoria do disparo que matou o jovem); Rogervictor Ferreira Borges, 22, Leandro de Morais Arcanjo (que ficou no veículo junto com Leidiane enquanto os demais praticavam o crime) e Alan Alves Ferreira, apontado como receptador dos produtos roubados.
A audiência de instrução marcada para as 13h30 de segunda-feira é considerada o momento para a produção de provas, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e, também, as de defesa, caso os advogados dos réus as apresentem. No processo foram arrolados como testemunhas de acusação Túlio Gontijo, irmão de Donato; Maria da Conceição Aparecida Toledo; Alexandre Caixeta Ichii; agente da Polícia Civil e Miquéias Silva Gomes.

Conclusão
Ao final da audiência, os cinco acusados serão interrogados pelo juiz da 2ª Vara Criminal. Concluída a audiência e verificada pelo juiz a complexidade do caso e também a multiplicidade de acusados, o magistrado Adriano Camargo Linhares poderá abrir vistas às partes pelo prazo de cinco dias corridos para a apresentação das alegações finais (memoriais), por escrito, da acusação e, também, da defesa.
Um membro do Judiciário, que prefere não se identificar, revelou que devido à complexidade do caso, é possível que o juiz da 2ª Vara Criminal opte por um exame e análise mais detalhada das alegações e também das provas obtidas durante a audiência de instrução para só depois proferir a sentença. “Dificilmente essa sentença será proferida ainda este mês”, acredita este mesmo membro do Judiciário, lembrando que além do prazo de cinco dias corridos para a apresentação das alegações finais, ele leva em conta o tempo que o Juiz vai gastar para a sua análise e também das provas. Pela legislação em vigência, o juiz tem, até, 10 dias de prazo para proferir a sentença, o que deverá ocorrer somente no início de novembro.

“As cenas do crime me marcaram para o resto da vida”, desabafa pai de Donato
“Só quem passa por um problema como esse tem a noção de sua exata dimensão”. Dita pelo pai de Donato, Douglas Gontijo, a frase não chega a expressar o seu real sentimento de perda do jovem friamente assassinado na manhã do primeiro domingo de fevereiro, quando sua residência foi invadida por criminosos para praticarem um furto que culminou na morte do rapaz e no fim de um grande projeto de vida que ele tinha pela frente.
Testemunha presencial do assassinato do próprio filho, Douglas Gontijo se mostra, ainda, muito abalado com a tragédia, ao revelar que, até hoje, passados mais de oito meses daquela fatídica manhã de domingo, “a cena não entrava em minha cabeça. Parecia que eu estava em outro mundo”, conta, revelando que o choque teve inicio assim que Donato abriu o portão de sua residência e foi surpreendido por um dos acusados com uma arma apontada em sua direção.
“Foram cenas que me marcaram para o resto da vida”, acrescenta Douglas Gontijo lembrando que assim que o interfone foi acionado por um dos criminosos, teve a curiosidade de olhar pela janela de seu quarto para saber quem estava chegando à sua casa na manhã daquele domingo. Ele conta que viu o filho voltando para o interior de sua casa, acompanhado de três elementos desconhecidos, um deles apontado a arma em direção a Donato. Outras duas pessoas ficaram em um carro, em frente à residência.
O alvo dos criminosos seria o dinheiro das vendas na padaria, guardado em casa à espera de ser depositado em uma agência bancária na segunda-feira. A Polícia acredita que os criminosos pensavam que houvesse muito dinheiro guardado na casa, o que não se confirmou depois que Donato lhes entregou cerca de R$ 10 mil e algumas jóias. Insatisfeito com a quantidade de dinheiro que lhes foi entregue, o acusado Alex Estevão de Queiroz disparou um tiro na cabeça do Donato, dentro de seu próprio quarto, na presença de seu pai.
Crime planejado
Douglas Gontijo conta que seu filho não esboçou qualquer reação para ser alvejado com um tiro na cabeça. “Desde pequenos, meus filhos sempre foram instruídos a levantarem as mãos, não esboçarem nenhuma reação e a deixarem levar tudo o que o assaltante quisesse, para se evitar o que ocorreu com o Donato”, relembra o pai do jovem assassinado afirmando que não reconheceu um dos acusados pelo crime, Wendel Patrick Bueno de Oliveira, que seria seu vizinho. Nas investigações, a Polícia atribui a Wendel a responsabilidade de levantar as informações para que o crime fosse perpetrado.
“Na verdade, eles se associaram para praticarem o crime”, disse o pai da vítima revelando que sua esposa, Marluce Gontijo chora muito todos os dias “porque esse trauma marcou todos nós para o resto de nossas vidas” e que ela continua sendo acompanhada por dois psicólogos na tentativa de aplacar a imensa dor que sente com a trágica perda do filho. “É a consequência natural da perda de um filho que teve a vida tirada de forma cruel e covarde”, observa o pai Douglas Gontijo, lembrando que seu filho não fumava, não bebia e não usava drogas e que com ele trabalhou diariamente durante 14 anos.
Douglas Gontijo acredita que todo o processo caminha de acordo com a sua expectativa e diz que o trabalho da Polícia Civil, especialmente o que foi desempenhado pelos delegados Clayton Lobo de Oliveira e Carla de Bem Monteiro foi muito eficiente. Para ele, a resposta para a tragédia que vitimou seu filho e que deixou uma marca que nunca mais será apagada em toda a sua família é agora de responsabilidade do Judiciário.
Evitando atribuir juízo de valores sem, antes, conhecer a sentença que será proferida pelo juiz da 2ª Vara Criminal, o pai de Donato acha, porém que a Justiça tem que condenar os acusados pelo assassinato do seu filho. “Essa escória precisa de ser duramente penalizada porque ninguém pode tirar a vida de quem quer que seja”, disse Douglas Gontijo temendo, no entanto, as brechas da lei que acabam dando aos criminosos a sensação de impunidade. ”Meu filho era um cidadão de bem que precisava ser protegido pelo Estado contra esses elementos”, disse, esperando que a justiça aplique uma condenação pesada aos cinco réus para acabar com a sensação de impunidade e fazer com que eles entendam a gravidade e a frieza do crime que cometeram. (Ferreira Cunha)

Autor(a): Ferreira Cunha

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