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Anápolis tem alta incidência de sífilis

Saúde Comentários 20 de outubro de 2017

No número de casos de sífilis adquirida, ocupa o 5º lugar; nos casos em gestantes, o 3º e de sífilis congênita, o 4º


A Secretaria de Estado da Saúde divulgou o Boletim Epidemiológico da Sífilis, publicação técnica da Coordenação Estadual de IST/AIDS, com os dados de Goiás notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita atualizados em série histórica até 30/06/2017.
Conforme os dados apresentados pela SES-GO, Goiânia apresentou, em 2016, o maior número de casos de sífilis adquirida, com 463 casos notificados. Na sequência vem Aparecida de Goiânia (405); Itumbiara (143); Planaltina (114) e Anápolis (109).
Quanto às notificações de sífilis em gestantes, Goiânia aparece com o maior número de notificações: 230, seguida por Aparecida de Goiânia (112); Anápolis (82); Rio Verde (57) e Itumbiara (53).
Quanto às notificações de sífilis congênita (em menores de um ano), os dados da SES são os seguintes: Goiânia (95 casos); Aparecida de Goiãnia (54); Rio Verde (31); Anápolis (27) e Jataí (12).
A Secretaria considera que os números são preocupantes, apesar de todo o trabalho de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis e de incentivo ao pré-natal, realizado no âmbito do Sistema Único de Saúde do Estado. De 2013 a 2016, constatou-se aumento de 453% de sífilis adquirida, 31% de sífilis em gestantes e 107% de sífilis congênita.
A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, contagiosa, caracterizada por cancros ou lesões nas regiões genitais e que pode apresentar sintomas variáveis e graus de gravidade, conforme a exposição de cada indivíduo. É causada pela bactéria Treponema pallidum que tanto pode ficar latente no organismo - sem muitos sintomas - como também, nas pessoas reinfestadas, levar a quadros mais graves de adoecimento.
A doença pode ser transmitida pela gestação da mãe ao filho, com sérias repercussões à saúde das crianças com ocorrência de consequências como cegueira, malformações e microcefalia. Por outro lado, a sífilis tem cura e tratamento, desde que o diagnóstico seja feito o quanto antes e os parceiros envolvidos sejam tratados.
No sentido de combater a sífilis, a Secretaria de Estado da Saúde tem desenvolvido as seguintes ações: capacitação em testagem rápida para sífilis na atenção básica e maternidades, visando o diagnóstico oportuno; capacitação no manejo clínico da sífilis para as regiões de saúde e instituição do comitê estadual de investigação de transmissão vertical de sífilis.
Neste sábado, 21, comemora-se o Dia Nacional de Combate à Sífilis, que ocorre no terceiro sábado de outubro, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção à doença e o seu tratamento adequado.

Considerações levantadas sobre boletim
epidemiuológico da sífilis

A análise dos dados apresentados no boletim epidemiológico da sífilis reflete os seguintes problemas:
1. Acesso tardio ao pré-natal: apenas 20% das gestantes com sífilis, tiveram o diagnóstico realizado no primeiro trimestre;
2. Diagnóstico tardio: aproximadamente 40% mães de crianças com sífilis congênita tiveram o diagnóstico no momento do parto ou após o mesmo;
3. Tratamento inadequado: 93,8% das mães de crianças com sífilis congênita tiveram o tratamento inadequado. Considera-se como terapia inadequada a gestante: a administração de outro medicamento que não seja a penicilina benzatina, o tratamento no período inferior a 30 dias antes do parto, não tratamento do parceiro que mantém contato íntimo com a gestante e tratamento inadequado para a fase clínica da doença;
4. Preenchimento inadequado da ficha de notificação: 23% das gestantes com sífilis não tiveram classificação clínica - campos ignorados/brancos. A ficha de notificação é um instrumento premente para a vigilância e análise do agravo, bem como para a construção de propostas de ação em saúde. Portanto, todos os campos devem ser preenchidos de forma fidedigna. (Informações do Boletim Epidemiológico da Sífilis da Secretaria de Estado da Saúde)

Autor(a): Claudius Brito

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