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As revelações de um jovem cartola

Especial Comentários 24 de abril de 2015

Apesar da pouca idade, o Presidente da Associação Atlética Anapolina, Leandro Ribeiro, o “Leandrinho”, dá demonstrações de muita maturidade, não só no futebol, como em outras áreas da vida. Em entrevista descontraída ao Diretor Geral do CONTEXTO, Vander Lúcio Barbosa, ele fala dos desafios do esporte mais popular do País. Mas, aborda, também, questões relacionadas à família à política e aos negócios


Vander Lúcio Barbosa - Fale um pouco sobre Leandro Ribeiro. Quais são suas origens, como é sua família, que tipo de empreendimento você comanda?

Leandro Ribeiro - Sou filho de Anápolis. Minha família é de origem humilde e muito trabalhadora. Sou casado com Janaína e tenho um casal de filhos: Leandro Filho (12) e Maria Eduarda (13). Comecei a trabalhar cedo para ajudar no sustento de casa e, por isso, aprendi, ainda muito novo, os valores do trabalho e da família. Aprendi que, no jogo da vida, a solidariedade, a dedicação e o trabalho em conjunto são elementos imprescindíveis para o sucesso em todos os quadrantes da vida. Em relação à minha atividade profissional, tenho uma empresa de transportes junto com meu pai, ofício pelo que tenho muito prazer e orgulho em realizar.

Vander Lúcio Barbosa - Como nasceu o interesse em ser dirigente esportivo com tão pouca idade?

Leandro Ribeiro - Sempre estive ligado ao futebol. Seja como torcedor ou como praticante dessa atividade porque sempre gostei de jogar uma bolinha, por puro prazer. Desde menino sou apaixonado por esse esporte. Boa parte das minhas amizades nasceu, de uma maneira ou de outra, via futebol. Meus grandes amigos, com raras exceções, têm alguma ligação com esse esporte. E, por amar o futebol e ser apaixonado pela Xata, acabei chegando à função de dirigente. Foi através de um amigo, Ruiter Silva, na época presidente da Rubra, em 2004, que iniciei minha participação como membro da diretoria, juntamente com os companheiros Marcus da Costa Ferreira (Juiz de Direito); Hélio Lopes (advogado); Algomiro Carvalho (Juiz de Direito) e outros abnegados. De lá pra cá, nunca mais me afastei desse verdadeiro e amoroso vício.

Vander Lúcio Barbosa - Muita gente fala que dirigir futebol é desgastante, que dá prejuízo, que afasta as pessoas da família. É isso mesmo?

Leandro Ribeiro - É verdade... O futebol é muito caro e os recursos são cada vez menores. Quase todo final de semana tem jogo e precisamos acompanhar, de perto. Por isso, perdemos os domingos com os nossos familiares e amigos. De qualquer forma, sei dos pontos negativos, mas sei, também, que tudo o que faço é de coração. E, quando somos movidos pelo amor, não há cansaço nem preguiça e muito menos desânimo. Minha paixão pela Associação Atlética Anapolina me faz superar as dificuldades e passar por cima dos problemas - inúmeros, aliás. Eu quero fazer com que nosso time seja grande. E, a minha recompensa seria um título de Campeão!

Vander Lúcio Barbosa - A frustração com a perda da Copa do Mundo, no ano passado, de alguma forma, enfraqueceu o futebol brasileiro?

Leandro Ribeiro - Penso que sim. Nós brasileiros estávamos esperançosos, nos preparamos para isso, acreditávamos em nosso time, pois juntamos dois comandantes campeões em outras Copas (Felipão e Parreira), além de os jogos serem em nossa casa. Uma pena, o fracasso, em especial pela maneira como se deu. Muitos de nós não teremos a oportunidade de ver outra Copa em nosso País, infelizmente!

Vander Lúcio Barbosa - Por que os estádios andam tão vazios ultimamente. Só vemos grandes públicos nas decisões...

Leandro Ribeiro - A televisão transmite todos os campeonatos regionais do País através de canal fechado. Isso dá conforto ao torcedor. Outra agravante séria é, também, as brigas entre torcidas organizadas que, infelizmente, acontecem com frequência o que contribui, sobremaneira, para que o torcedor deixe de frequentar os estádios. Em Anápolis esse tipo de ação tem diminuído muito. Quase não vemos mais esse tipo de anarquia. Nossos torcedores têm se portado de uma maneira mais exemplar e disciplinada, graças a Deus. Já, nas finais, o torcedor quer presenciar, dar a volta olímpica, guardar o ingresso como lembrança. Por isso, comparece.

Vander Lúcio Barbosa - O futebol goiano está nivelado por baixo? Por que ele não empolga mais as torcidas?

Leandro Ribeiro - Chega a ser constrangedor eu admitir que sim, que infelizmente o nosso futebol está nivelado conforme, Vander Lúcio, você perguntou, em tom de afirmação. Mas, isso tem uma razão muito forte de ser: tudo se deve, principalmente, à falta de recursos financeiros de nossos clubes. Um jogador diferenciado tem seu salário um pouco elevado, e os times estão sem dinheiro para esse tipo de contratação. Então, contratando um monte de “Joãozinhos” e, a torcida, vendo a falta de qualidade do time, não frequenta os jogos. Penso que, de uma maneira geral, o futebol está fraco no Brasil inteiro e não se trata de um caso isolado em Goiás.

Vander Lúcio Barbosa - Como é dirigir time de futebol em cidade do interior? De que mais um dirigente esportivo sente falta?

Leandro Ribeiro - Muito difícil! Quase impossível, não temos apoio de empresas como nas grandes cidades. O apoio vem, e com muito sacrifício, de nossos empresários mais próximos, de amigos, que só colaboram por amor aos times de Anápolis e à cidade que acolhe a sua família, a sua empresa, os seus empregados. Então, tudo é no sacrifício. É, por assim dizer, quase uma mendicância. Isso tira a oportunidade um time do interior crescer. Um time de futebol é uma empresa e, sem recurso financeiro, não chega a lugar nenhum. Acho que o futebol é uma atividade de enorme importância social e por isso mesmo precisaria contar com uma política governamental e classista que, realmente, pudesse oferecer o apoio necessário para sobreviver com dignidade e não ter que ficar mendigando por aí, batendo de porta em porta nas empresas pedindo ajuda e, no final, não conseguir nada - ou quase nada.

Vander Lúcio Barbosa - Como é ver o desinteresse das empresas que poderiam ajudar, mas não ajudam os times?

Leandro Ribeiro - Lamentável. Elas se instalam em nosso Município, na maioria das vezes, com incentivos fiscais; não aplicam nenhum recurso ou retorno financeiro em nossa Cidade e não conseguem entender a importância deste apoio e toda uma cadeia de acontecimentos que é deflagrada a partir do sucesso - ou insucesso - de um time como a Rubra. Nosso time mexe com a Cidade, com o comércio, com os meios de comunicação e dá resultado como mídia para aqueles que nos apoiam. Entretanto, muitas empresas, ainda, não perceberam isso e, desta forma, não podemos dar ao clube o impulso necessário para que ele possa ter participação expressiva nas disputas.

Vander Lúcio Barbosa - Há empresas daqui que patrocinam times de fora. Existe uma explicação para isto?

Leandro Ribeiro - Nosso DAIA, Distrito Industrial, é muito desenvolvido com empresas de grande potencial, que não enxergam nossas equipes de futebol (Anapolina e Anápolis), com capacidade de divulgação de sua marca. Muitas dessas empresas nem recebem os dirigentes esportivos para que consigamos apresentar algum projeto. É por isso que defendo uma política diferenciada para a área, uma lei específica, em termos municipais, que possa fomentar o esporte e que esteja de acordo com a nossa realidade. Que possa, de fato, ajudar, por inteiro, e não de forma fragmentada como se observa em algumas situações.

Vander Lúcio Barbosa - A Anapolina, nos últimos campeonatos, tem jogado para não ser rebaixada. Os resultados não têm sido animadores. Por que isso?

Leandro Ribeiro - Quando o time é montado, apenas, para o Campeonato Regional como o Goiano, você traz jogadores de várias partes do País. Esses atletas têm pouco prazo, no máximo 30 dias, o que chamamos de pré-temporada, para conhecerem as características de seus colegas de grupo. A chance de um entrosamento perfeito e de eles se comprometerem com a cidade e muito pequena. Entra, aí, a questão que estamos discutindo: falta de apoio maior.

Vander Lúcio Barbosa - Em épocas passadas a Rubra ficou conhecida nacionalmente e realizou jogos memoráveis. Há como reviver aquelas situações nos dias de hoje?

Leandro Ribeiro - Não. Não existe milagre no futebol. Sem um projeto bem arquitetado, de longo prazo, não seria possível. Hoje, os jogadores não têm amor à camisa de seu time como no passado. Para isso acontecer novamente, o clube teria que formar atletas de base, que no futuro terão, no mínimo, respeito à equipe que os projetou no futebol. Todos os times que alcançam resultados importantes não foram abençoados pelo acaso. Tudo foi fruto de muito trabalho e investimento. Os grandes clubes trabalham com objetivos jogados lá na frente. Nada de coisa imediatista. Tudo bem planejado, tudo com apoio. É uma equação simples: resultados vêm a partir de organização trabalho, planejamento e investimento. O resto é malhar em ferro frio.

Vander Lúcio Barbosa - O futebol depende muito do poder público para sobreviver. Há como reverter esta situação?

Leandro Ribeiro - Hoje sem a ajuda do poder público seria inviável colocar a Anapolina em campo. Para o Clube se autossustentar precisa do chamado “sócio - torcedor” que é o que pretendemos fazer. Mas, o torcedor é, apenas, paixão e sem calendário, (no mínimo Série C) ele não contribuirá mensalmente com seu clube de coração. E, penso que podemos andar um pouco mais. O poder público precisa investir maiores recursos em nosso futebol. Isso é prioritário e proporciona enorme alcance social. O futebol é o esporte mais popular do mundo. A partir do momento em que o poder público ajuda o futebol, está ajudando o social. Não dá para ficar com meio passo. Vamos dar um passo inteiro e, através do futebol, divulgar nossa Cidade, nossa força e, direta ou indiretamente, proporcionar oportunidades de trabalho e de ganhos em diferentes áreas. Futebol é um instrumento de transformação social porque contribui para fazer movimentar a economia e a paz social no sentido em que o lazer é um fator de agregação das pessoas e motivo de felicidade para o povo.

Vander Lúcio Barbosa - Em Goiás, como no restante do Brasil, temos vários exemplos de políticos de sucesso como Pedro Canedo; Maguito Vilela; Jovair Arantes, Valdivino de Oliveira e outros que ficaram conhecidos, primeiro, na mídia esportiva. Você já pensou em entrar para a política?

Leandro Ribeiro - Já recebi vários convites para isso. Apesar de gostar muito de política, de servir ao próximo, não tenho, ainda, uma opinião formada sobre este assunto. No entanto, penso que todos nós, indiferente de cor, sexo, profissão, temos a obrigação, o dever cívico de colaborar, de participar, de cobrar e somar esforços para o crescimento e melhoria da nossa comunidade. E, a única forma efetiva de ajudar a mudar as coisas, é através da prática política.

Vander Lúcio Barbosa - Se, um dia, for chamado a disputar um cargo eletivo, você, pelo menos, admitiria estudar a questão?

Leandro Ribeiro - Gosto de desafios. Estou aberto a discutir sobre esta possibilidade, analisar junto aos familiares, aos amigos, aos companheiros, sem problemas. Tenho observado com muita atenção e interesse, a formação de novos grupos preocupados com a evolução política de Anápolis para os próximos pleitos, inclusive, um liderado por você, que tem grandes nomes de expressão em Anápolis.

Vander Lúcio Barbosa - As pessoas falam, muito, em renovação na política, com gente nova, com ideias novas. O que você apendeu, até agora, dirigindo futebol pode ser, de alguma forma, aplicado em uma carreira política?

Leandro Ribeiro - A renovação é importante em qualquer lugar. Precisamos colocar pessoas novas, sem nenhum vício politico para ajudarem a moralizar a política brasileira. O futebol nos ensina a insistir em um projeto, por mais que seja complicada a sua execução. As derrotas nos dão experiências e nos mantêm humildes. As vitórias nos trazem felicidade e a felicidade traz a perseverança, isso tudo se aplica em política.

Vander Lúcio Barbosa - Aceitaria um convite para se juntar a um grupo que propõe novas alternativas de administração político-administrativa?

Leandro Ribeiro - (Risos) Como disse, gosto de desafios. Preciso, no entanto, de um tempo para refletir sobre esta nova possibilidade política que se me apresenta neste momento. Tenho convites de algumas siglas partidárias e preciso discutir com os meus amigos e familiares qual seria o melhor, caso venha me decidir por isso. É certo que, entre esses partidos, com certeza, o partido que você representa, Vander Lúcio (PSD) é uma excelente opção para se pensar. Veria esta oportunidade com muito bom gosto caso meu grupo de amigos e meus familiares me apoiassem nesta proposta.

Vander Lúcio Barbosa - Voltando ao futebol, você vai continuar no comando da Anapolina para as próximas temporadas?

Leandro Ribeiro - Meu mandato se encerra em novembro deste ano. Ainda não sentei com minha diretoria para analisar a questão. O que percebemos é que precisamos de mais apoio para executar melhor os próximos projetos. Estamos perto de receber um centro de treinamento moderno. Tenho a certeza de que este C.T. será a redenção da Anapolina. Passaremos a ser time de verdade, formando atletas em categorias de base. Por isso, temos que analisar tudo com muito amor e carinho!

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa

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