(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

APAE Anápolis participa de mobilização nacional contra novo texto do PNE

Geral Comentários 16 de agosto de 2013

Apaes de todo o Brasil se reuniram em frente ao Congresso contra projeto que obriga a inclusão de estudantes especiais na rede regular de ensino


“Não à inclusão radical”. Esse foi o grito entoado pelos manifestantes que participaram na quarta-feira, 14, em Brasília, do Dia Nacional de Mobilização Contra o Novo Texto do Plano Nacional de Educação, convocada pela Federação Nacional das Apaes, FENAPAEs.
Uma delegação com cerca de cem representantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Anápolis participou da mobilização que reuniu representantes das Apaes de todo o Brasil. Na ocasião, estiveram presentes, ainda, comitivas da Fundação Pestalozzi, que também tem por missão educar e prestar assistência a pessoas com deficiência, e da FENEIS, Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos.
Todos se reuniram às 9h em frente ao Museu da República, com marcha em direção ao Senado Federal, onde os representantes das várias entidades que trabalham em prol de pessoas com deficiência que estiveram presentes, juntamente com a Presidente da Federação Nacional das Apaes, Aracy Lêdo, e com o apoio do Deputado Federal e Ex-presidente da FENAPAES, Eduardo Barbosa, Senadores Paulo Paim e Vital Rego, foram atendidos pelo Senador Cyro Miranda (PSDB-GO), Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, que recebeu as reivindicações de manutenção do texto da Meta 04.
Essa mobilização foi o desencadeamento das que ocorreram em nível estadual, quando as APAEs de todo o Brasil estiveram reunidas paralelamente, no último dia 07, em frente às assembleias legislativas de seus estados e municípios reivindicando apoio para a manutenção do texto da Meta 4 e suas estratégias do Plano Nacional de Educação, PNE. Essa etapa da mobilização foi importante por conseguir somar às suas forças, o apoio de deputados de seus estados, como ocorreu em Goiás.
No entendimento da FENAPAEs, um projeto que começou na Câmara dos Deputados e foi para o Senado, pode extinguir com as Apaes, na argumentação de incluir os alunos especiais na rede de ensino regular. Por isso, as instituições têm se mobilizado em todo o País, na preocupação de que as famílias percam a estrutura especializada para o ensino de estudantes especiais.
Como surgiu
O projeto, criado em 2010, previa ampliar o atendimento para os alunos especiais incentivando a transferência destes para o ensino regular. No entanto, o texto foi modificado pelo líder do governo no Senado, José Pimentel, que propôs cortar os repasses do Governo Federal para as Apaes após 2016, inviabilizando, por consequência, o funcionamento destas em todo o Brasil.

De acordo com a Gestora da Escola especial da APAE Anápolis, Valdeci Gonçalves Dutra, a sociedade não pode cruzar os braços diante da situação, uma vez que, ao longo dos anos, muito conquistou para os Portadores de Necessidades Especiais, PNEs. “O que buscamos é a continuidade da manutenção das escolas especiais para as pessoas que precisam delas. Queremos uma inclusão responsável e não uma inclusão radicalista como esta que o MEC está propondo, tanto na Meta do Plano Nacional de Educação, como no bojo das estratégias a serem discutidas nas Conferências Municipais e Estaduais de Educação”, argumenta a gestora.
Embora a luta das APAEs continue, Valdeci Gonçalves considera o que já foi alcançado, por meio das mobilizações, uma vitória. “O resultado da nossa união e participação nessa mobilização nacional foi muito bom, por que todos os parlamentares presentes, tanto do Senado quanto da Câmara, se mostraram favoráveis à nossa solicitação. Ressaltando que os senadores fazem parte da Comissão de Educação responsável pela redação desse Plano”, avalia.
Agora, a preocupação das APAEs é alcançar, por meio das Conferências Intermunicipais, que já vem acontecendo (a do Estado de Goiás na Capital ocorre nos dias 16 e 17 deste mês) a não concretização da proposta do MEC em congelar as matrículas em escolas especiais a partir de 2014, extinguindo com todas as escolas especiais até o ano de 2018. “Nessas conferências, a maioria dos estados tem que conseguir elaborar propostas que derrubem essa do MEC, porque discuti-la na Conferência Nacional será ainda mais difícil”, explica. De acordo com o regimento interno que a Conferência Nacional possa vir a adotar, se o número de aprovações nos estados não for expressivo, a nova proposta, elaborada e discutida a nível estadual, nem chega a ser debatida na Conferência Nacional.
APAE Anápolis
A Escola Maria Montessori, especializada em educar portadores de necessidades especiais, é a célula-mãe da APAE, fazendo com que a instituição cumpra os ideais de solidariedade e assistência às pessoas com deficiência intelectual e múltipla, objetivos maiores de sua causa. Ela conta com mais de 600 alunos matriculados e seu corpo de profissionais é capacitado a atendê-los em seus diferentes níveis de comprometimento. A unidade mantém convênios com a Secretaria Estadual e a Secretaria Municipal de Educação na cessão de funcionários da área pedagógica. Um convênio, também, é mantido com a SAS, Secretaria de Assistência Social, que contribui para o custeio de material de consumo.
Inúmeras são as atividades oferecidas pela instituição. Dentre elas estão a Formação Inicial para o Trabalho, FIT, que prepara seus alunos para a inserção no mercado de trabalho por meio de oficinas de culinária, corte e costura, reciclagem, serigrafia e horta e jardinagem. Esta duas últimas são as preferidas de Ovídio do Prado Júnior, aluno da escola desde 2005. “Também, gosto muito de jogar basquete e entrosar com os colegas e funcionários da escola. Seria muito triste ver a APAE acabar porque muitas pessoas como eu precisam aprender o que é ensinado lá”, lamenta. Carlos de Moraes, também compartilha do mesmo sentimento que o colega. “Se a APAE acabar vai ser muito ruim porque eu gosto de tudo ali”, diz.
As mobilizações contaram com o apoio de alunos, funcionários das APAEs, familiares, comunidade em geral, Secretarias de Educação, autoridades e representantes das mais diversas entidades para Pessoas com Deficiências, mostrando a unidade do Movimento Apaeano em todo o País. Todos foram para as ruas com faixas, banners, apitos e frases de efeito, como a que a Presidente da República utilizou para se referir a questão da Meta 4, “Uma escola não exclui a outra”, escolhida como tema das mobilizações.

Autor(a): Carol Evangelista

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Geral

Uma viagem de realidade e ficção a Praga

18/08/2017

Tudo começou numa viagem de família à Praga, capital da República Tcheca, em 2013. A cidade antiga, cheia de belezas e de...

Anápolis recepciona interessados em conhecer os cursos

18/08/2017

O Campus de Ciências Exatas e Tecnológicas Henrique Santillo da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis, realiz...

Ministério oferece cursos gratuitos e a distância

18/08/2017

Estão abertas as pré-matrículas para cursos de qualificação profissional na área do turismo com subsídios do Programa ...

Governo espera cadastrar 15 mil estudantes

18/08/2017

Depois de ter sido lançado em Anápolis, recentemente, o programa Passe Livre Estudantil foi apresentado de forma detalhada,...