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Casa Bethânia: Um porto seguro para portadores do HIV

Especial Comentários 06 de julho de 2012

Entidade dirigida por freiras em Anápolis realiza uma obra social das mais importantes, quase que no anonimato. Vale a pena conhecer o trabalho desenvolvido por elas


Doença surgida no início dos anos 80, a partir do continente africano, a AIDS, embora não ocupe mais, como antes, espaços na mídia, vai avançando entre a população mundial. Mesmo com as campanhas de orientação e o trabalho dos governos, esta doença continua fatal e é vista como uma espécie de fantasma que amedronta, estigmatiza e causa desarranjos sociais imprevisíveis. A cada seis segundos, uma pessoa é contaminada com o vírus HIV e a cada 10 segundos, uma delas morre em consequência do vírus causador da Síndrome de Imuno Deficiência Adquirida, ou AIDS, como é mais conhecida a doença. Atualmente, cerca de 40 milhões de pessoas se encontram contaminadas com o vírus em todo o mundo. Dessas, mais de 50% são mulheres entre 15 e 24 anos de idade.
Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que mais de 95% das pessoas com AIDS vivem em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. A região do mundo mais atingida pela doença é a África subsaariana. Já, no Brasil, aproximadamente, 600 mil pessoas são portadoras do vírus HIV, os chamados soropositivos. De acordo com dados registrados na Secretaria Municipal de Saúde, Anápolis, hoje, registra, aproximadamente, 400 portadores. A maior parte dessas pessoas se acha em tratamento. Elas estão situadas na faixa etária de 20 a 40 anos, com a maioria absoluta fazendo parte da chamada população de baixa renda.
Diante desse preocupante quadro surgiu, há dez anos, a Casa Bethânia, uma instituição filantrópica que cuida de pessoas contaminadas pelo vírus HIV. Fundada pela Irmã Elizabeth Sweeney que sentiu a necessidade de realizar um trabalho nessa área, visto que o carisma das freiras, que é franciscano, tem por base a pobreza e a caridade, entendendo, assim que, como na época de São Francisco a lepra (hanseníase) era o grande mal, no mundo contemporâneo, esse grande mal é, justamente, a AIDS. A Casa Bethânia realiza um trabalho sem fins lucrativos, atendendo a pacientes de todas as camadas sociais, credos religiosos, raças e outras particularidades. Existem dois sistemas de atendimento: interno e externo. Todo o trabalho é voluntário, abrangendo assistência médica; espiritual; preventiva, psicológica e social. Lá, tudo é muito simples, muito humilde, mas não faltam amor ao próximo, dedicação e força de vontade.

O início
As irmãs da Ordem da Divina Misericórdia tinham por costume visitar pessoas carentes, a fim de ajudá-las em suas necessidades. E, numa dessas visitas, a Irmã Elizabeth deparou com um casal portador do vírus HIV, que morava em uma favela e não tinha nenhuma estrutura para conviver com a doença. Como não havia condições adequadas para que as religiosas pudessem cuidar do casal da forma como este necessitava, devido à distância e aos custos com alimentação, medicamentos e outros quesitos, foi encontrada, ali, a motivação para se criar uma casa de apoio onde elas pudessem desenvolver o trabalho com maior facilidade, estendendo, assim, o apoio a outros pacientes na mesma situação.
Nesses dez anos de atividades ininterruptas, já passaram pela Casa Bethânia inúmeras pessoas que receberam toda a assistência. Elas vieram de diversas regiões do País e, até do exterior. Os portadores do vírus HIV, geralmente, são encaminhados por assistentes sociais dos postos de saúde ou, pelas próprias famílias que não encontram condições para cuidarem dos parentes enfermos. São, também, acolhidas pessoas que têm uma boa estrutura familiar, mas que precisam de apoio psicológico e espiritual por algum tempo.
A Casa Bethânia tem capacidade para abrigar 25 portadores, número que está, praticamente, preenchido. Hoje se encontram abrigados ali, 19 homens e três mulheres. Todos são atendidos por sete das religiosas, três delas técnicas em enfermagem e, por nove funcionários, entre vigias; cozinheira; fisioterapeutas, psicólogos e enfermeiros.
A rotina dos internos se inicia às sete e meia da manhã, quando, despertados por um sino, todos fazem orações devocionais na capela, antes da primeira refeição matinal. Em seguida, cumprem suas tarefas, como conta O. (paciente). “Os que têm condições de ajudar a manter a ordem lavam as vasilhas; ajudam a limpar a casa; auxiliam em alguma coisa que seja necessária, até mesmo ajudam os que estão acamados”. Cada um aqui na Casa tem uma função que é definida por uma lista de atividades atualizada toda semana. Isto, além de ajudar na manutenção da instituição, gera um sentimento de utilidade nos moradores. “É muito bom a gente poder ocupar o nosso tempo assim, dando uma mão para quem precisa”, diz O.

Atividades
Além das tarefas de rotina, os internos têm horários definidos para as refeições, orações e medicação. No restante do tempo, podem assistir TV ou desenvolverem trabalhos manuais, artesanatos e outros, em um espaço amplo. “Antes, nós, religiosas, morávamos nos fundos da Casa de acolhimento. Há poucos meses conseguimos outro local para residirmos, o que fez com que o espaço na Casa Bethânia fosse ampliado. Hoje, os membros têm uma área própria, destinada à fisioterapia e outro ao artesanato”, conta a Diretora da Instituição, Irmã Ueires Maria de Andrade.
Um ponto forte da entidade é o trabalho voluntário. “Alguns estagiários, como estudantes de enfermagem e informática, têm ajudado a Casa através desse tipo de ajuda. E é muito boa a presença, assim como o trabalho desenvolvido por eles aqui”, afirma.
A Diretora explica que para ser um voluntário, basta entrar em contato com a instituição através dos telefones ou, de forma presencial e, claro, sentir vontade de ajudar ao próximo sem nenhum preconceito. “Qualquer pessoa pode trabalhar voluntariamente na Casa. Basta agir com naturalidade, sem preconceitos”, explica a Irmã, que também sempre quis desenvolver esse tipo de atividade, como conta. “Aos dezoito anos tive vontade de trabalhar com as pessoas mais pobres, pois sempre gostei dessa área. E, durante uma visita que fiz ao convento das Irmãs da Divina Misericórdia, que já conhecia, quis participar dessa missão. Assim sendo, logo me inscrevi para participar da obra realizada na Casa Bethânia e fui chamada. Já estive à frente da instituição tão logo foi fundada, mas fui transferida para outra localidade a fim de cuidar de pessoas viciadas em drogas ou no álcool. Voltei para cá no início deste ano”.
A maior necessidade da Casa, no momento, é quanto ao pagamento de alguns funcionários, visto que é essencial a presença deles para o bom funcionamento da instituição. Entretanto, não há ganhos suficientes para essas remunerações. A entidade é conveniada com o Governo, que fornece os coquetéis (remédios para o controle da doença) e o dinheiro utilizado para a compra dos demais medicamentos. As outras necessidades da Casa são supridas por doações de algumas empresas parceiras e benfeitores, pessoas da comunidade, que podem ajudar a Casa Bethânia a manter a sua obra.

Visite a Casa Bethânia e veja como pode ajudar nessa obra!
Endereço: Rua Joaquim Propício de Pina, nº 163 Bairro Jundiaí - Anápolis-GO.
Telefone: (62) 3324-1174

“Depois de dias e dias passando mal, dei entrada em um hospital de Goiânia e fui direto para a UTI. Cheguei a ficar em coma e, pelos sintomas, não houve dúvida: contraí o vírus da AIDS através de uma tatuagem no braço.”
A história de G., morador da Casa Bethânia, que aconteceu há cerca de 20 anos, parece uma fatalidade longe da nossa atual realidade. Mas, se engana quem pensa assim. Embora as chances de se contrair o vírus através de alicates e agulhas de tatuagem, como no caso de G., serem mínimas, é possível o contágio através desses instrumentos se estes não forem descartáveis ou se não passarem por um processo de esterilização.
O HIV é encontrado em líquidos e secreções corporais como sangue, sêmen, e leite materno. Por isso, práticas que permitam o contato destes fluídos com as mucosas e a corrente sanguínea de outro indivíduo, pode causar a transmissão. O que ocorre através de relações sexuais sem preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas ao usar drogas injetáveis. Adquire-se o vírus HIV, também, por meio de transfusão de sangue não testado e da mãe contaminada para o filho: durante a gestação, no parto ou pelo aleitamento materno.
Qualquer pessoa infectada pelo HIV pode passar o vírus para outra, independentemente de estar, ou não, desenvolvendo sintomas ou saber ou não se está contaminada. Entretanto, isso não dá vazão para o preconceito, uma vez que atitudes simples do cotidiano como, beber água no mesmo copo, fazer uso dos mesmos talheres ou usar os mesmos sanitários, por exemplo, não transmitem a doença.
Os primeiros fenômenos observáveis são fraqueza; febre; emagrecimento, diarréia prolongada sem causa aparente. Na criança que nasce infectada, os efeitos mais comuns são problemas nos pulmões, diarreia e dificuldades no desenvolvimento.
Como é sabido a AIDS não tem cura, mas os portadores do HIV dispõem de tratamento oferecido gratuitamente pelo Governo. Ao procurar ajuda médica, em um dos hospitais especializados em DST/AIDS, o paciente terá acesso ao tratamento antirretroviral. Os objetivos do tratamento são prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente, pela redução da carga viral e reconstituição do sistema imunológico. O atendimento é garantido pelo SUS, por meio de ampla rede de serviços.
O Brasil distribui 15 medicamentos antirretrovirais na rede pública de saúde. Esses medicamentos retardam o aparecimento da AIDS e possibilitam maior qualidade de vida ao portador do vírus. Os antirretrovirais agem na redução da carga viral e na reconstituição do sistema imunológico.


Por que fazer o teste

Saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Quem busca tratamento especializado no tempo certo e segue as recomendações do médico ganha em qualidade de vida.
Além disso, as mães soropositivas têm 99% de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto. Por isso, se você passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, faça o exame!
O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue. No Brasil, existem os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em até 30 minutos, colhendo uma gota de sangue da ponta do dedo. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento - CTA (ver localização pelo País). Os exames podem ser feitos inclusive de forma anônima. Nesses centros, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento, antes e depois do teste, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo paciente. Também é possível saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).
A infecção pelo HIV pode ser detectada com, pelo menos, 30 dias a contar da situação de risco. Isso porque o exame (o laboratorial ou o teste rápido) busca por anticorpos contra o HIV no sangue. Esse período é chamado de janela imunológica.

Autor(a): Carol Evangelista

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