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Campanha de 2014 combate o tráfico humano

Geral Comentários 07 de maro de 2014

Projeto é da Igreja Católica, mas tem a participação de outras denominações religiosas


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade de 2014 na Quarta-feira de Cinzas, 05 de março, em sua sede em Brasília. Este ano, ela tem como tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). Representantes do governo e entidades da sociedade civil marcaram presença na solenidade, entre eles: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Lavèrene Machado; e a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke.
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, presidiu a cerimônia. Segundo ele, a Igreja inicia um “tempo de conversão” em se tratando da Quaresma. No Brasil, a Conferência dos Bispos apresenta a Campanha da Fraternidade “como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social”. Ele diz mais que a CF 2014 quer contribuir na identificação das práticas do tráfico humano em suas várias formas.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que o governo se une à CNBB e às demais entidades na luta contra o tráfico de pessoas. Para o Ministro, o Estado deve reagir frente a essa realidade. “É inaceitável um crime como o tráfico humano e que pessoas sejam tratadas como objetos, como escravos. Não importa a modalidade deste crime. Ele tem que ser objeto de uma reação muito forte da sociedade moderna, do Estado moderno”, disse Eduardo Cardoso.
Mensagem do papa
O papa Francisco enviou mensagem por ocasião da abertura da campanha no Brasil. O texto foi lido pelo secretário executivo da CF 2014, padre Luiz Carlos Dias. De acordo com o papa, não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria. "Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz etc.”, disse. O papa se dirigiu aos fiéis, exortando sobre a problemática do tráfico de pessoas. “Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha”, lembrou o papa.
Dignidade humana
Para a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke, é necessário debater a temática do tráfico humano de forma aberta e coerente. “A Campanha da Fraternidade nos coloca o grande desafio de falar honestamente das hierarquias econômicas, sociais e culturais, que acabam legitimando esse tipo de exploração humana”, apontou a pastora. O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Lavèrene Machado, destacou que a OAB reconhece a CNBB como uma parceira de lutas em defesa da dignidade humana. “A Campanha da Fraternidade vai chamar a atenção para essa grande chaga que é a opressão, o abandono, em uma sociedade estruturada sob bases injustas, visando apenas o consumismo e o capitalismo. Que cada brasileiro nesta campanha, lute pelo desaparecimento do tráfico humano”, concluiu.
Em Anápolis
A Diocese de Anápolis está encarregada de coordenar os trabalhos relativos à Campanha da Fraternidade 2014, sob o comando do Bispo Dom João Wilk, para todas as paróquias de sua jurisdição. Ele presidiu, na quarta-feira, 05, às 19 horas, na Catedral do Bom Jesus, a celebração da imposição das cinzas, que abre o tempo litúrgico da quaresma. Na oportunidade, foi, também, realizada a abertura oficial da Campanha. Dom João Wilk diz que a Igreja Católica no Brasil quer refletir sobre a crueldade do tráfico humano. O cartaz da CF traz mãos acorrentadas que simbolizam a situação de dominação e exploração de pessoas traficadas. O tráfico de pessoas, ainda hoje, realidade no Brasil e em várias regiões do mundo, viola a essência dos direitos do ser humano que, orienta a Igreja, foi criado “à imagem e semelhança de Deus. A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se desta condição, que facilita o aliciamento. Crianças, adolescentes, homens e mulheres são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos”, conclui.

Autor(a): Nilton Pereira

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