(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Bombeiro utiliza motos para salvamentos no trânsito

Geral Comentários 29 de setembro de 2012

Campanha dos bombeiros tem como alvo os motociclistas que trafegam, aos milhares pelas ruas das pequenas, médias e grandes cidades


Em meio a um grave acidente, no trânsito congestionado das grandes metrópoles, seu uso pode significar a diferença entre quem vai viver ou quem vai morrer. Para quem faz da vida sobre as duas rodas de uma motocicleta sua rotina diária – com o objetivo de salvar outras vidas – é tênue, no dia a dia, a linha que demarca o equilíbrio entre o limite da prudência e a necessidade de se deslocar o mais rápido possível para atender pessoas que, vitimadas por alguma tragédia, podem vir a óbito em poucos minutos.
Em Anápolis, o serviço de moto-resgate, ou moto-socorro, do 3º Batalhão de Bombeiros Militares, existe desde o ano de 2008, mas se encontra em efetivo funcionamento há cerca de dois anos. Com a suspensão do serviço, que também era oferecido em Goiânia – devido à obsolescência das viaturas e efetivo reduzido –, o Corpo de Bombeiros de Anápolis é o único no Estado a disponibilizar esta modalidade de atendimento e resgate à população.
De acordo com o tenente Luis Carlos, oficial chefe da Seção Administrativa do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros, o projeto foi inspirado no pioneirismo dos bombeiros de São Paulo, que adaptaram no País o uso da motocicleta nos atendimentos pré-hospitalares. Atualmente, além de Goiás e São Paulo, estados como Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Paraíba e Rondônia, além do Distrito Federal, utilizam esta modalidade de resgate que – nos grandes centros urbanos – torna-se cada dia mais imprescindível.

Hora de ouro
“Desde sua implantação, nós não conseguimos conceber um trabalho completo e eficaz, por parte das unidades de resgate e salvamento do Corpo de Bombeiros, sem o uso das viaturas de moto-resgate. Dependendo da situação da vítima nós temos a hora de ouro – na qual ele suporta até uma hora de atendimento para que se chegue com ele ao hospital com os sinais vitais mantidos – e os minutos de platina, ou seja, aqueles 15 minutos essenciais que nós temos para chegar, fazer a abordagem e a manutenção dos sinais vitais para chegarmos com ele no hospital. Ou seja, às vezes, em um cenário de trânsito congestionado, simplesmente não há tempo de esperar a chegada de uma ambulância para o atendimento pré-hospitalar. São 15 minutos que fazem a diferença entre morrer ou viver”, explica o tenente.
As estatísticas comprovam a importância do serviço. Um levantamento feito pela Companhia Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) aponta que circulam na cidade 103,4 mil automóveis e 59,1 mil motos, de um total de 203,935 mil veículos (incluindo caminhões, tratores e veículos utilitários).
De acordo com dados do censo do IBGE, de 2012, mais de 342,34 mil pessoas vivem em Anápolis. Em uma operação simples, a terceira maior cidade de Goiás possui uma média de 1,67 habitante para cada veículo registrado. Levando em consideração apenas a quantidade de carros e motos, este número passa a ser de 2,1 habitantes por veículo. Índices que resultaram num fluxo de trânsito que registrou, até este mês de setembro, 2,5 mil ocorrências contabilizadas de acidentes, segundo o Corpo de Bombeiros. É como se praticamente metade da cidade estivesse motorizada, uma tendência que deve ser estudada e direcionada no sentido de se desenvolver políticas públicas eficientes de transporte coletivo e de expansão urbana, para que em pouco tempo o caos não se estabeleça no trânsito do município, cujo ritmo de expansão econômica (PIB de R$ 8,1 milhões, o segundo maior de Goiás) o torna o município mais competitivo, rico e desenvolvido do interior do Centro-Oeste Brasileiro.

Amor à farda

Quando a sirene toca, a tensão é total. O operador do sistema de som, espalhado por todas as salas do quartel central do 3º Batalhão de Bombeiros Militares de Anápolis, na Praça Presidente Vargas, avisa a natureza da ocorrência. Se for de resgate e salvamento, sobretudo em horários de pico, em locais de difícil acesso por meio da ambulância – devido ao trânsito congestionado – duas das quatro motos-resgates provavelmente serão utilizadas.
“Elas sempre saem em dupla. Um bombeiro sozinho não pode fazer muita coisa”, explica o tenente Luis Carlos, 29 anos de corporação, detentor de muitos cursos e honrarias, e de muitas histórias para contar. “Elas nem sempre têm um final feliz, mas treinamento e equipamento em dia são primordiais”, afirma o bombeiro que, em 2013, completando 30 anos de serviço à frente da corporação, será encaminhado à reserva e terá, como diz ele, de “pendurar a farda”.
A unidade de resgate e salvamento do 3º Batalhão de Anápolis possui um efetivo de 25 homens, em três quartéis espalhados na cidade: um na região central, outro no saída Sul (próximo ao Distrito Agroindustrial – Daia) e outro ainda na parte norte, na 1ª etapa do Jardim das Américas. Além do município de Anápolis, o 3º Batalhão atende os distritos e os municípios de Terezópolis, Goianápolis, Campo Limpo, Ouro Verde, Abadiânia, Alexânia, Leopoldo de Bulhões e Silvânia, bem como participa de operações pontuais em parceria com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

Equipamentos
Feitas para atendimentos pré-hospitalares emergenciais, as moto-resgates de 300 cilindradas, utilizadas pelos bombeiros de Anápolis, possuem em seu bagageiro um kit de primeiros socorros, com equipamentos necessários para estabilizar a vítima até a chegada da ambulância. Atualmente, já existem em circulação, no Estado de Rondônia, viaturas de moto-resgate já equipadas com desencarcerador – um tipo de pinça utilizada para cortar ferragens e retirar vítimas que ficaram presas. “Em Anápolis ainda não temos essa tecnologia. Temos apenas três desencarceradores, nos automóveis, um em cada quartel”, informa.
O trabalho em cima das motos exige rígido treinamento. E, mesmo diante das emergências, o bombeiro deve aprender a manter o sangue-frio e a direção cuidadosa. “As recomendações de direção defensiva que são repassadas ao civis não são menos seguidas por nós, apenas porque somos bombeiros; pelo contrário, seguimos rigidamente. Caso contrário, não apenas vamos deixar de evitar uma tragédia, mas iremos provocar outras. A moto é um excelente veículo, assim como o carro; basta que seja manuseado com a responsabilidade e o respeito que o trânsito requer”, ensina o tenente Luis Carlos.

A moto que salva versus a moto que mata
As estatísticas explicam porque não somente em Anápolis, Goiânia ou Goiás, mas em todo o Brasil, é preciso a urgente necessidade de que os resgates ocorram de forma mais rápida e eficiente. Levantamentos apontados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que entre os anos de 2002 a 2010, a quantidade de acidentes envolvendo motos triplicou, passando de 3.744 para 10.143 mortes, correspondendo a ¼ das mortes por acidentes. “Basicamente, usamos as motos para atender a acidentes urbanos. Estes, quase sempre, envolvem motos e também pedestres – uma trágica ironia, infelizmente. Na contramão das estatísticas, somos a moto que salva”, aponta o tenente.
De acordo com números do Seguro DPVAT, embora as motos representem menos de 30% da frota nacional, são os veículos que mais causam acidentes com lesões permanentes no trânsito brasileiro. Nos nove primeiros meses de 2011, 66% das indenizações pagas pelo Seguro DPVAT corresponderam a acidente envolvendo motos. Destes, 72% acarretaram invalidez permanente – muitas vezes resultados de sequelas por um atendimento demorado ou não realizado da forma correta. “A educação no trânsito é fator primordial de preservação da vida. As moto-resgates são frutos de uma realidade que, melhor seria, não existisse, se tivéssemos um trânsito mais ordeiro e motoristas responsáveis. Mas este é o retrato da nossa realidade, e a nossa função é nos preparar melhor, a cada dia, para minimizar os danos e os sofrimentos de quem passa por tais situações. Nossa finalidade é salvar vidas, seja como for”, finaliza Luis Carlos. (Goiás Agora)

Autor(a): Goiás Agora / Rodrigo Lellis

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Geral

Ampliado o alcance do Portal do Cidadão

20/10/2017

O Portal do Cidadão, lançado em julho pela Prefeitura, já apresenta resultados efetivos e se confirma como facilitador na ...

Audiência vai discutir o Estatuto do Desarmamento

20/10/2017

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF) prorrogou o prazo das inscrições para os interessados em assistir à audiên...

Donos de postos e funcionário do Inmetro são presos pela PF

20/10/2017

Até a manhã desta quinta-feira,19, dois empresários de Anápolis se encontravam presos na carceragem da Polícia Federal, ...

Vereador quer melhorar transporte interestadual

20/10/2017

vereador Lisieux José Borges (PT), se reuniu com o presidente da Agência Goiana de Regulação (AGR), Ridoval Chiareloto, p...