(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

APAE ANÁPOLIS: Assembleia vai propor destituição da atual diretoria

Cidade Comentários 10 de maro de 2016

Reunião está sendo articulada por um grupo de pais, com fundamento na má administração dos recursos que estaria ocorrendo na instituição


No próximo dia 21, às 19 horas, na sede da APAE, no Setor Bougainville, associados e colaboradores da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Anápolis vão se reunir para se discutirem os rumos da entidade. O ponto chave da pauta, conforme edital publicado no Jornal Estado de Goiás (20 a 26 de fevereiro do ano corrente) é a proposta de destituição dos membros da atual Diretoria Executiva da instituição, com base no seu estatuto social. Ainda, de acordo com o edital, será aberto prazo para a apresentação de defesa da diretoria executiva e, na sequência, será feita a votação e a homologação da decisão pela Assembleia Geral Extraordinária, conforme o ato convocatório.
Com 46 anos de história, a APAE de Anápolis se tornou uma referência no Brasil. A instituição surgiu no final da década de 60, com a sua primeira diretoria composta por membros do Rotary Clube, Maçonaria e de movimentos religiosos. Dispensa-se citar nomes das pessoas que colocaram os primeiros tijolos nesta edificação e os que contribuíram, ao longo dos anos, para torná-la sólida, respeitada e uma referência não apenas em Goiás, mas no Brasil.
A APAE foi pioneira no Estado, na realização da Triagem Neonatal, mais conhecido como o Teste do Pezinho. Sua estrutura abarca, também, a Escola “Maria Montessori”, o Ambulatório Multidisciplinar Especializado, o CRASA- Centro de Reabilitação à Saúde Auditiva e o Laboratório. Conta, ainda, com um patrimônio humano formado por profissionais de várias especialidades: pediatria; endocrinologia; psicologia; fisioterapia; fonoaudiologia, dentre outros, além do corpo técnico-administrativo.
Este pequeno preâmbulo na história da APAE de Anápolis ajuda, um pouco, a entender a atual situação da entidade e a preocupação dos pais em relação ao seu futuro. Afinal, os alunos e pacientes atendidos têm, na estrutura da APAE, mais do que um porto seguro para o tratamento de que necessitam. É uma extensão de seus lares, um pedaço de suas próprias vidas.
Na terça-feira, 08, um representante de pais, na condição de não ter o seu nome revelado (o sigilo à fonte é uma garantia constitucional), falou sobre os fatos que envolvem a direção da APAE Anápolis e, diga-se passagem, não se trata de uma denúncia de desvio de recursos ou algo que se assemelhe.
De acordo com a fonte, tudo começou a partir do segundo semestre do ano passado, “quando começamos a ver coisas diferentes acontecendo na APAE”. Primeiro, disse, foi a dispensa de uma empresa contratada para o serviço de limpeza, que teve um contrato de vários anos rescindido e que refletiu na queda de qualidade no asseio da escola. Depois - continuou - notou-se uma queda na qualidade da alimentação servida aos alunos e a falta constante de alguns materiais básicos como, por exemplo, copos descartáveis e papel higiênico para os banheiros.
Até então - reforçou a fonte - não se sabia o que estava, de fato, ocorrendo. No mês de setembro do ano passado, “soubemos que 40 pessoas seriam demitidas e isso nunca havia acontecido em gestões passadas, o que deixou os pais nervosos”. Conforme narrou a fonte, começou então a vir à tona que se tratava de “má administração da presidência. Não foi feito um planejamento com o dinheiro que havia em caixa”, ressaltou a fonte, colocando em dúvida o critério das demissões, uma delas, a de uma psicóloga com mais de 20 anos de serviços na instituição. Os cortes teriam, também, afetado os serviços de fonoaudiologia, fisioterapia e equoterapia.
A fonte relatou que foi solicitar informação a um diretor da APAE para que ele intercedesse em favor dos funcionários demitidos, mas ele também não soube explicar o que estava ocorrendo. Um grupo de pais, então, decidiu conversar diretamente com a presidente, Suelene Rodrigues Ribeiro e, inicialmente, ela “mandou recado para os pais, que eles deveriam se colocar nos seus devidos lugares”. E teria dito, também, que não queria receber o grupo, porque não tinha nada para conversar com os pais.
Conforme destacou ainda a fonte, a presidente passou a adotar uma postura ríspida, dizendo “ser advogada, que conhece as leis e é amiga do Ministério Público”. “E ela jogou uma coisa que os pais não sabiam: que tinha altos empregos e bons salários e que a instituição tinha ‘cabide de emprego´”. Os pais começaram, então, a indagar sobre o porquê do colapso das contas da APAE e o porquê de a situação ter chegado a tal ponto e, também, o motivo pelo qual a presidente não procurou ajuda para contornar a situação. Essa conversa teria ocorrido numa reunião com a presença de 28 pais e 04 alunos, a qual teria sido gravada por um dos pais. “Ela disse que não ia deixar que falassem mal da instituição e não iria marcar reunião pata mostrar o que estaria ocorrendo”, relatou a fonte, ponderando que a presidente teria distorcido a questão, uma vez que a intenção dos pais era não falar mal, mas buscar soluções para a APAE.
Mais recentemente, por conta dos problemas financeiros, o Centro Especializado em Reabilitação (CER III) foi transferido do imóvel em que funcionava, na região central, para as dependências da Escola “Maria Montessori”, num espaço antes destinado às atividades dos pais e que, portanto, acabou prejudicado.
Para a fonte, os acontecimentos estão trazendo outros reflexos negativos, como o “boicote do bazar da Receita (Federal) e de uma blogueira que deixava roupas para vender”, disse, acrescentando: “Estamos vendo uma derrocada da APAE”. Conforme observou, a presidente não assume a culpa. “Nós não estamos falando de roubo, mas de má administração. Ela (a Presidente) insulta funcionários, chamando-os de incompetentes e faz coisas do arco da velha”. Estas atitudes, conforme disse, têm provocado uma revolta interna. Outro fato relatado foi que os pais marcaram uma reunião na Escola “Maria Montessori” e, na ocasião, a presidente Suelene Rodrigues compareceu. “Foi uma baixaria”, reportou, afirmando que a presidente reiterou que não deixaria o cargo. “Teve pai que saiu chorando”, devido à tensão deste encontro.
Para a fonte, a situação é ainda mais preocupante, pela informação de que há atraso no pagamento da taxa de importação dos insumos utilizados na realização do Teste do Pezinho e o não pagamento implicaria em corte de recursos por parte do Sistema Único de Saúde (SUS), hoje, uma das principais fontes de receita da instituição e que poderia levar a um agravamento da situação financeira. Os pais, também, estão preocupados com a falta de recursos para o pagamento da folha de funcionários. E, na contramão da política de demissões, a fonte relata que a atual gestão teria contratado 60 pessoas, inclusive “familiares e amigos, com bons salários”.
“A APAE existe para cuidar do interesse da pessoa com deficiência e está sendo usada para elevar pessoas, cargos e salários”, lamentou a fonte, informando que a situação foi exposta em um documento encaminhado à Federação Nacional das APAEs, com pedido de ajuda para a solução do conflito envolvendo a direção e os pais. A expectativa, inclusive, é de que algum representante da Federação possa acompanhar a Assembleia Geral marcada para o próximo dia 21.
“Estamos tentando ver se ela (a presidente) desiste da loucura de levar o mandato até o fim, porque vamos ter de levantar a APAE do zero. Por isso, chamamos os pais (para a Assembleia) para fazermos a votação (da proposta de destituição da atual diretoria executiva)”, relatou a fonte, ponderando que houve tentativas para que o problema se resolvesse da melhor forma. “Se de todo jeito não tiver como, vamos levar ao Ministério Público; vamos pedir uma intervenção. Tem muito pai empenhado nisso”, adiantou.
“Estamos nos sentindo envergonhados e os nossos filhos usados. Por isso, estamos pedindo socorro, socorro, socorro!”, desabafou a fonte com os olhos marejados de lágrimas. Observou também que dentro da APAE não tem pai leigo, pois muitos são médicos, engenheiros e outros profissionais e que não podem ser subestimados. E, reforçou que o que está ocorrendo na instituição “é falta de administração e falta de compromisso. Estamos perdendo tudo o que foi construído. De fora do portão, a APAE é uma história de conto de fada e, de dentro, um mundo feio. Nunca passamos por isso”.
Para a fonte, a APAE já passou por outras crises, mas disse não ter conhecimento de nenhuma como esta. E, por conta de toda a celeuma, há um quadro de desmotivação por parte de vários funcionários e coordenadores, o que se reflete no atendimento que é oferecido pela instituição. “Até as crianças estão percebendo. E se a APAE fechar? Muitos alunos terão prejuízos, porque eles vivem a APAE, não vão ter para onde ir. Vão para o SUS?”, indagou a fonte, observando que a presidente não é responsável sozinha, mas deveria ter buscado um apoio para que a situação não chegasse ao ponto que chegou.
O Jornal Contexto procurou, por reiteradas vezes, contato com a presidente Suelene Rodrigues Ribeiro, para que ela pudesse dar a sua versão sobre os fatos apresentados na reportagem. Porém, foi informado na quarta-feira (09) que ela estava participando de algumas audiências e, na quinta-feira (10), que estava fora da Cidade.

Autor(a): Claudius Brito

Clique aqui para ler a página em formato PDF


Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Cidade

Cemitérios Municipais recebem obras para o feriado de Finados

20/10/2017

A Secretaria de Obras e Serviços Urbanos da Prefeitura está concluindo a limpeza e a manutenção, realizadas no Cemitério...

Iniciada a construção de calçadas em toda a Avenida Brasil Norte

20/10/2017

A Avenida Brasil ainda está em transformação. A via recebe, neste momento, intervenções que já deram um novo perfil par...

Estado vai repassar o prédio da Rodoviária para a Prefeitura

20/10/2017

O prédio do Terminal Rodoviário “Josias Moreira Braga” será incorporado ao patrimônio do Município. A transferência...

SANEAGO reconhece falhas, mas não admite a falta de água

20/10/2017

Várias ocorrências de desabastecimento de água foram registradas em Anápolis, entre quarta e quinta feiras (dias 18 e 19 ...