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Aumenta o risco de racionamento

Geral Comentários 21 de fevereiro de 2014

Consultorias estimam uma possibilidade superior a 04 por cento da demanda no Brasil em 2014.


Nem mesmo as chuvas que voltaram a cair mais intensamente sobre algumas regiões do País, principalmente no Centro Oeste, afastaram a possibilidade de “apagões” ou de cortes no fornecimento. De acordo com estudos recentes, a diferença se deve à piora da vazão prevista pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico para fevereiro que, antes, era de 48 por cento da média histórica (MLT) e, agora, é 46 por cento desta média. Em meados de fevereiro, divulgou-se que o risco de racionamento era de 17,5 por cento, identificando, também, deficiências na infraestrutura do setor elétrico do Brasil. Estes dados estão sendo analisados por setores do Governo Federal que teme maiores desgastes em ano de eleições e de Copa do Mundo, quando o País fica mais exposto na mídia.
Em Goiás, por exemplo, o quadro é muito preocupante, tendo em vista os problemas vividos pela maior operadora do sistema, a CELG, que está em processo de mudanças administrativas, tendo em vista a transferência de seu controle acionário para a estatal Eletrobrás. Isto influencia, diretamente, na política de atrativos fiscais para novos empreendimentos no setor da indústria pesada. Com energia de qualidade duvidosa, grupos empresariais ficam reticentes quanto à montagem de plantas fabris na região Centro Oeste, mais especificamente em Goiás. O Distrito Agro Industrial de Anápolis, por exemplo, tem uma fila de mais de 30 empresas esperando a liberação de áreas e de outros incentivos para instalarem suas representações.
Reflexos da crise
As ações das empresas elétricas têm sofrido forte queda, pressionadas por preocupações sobre racionamento de energia, gastos com termelétricas e impacto sobre as empresas do setor. Analistas do banco Morgan Stanley, liderados por Guilherme V. Paiva, escreveram em relatório que, em caso de racionamento de energia, o segmento de transmissão é o único porto-seguro no setor elétrico, e que Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais) deve ser uma das menos afetadas entre as monitoradas pelo banco no país. "As companhias mais vulneráveis ao racionamento de energia são Usiminas, Minerva, Gerdau, Duratex e M. Dias Branco. Nomes do setor de celulose não devem ser impactados", afirmaram.
Por outro lado, o estudo mostra que o nível dos reservatórios das hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste, os mais importantes para abastecimento do País, estão em níveis quase tão baixos quanto os do final de fevereiro de 2001, ano de racionamento, e mostram depreciação desde janeiro, em período em que deveriam encher. Diante disso, as termelétricas do país estão fortemente acionadas para atender a demanda, colaborando para elevar o preço de energia de curto prazo, gastos das distribuidoras de eletricidade e possibilidade de aumento na conta do consumidor. Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estão a 35,36 por cento de armazenamento e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que eles devem chegar a 43 por cento ao final de abril para garantir o abastecimento de energia no ano.

Autor(a): Nilton Pereira

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