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Campanha da Fraternidade: Igreja se mobiliza contra o tráfico de pessoas

Geral Comentários 14 de maro de 2014

Bispo diocesano de Anápolis ressalta que é necessário o engajamento de toda a sociedade para combater este tipo de crime


O bispo diocesano de Anápolis, Dom João Wilk, participou, na última quarta-feira, 12, da sessão ordinária da Câmara Municipal onde, no plenário, divulgou a Campanha da Fraternidade de 2014 que, tradicionalmente, mobiliza a comunidade católica durante o período da quaresma. Este ano a campanha tem como tema: “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema: “É Para a Liberdade que Cristo nos Libertou”.
Em sua exposição, o líder da Igreja Católica no Município e região ressaltou que há 51 anos, a Campanha da Fraternidade é lançada no período da quaresma, “quando reconhecemos o pecado e, neste caso, o pecado social que contrasta com o ideal de Deus”, disse, acrescentando que o tráfico humano foi reconhecido como crime pelo Protocolo de Palermo, na Itália, tendo o Brasil como um dos países signatários do documento. Porém, enfatizou, é necessário que o País ainda avance para reconhecer e tomar medidas que coíbam todas as vertentes desse crime, que envolve o tráfico para a exploração do trabalho informal, para a extração de órgãos e a prostituição, inclusive, envolvendo crianças e adolescentes.
Para o Bispo Diocesano, o tráfico humano traz consequências imensuráveis, pois afeta de forma direta a família, separando pais e filhos, sendo que estes últimos, em muitos casos, acabam sendo criados pelos avós e, não raro desenvolvem níveis grandes de carência ou revolta.
Dom João Wilk salientou que o papel da Igreja será conclamar a sociedade a se engajar na luta contra o tráfico humano, para que mudanças possam ocorrer no Brasil e, em especial em Goiás que, de acordo com estudo divulgado pelo Ministério de Assuntos Exteriores, ocupa o primeiro lugar no ranking nacional no tráfico de pessoas.

O que é tráfico de pessoas?

A Organização das Nações Unidas (ONU), no Protocolo de Palermo (2003), define tráfico de pessoas como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.
Segundo a ONU, o tráfico de pessoas movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo o mundo. Desse valor, 85% provêm da exploração sexual.
Recentemente o Ministério da Justiça divulgou diagnóstico sobre o tráfico de pessoas no Brasil. Outra pesquisa publicada pelo Órgão trata do tráfico realizado entre Brasil, Itália e Portugal.

Quem são as pessoas em situação de tráfico humano?
Há tráfico de pessoas quando a vítima é retirada de seu ambiente, de sua cidade e até de seu país e fica com a mobilidade reduzida, sem liberdade de sair da situação de exploração sexual ou laboral ou do confinamento para remoção de órgãos ou tecidos.
A mobilidade reduzida caracteriza-se por ameaças à pessoa ou aos familiares ou pela retenção de seus documentos, entre outras formas de violência que mantenham a vítima junto ao traficante ou à rede criminosa.

Quem são os aliciadores? Quem faz a captação das pessoas em situação de tráfico humano?

Os aliciadores, homens e mulheres, são, na maioria das vezes, pessoas que fazem parte do círculo de amizades da vítima ou de membros da família. São pessoas com que as vítimas têm laços afetivos. Normalmente apresentam bom nível de escolaridade, são sedutores e têm alto poder de convencimento. Alguns são empresários que trabalham ou se dizem proprietários de casas de show, bares, falsas agências de encontros, matrimônios e modelos. As propostas de emprego que fazem geram na vítima perspectivas de futuro, de melhoria da qualidade de vida.

No tráfico para trabalho escravo, os aliciadores, denominados de “gatos”, geralmente fazem propostas de trabalho para pessoas desenvolverem atividades laborais na agricultura ou pecuária, na construção civil ou em oficinas de costura. Há casos notórios de imigrantes peruanos, bolivianos e paraguaios aliciados para trabalho análogo ao de escravo em confecções de São Paulo.

O que posso fazer para enfrentar o tráfico de pessoas?
A prevenção é sempre a melhor iniciativa. Portanto, ao verificar que existem indícios de tráfico humano, dê as seguintes orientações:
1) Duvide sempre de propostas de emprego fácil e lucrativo.
2) Sugira que a pessoa, antes de aceitar a proposta de emprego, leia atentamente o contrato de trabalho, busque informações sobre a empresa contratante, procure auxílio da área jurídica especializada. A atenção é redobrada em caso de propostas que incluam deslocamentos, viagens nacionais e internacionais.
3) Evite tirar cópias dos documentos pessoais e deixá-las em mãos de parentes ou amigos.
4) Deixe endereço, telefone e/ou localização da cidade para onde está viajando.
5) Informe para a pessoa que está seguindo viagem endereços e contatos de consulados, ONGs e autoridades da região.
6) Oriente para que a pessoa que vai viajar nunca deixe de se comunicar com familiares e amigos.
Em caso de Tráfico de Pessoas, denuncie!
Disque denúncia: 100
(Fonte: Portal do Conselho Nacional de Justiça)

Autor(a): Da Redação

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