(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Bispo cobra postura dos católicos nas eleições

Cidade Comentários 17 de setembro de 2010

Dom Frei João Wilk distribui orientação aos líderes da comunidade, chamando a atenção sobre pontos considerados inegociáveis na proposta doutrinária da Igreja. Para ele, a responsabilidade dos sacerdotes é muito grande na preparação do povo para o voto


“Que rumo o Brasil vai tomar? A consolidação da democracia, ou uma ditadura de esquerda?”, pergunta o Bispo Diocesano de Anápolis, Dom Frei João Wilk, ao analisar o processo eleitoral em andamento, colocando, por assim dizer, “o dedo na ferida” quando aborda temas complexos e polêmicos que estão na plataforma e nos planos de muitos candidatos por todo o Brasil. O Bispo está fazendo circular um documento intitulado “Orientações ao Povo de Deus da Diocese de Anápolis Sobre as Eleições 2010”, onde se afirma, dentre outras coisas, que “o papel dos pastores é educar e orientar a consciência dos fiéis para essa tarefa”. Sem citar nomes, ou partidos, Dom Frei João Wilk ataca, veementemente, os políticos que vêm se mostrando simpáticos e, até, defensores de procedimentos condenáveis à luz a doutrina católica, dentre eles o casamento entre homossexuais, a legalização do aborto, a descriminalização das drogas, a eutanásia e a política considerada equivocada em alguns pontos, na questão dos Direitos Humanos. Ele declara que são pontos tidos como dogmas e, dos quais, a Igreja não abre mão. Dom Frei João Wilk assegura que a voz Igreja Católica é sensível, mas vem sendo abafada pela mídia que tem trocado um desenvolvimento econômico positivo, pela verdadeira proposta política no Brasil e na América Latina. Segundo ele, a felicidade e o progresso de um povo não se medem pelo poderio econômico, e, sim, pela dignidade e pela qualidade de vida oferecida a esse povo.
De acordo com o Bispo Diocesano, “a Igreja tem poder profético e não tem, ou não deveria ter, partido político”, Segundo suas próprias palavras, o papel de atuação político/partidária é reservado aos leigos. As comunidades teriam outras atribuições na sociedade. Além disso, o Bispo Diocesano defende a tese da “valorização do voto” e é a favor da obrigatoriedade de se votar no Brasil, embora em outras nações, outras culturas, e outras sociedades, exista o voto facultativo. Mas, para ele, no atual momento, a obrigatoriedade de se votar no Brasil é importante do ponto de vista educativo. “O cidadão precisa ter a consciência da importância de votar. Só assim vai ser possível desenvolver a proposta democrática e criarem-se alternativas justas de igualdade social e de qualidade de vida”, disse.
Pontos básicos
O documento que circula entre a comunidade católica anapolina é fixado em nove pontos considerados fundamentais. Dentre eles, a tese de que a comunidade eclesial não pode se identificar com interesses particulares, partidários ou de determinado candidato ou candidata. O documento assegura que a Igreja deve propor que se ofereça, e se siga, os critérios de escolha e de discernimento para as pessoas de boa vontade, cristãos, cidadãos responsáveis. O voto, segundo a orientação do Bispo, deve ser destinado a candidatos coerentes com a defesa dos princípios éticos e cristãos.
Ainda, de acordo com a avaliação do Bispo Diocesano, é condenável a compra de voto. “O voto não tem preço, tem consequências. Sendo assim, é preciso que o povo o valorize”, justifica. Outro aspecto da orientação reside na vida pessoal dos candidatos. Recomenda-se, por esta orientação episcopal, que sejam observados o passado pessoal e político dos candidatos, sua probidade na administração e sua ética na campanha. Solicita que se atente para a Lei da Ficha Limpa, “para a aprovação da qual, todos nós contribuímos”, diz textualmente.
A mensagem do Bispo Diocesano remete, também, à questão religiosa/doutrinária, chamando a atenção para que se evite a “guerra santa” na política, ou seja, a definição dos candidato a partir de sua opção religiosa.
No oitavo item do documento, o Bispo Dom Frei João Wilk aborda, diretamente, as candidaturas à Presidência da República, ao assegurar que “parece que as opiniões dos padres, diáconos, religiosos (as) e leigos esclarecidos e comprometidos, são claras quanto a isso. Faça-se um trabalho válido, junto às lideranças pastorais e o povo em geral, para uma escolha de presidente que se aproxime o mais possível, dos critérios da democracia, defendendo a Doutrina Social da Igreja e da defesa da vida e da família. É preciso pensar e instruir sobre o futuro democrático do Brasil e da América Latina”, conclui o documento.

Autor(a): Nilton Pereira

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Cidade

Anápolis tem novos comendadores

20/07/2017

A Comenda “Gomes de Sousa Ramos”, maior honraria instituída pelo Município, foi entregue a personalidade de diversos se...

Monumentos históricos de Anápolis completam 60 anos

13/07/2017

Ignorados por grande parte da população e, até, pelas autoridades governamentais, dois monumentos que ficam no centro de A...

Câmara Municipal de Anápolis vai ter seu hino oficial em breve

15/06/2017

O vereador Teles Júnior (PMN) informou, durante o uso da tribuna, na sessão ordinária da última segunda-feira,12, que pro...

Presidente da UVG defende 13º e férias para os vereadores

09/06/2017

Em visita à Câmara Municipal de Anápolis, na manhã da última quarta-feira,07, o Presidente da União dos Vereadores de G...