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Aprendendo com a natureza e revitalizando o Ribeirão Piancó

Meio Ambiente Comentários 08 de novembro de 2018

Projeto mudou o cenário que havia há alguns anos, quando Anápolis enfrentou grave crise hídrica. Parceria é a palavra chave


Quem não se lembra, nos anos de 2014 e 2015, da severa crise hídrica vivida no Município de Anápolis? E, naquela mesma época, da queda de braço entre os produtores do Piancó, SANEAGO, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Ministério Público e outros segmentos da sociedade? Tudo isso faz parte de um passado que, obviamente, ninguém quer de volta. E pode ser que não volte, através de um trabalho que buscou copiar, na natureza, a fórmula para se revitalizar o Ribeirão Piancó, que responde por cerca de 80% do abastecimento de água potável da Cidade e onde se situa, também, o seu mais importante cinturão agrícola pastoril.
Em 2016, pouco tempo depois do período turbulento da crise hídrica, teve inicio uma parceria entre a SANEAGO, EMATER, Prefeitura Municipal, Ala 2 - Base Aérea -, Ministério Público, Associação dos Produtores do Piancó, dentre outros, com o objetivo de promover a revitalização da área. Uma das vertentes desse trabalho foi, e continua sendo, a recuperação das bacias de infiltração.
Segundo os técnicos da SANEAGO, Wellington França Barcelo (Gestor Ambiental) e Wilton Souza Batista (Operador de Sistema), o projeto funciona da seguinte forma: às margens das estradas vicinais da região, foram abertas grandes bacias, com a função de guardar a água da chuva que corre pela via. Até então, todo esse volume de água corria para o rio e, de lá, certamente, para o mar. Agora, a partir do trabalho que está sendo feito, a água captada é estocada e, com a pressão exercida no solo, que funciona como uma espécie de esponja, essa água retida é liberada para o lençol freático, inclusive, fornecendo água para as nascentes.
Esse reforço para o lençol freático traz resultado imediato, até que a vegetação na região, que se encontrava degradada e está, também, sendo recuperada, atinja a altura necessária para fazer o seu papel de proteção do manancial.
“Nós estamos copiando o que a natureza já fazia e faz há milhares de anos, ou seja, infiltrando água e alimentando a bacia e as nascentes”, ressaltou Wellington Barcelo. Conforme adiantou, desde o mês de agosto último, com apoio de maquinário da Prefeitura, iniciou-se a interligação das bacias e, hoje, 74 dessas bacias já estão prontas, de um total de 94 que foram levantadas pela EMATER. Já existe, também, um projeto pronto para executar o terraceamento e curvas de nível, visando a complementação do trabalho.
Por outro lado, tem sequência a frente que trabalha a recuperação da vegetação. Neste tocante, existe uma área cercada com 11 hectares, pronta para receber o plantio de 100 mil mudas. O cercamento é para se evitar a entrada de animais de maior porte que possam prejudicar o plantio.

Parcerias foram fundamentais para o projeto de recuperação
De acordo com a SANEAGO, o projeto das bacias de retenção de água tem um impacto muito grande, não apenas do ponto de vista de garantir a vitalidade do Ribeirão Piancó e, consequentemente, o abastecimento de água para a população de Anápolis, mas também, para assegurar a sustentabilidade da produção agropecuária na região, que é fundamental para a população, à medida que garante a produção de alimentos que a mesma consome.
A parceria entre os órgãos e entidades envolvidos foi mais além, pois está arraigando na população ribeirinha, a consciência sobre a preservação do Piancó. Hoje, segundo Wellington Barcelos e Wilton Souza, os produtores entendem a necessidade de adotar práticas como o gotejamento das lavouras e também de não ligar as bombas para retirada de água todos de uma só vez. Isso, agora, é feito na forma de rodízio, de forma a não prejudicar a vazão do Ribeirão. “Hoje todos nos ajudam nessa luta, que é uma luta planetária, tendo em vista o aumento da população e a necessidade de se garantir a água para o consumo”, pondera Wellington Barcelos.
Além disso, destaca Wilton Souza, o Município acabará, também, economizando com a manutenção da estrada vicinal, pois o desvio da água diminui a incidência de processos erosivos.
Como se não bastasse tudo isso, o trabalho no Ribeirão Piancó está impactando até o Ministério Público e o Judiciário, com a redução de demandas que, inclusive, acarretavam em oneração para as partes envolvidas. Um produtor que, às vezes, tinha de desembolsar somas consideráveis para pagar multas ou desenvolver ações mitigatórias, agora tem mais possibilidade de usar os seus recursos no crescimento do próprio negócio e obter mais lucros. Sem contar o fato de ficar longe das dores de cabeça. Ainda há pequenos focos de resistência, mas no geral, segundo os técnicos da SANEAGO, a comunidade do Piancó abraçou a causa. E o resultado, agora, será colhido por muito tempo.

Autor(a): Claudius Brito

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