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Baixos salários desanimam candidatos ao magistério

Educação Comentários 06 de outubro de 2012

Estudo da Federação Nacional dos Trabalhadores em Educação conclui que o professor brasileiro é um dos mais mal pagos no mundo


A pesquisa, publicada a poucos dias das comemorações do Dia do Professor (15 de outubro) revela que um professor do Ensino Fundamental II (6º a 9º anos) ganhou, em média, US$ 16,3 mil (R$ 33 mil) por ano em 2009. Enquanto isso, na média, um profissional com formação, e tempo de experiência, equivalentes, recebeu US$ 41,7 mil (R$ 83 mil) nos países que fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. E, conforme o estudo, se for levada em consideração a situação do professor da rede pública, a comparação fica ainda pior. A média anual é U$ 15,4 mil (R$ 30 mil). Os salários dos docentes brasileiros foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional Amostra de Domicílios 2010 pela Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais. Já os dados da OCDE foram divulgados no começo de setembro no relatório anual da entidade internacional "Olhar sobre a Educação".
O pesquisador Rubens Barbosa de Camargo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, diz que "salário é o principal fator de atração para carreira docente. E, os estudos - além da experiência prática - confirmam e reafirmam a importância do professor na qualidade da educação” justifica. Ele garante que há muitos licenciados (profissionais com licenciatura que podem dar aulas) que estão deixando a profissão. “Melhorando o salário, não só atrai a juventude como pode trazer de volta esses professores", diz ele.
Já a economista Fabiana de Felício, da consultoria Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais, diz que a questão que se coloca é: como selecionar bons professores se a profissão não é valorizada? "É uma atividade desgastante e (dar aula é) um compromisso inadiável. Tem de pagar um salário compatível para que valha a pena ser professor", disse.

Comparações
O salário médio anual de um professor da rede pública com curso superior e com, pelo menos, 15 anos de experiência (US$ 15,4 mil) ou seja, R$ 30,5 mil não chega à metade (48,5%) da remuneração dos demais profissionais (US$ 31,7 mil) cerca de R$ 62,4 mil no Brasil. No caso dos profissionais do ensino fundamental, de modo geral, a diferença é um pouco menor. O salário anual médio de um professor da rede pública (US$ 13,1 mil), em média R$ 26 mil, é 54,7% da média das demais profissões (US$ 24,4 mil) aproximadamente R$ 50 mil (ao ano) com a mesma formação e o mesmo tempo de serviço.
Os pesquisadores, entretanto, afirmam que os números são ruins, já foram ainda piores. "Com a introdução do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) que depois virou o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), o professor deixou de ter salários acintosos". Em comparação com os países da OCDE, o Brasil está entre aqueles com menor investimento anual por aluno do grupo, sendo o terceiro que menos investe por aluno no pré-primário (US$ 1,696) - pouco mais de dois reais - e no secundário (US$ 2,235) -menos de cinco reais - e o quarto colocado no primário (US$ 2,405) - cinco reais em média .

As metas
Uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação, elaborado no final de 2010, aborda a remuneração dos professores. A 17ª delas é "valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do Magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente". O PNE, que deveria estar em vigor no período de 2011 a 2020, ainda se encontra na Câmara dos Deputados. A disputa que mais tem causado o atraso de sua aprovação é o percentual de investimento em educação. Movimentos em defesa da educação apontam para 10% do Produto Interno Bruto.
A meta de investimento em educação subiu de 7,5% para 8% do PIB e criou a possibilidade de elevar esse percentual a 10%, caso metade dos recursos do pré-sal, a serem investidos na área, representem 2% do total. Segundo a Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, o salário dos professores consome um valor equivalente a 1,5% do PIB nos dias de hoje. "Com 2% do PIB seria possível alcançar a média dos outros trabalhadores", avalia Rubens Barbosa de Camargo. Ele conclui afirmando que a valorização do magistério passa, ainda, por melhoria nas condições de trabalho, como infraestrutura de qualidade e diminuição do número de alunos por sala.

Autor(a): Nilton Pereira

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