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Animais de estimação têm tratamento vip

Comportamento Comentários 16 de agosto de 2012

A prática de oferecer a um bicho de estimação o conforto de um ente familiar tem feito o mercado pet crescer acima da média nacional


A população de animais domésticos (cães e gatos) no Brasil é de um para cada duas pessoas. São mais de 100 milhões deles espalhados por todo o País. Grande parte perambula errante pelas ruas de todas as cidades. Outra parcela vive modestamente, em casas simples, comendo sobras e sem nenhuma assistência específica. Todavia, a cada dia que passa aumenta o número de cães, gatos e outros bichos de estimação que são tratados com todas as regalias. E, para corresponder a uma quantidade tão grande de bichos neste grupo, o número de lojas especializadas em vendas de produtos e serviços destinados a esses animais, não pára de crescer. O Brasil é o segundo maior mercado do ramo no mundo, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos, onde, calcula-se existirem cerca de 400 milhões dos animais em questão. Média de um para cada habitante.
No ano passado o setor arrecadou R$ 18,2 bilhões. Desse valor, 46% foram gastos em alimentação; 33% na comercialização de animais; 11% nos serviços prestados a eles e, por último, 10% desse valor foram gastos em acessórios, medicamentos e tratamentos veterinários em geral.
O impressionante é que, por ano, são gastos, em média, R$ 900 milhões de reais com acessórios para cães e gatos, incluindo casinhas; camas; coleiras; brinquedos; agasalhos, roupas, etc. Esse dado contraria um antigo conceito de que para animais dever-se-ia oferecer, somente, o básico: comida e tratamento veterinário.
Em um cenário de crise econômica mundial e de gastos mais contidos, o mercado pet no País se destaca a cada ano, tornando-se, sempre, mais lucrativo. O último estudo que considerou o número de pets shops, feito em 2005 pelo SEBRAE (Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de São Paulo, apontava a existência de cinco mil lojas somente naquela cidade e, oito mil, no restante do País. Atualmente, as estimativas da indústria apontam que o Brasil tenha, aproximadamente, 30 mil pontos de venda.
O que divide opiniões e pode ser considerado mimo para uns, e necessidade para outros proprietários de animais, se deve ao fato de as famílias estarem diminuindo, se planejando para receberem poucos filhos, ou retardando o processo, deixando a ideia de ter filhos para um determinado tempo após o casamento. Isso abre uma lacuna no ambiente familiar, que é preenchida pelos bichos de estimação. Estes, são tratados com todos os mimos e regalias possíveis pelos donos afetuosos. Considerando isso, não é difícil entender o porquê de o mercado pet estar faturando tanto e se tornando um tendência.

Números
Em Anápolis, embora não haja uma estatística oficial, calcula-se que existam mais de 70 estabelecimentos do gênero espalhados por quase todos os setores da Cidade. Distância não é desculpa para se deixar de cuidar e mimar o bichinho. O proprietário de um desses pet shops, André Wilson, conta que, em média, atende a 350 animais em seu estabelecimento todo mês, especialmente no serviço de banho e tosa. "O banho, em média, custa 15 reais. A tosa varia de 25 a 40 reais, dependendo da tosa que é feita, da raça e do porte do animal", esclarece. Os pet shops oferecem ao cliente, diversos tipos de medicamentos veterinários; rações; acessórios, etc. Mas, de acordo com André, os mais vendidos são os remédios como vermífugos e vitaminas, assim como as rações, embora aqueles donos que têm maior afeição pelos seus bichos comprem acessórios dos mais variados. Engana-se quem pensa ser regalia para cachorros e gatos somente os petiscos, entre eles bolachas, doces e biscoitos próprios para o consumo dos bichos. O mercado pet já oferece além desses produtos convencionais, outros elementos bem específicos como calcinha especial para as cadelas usarem quando estão no cio, e, tapete higiênico, apropriado para o animal fazer suas necessidades fisiológicas sem sujarem a casa ou o apartamento. Há desses estabelecimentos que oferecem vários outros serviços, como hospedagem para os animais quando os donos empreendem viagens; internações, para tratamento veterinário; ginásticas, hidromassagens, manicure (corte de garras) e muitos outros atendimentos. "Na minha loja vendo até o ‘pipitrômetro’, uma espécie de réplica de poste para os cachorros fazerem xixi", conta o proprietário que, também, assegura manter uma clientela fixa que costuma gastar entre R$ 250 a R$ 300 mensais com seus animais de estimação. "A média dos gastos de cada cliente é essa, mas existem alguns que chegam a gastar R$ mil em uma só vez com seu animal", finaliza André.
É o caso de Lorrany Oliveira, 21, que tem quatro cachorros da raça shih tzu, e por uma questão de zelo e afeição, tem gastos com seus animais. "Costumo gastar em média R$ 100 ao mês por cada animal, com a compra de medicamentos, ração e serviços de banho e tosa", conta. Mas os cuidados que Lorrany tem com seus cachorros não fica somente nos gastos. "Todos os dias meu irmão limpa o apartamento pela manhã e, eu, à tarde, por causa da quantidade de pelos e sujeira que os cachorros deixam. Algumas pessoas enxergam isso como exagero, mas, para nós dois, a alegria de ter os cães não se compara ao simples compromisso de limpar o apartamento duas vezes ao dia", explica, ressaltando que os bichos são como membros da família.
No país, o percentual de donos que consideram seus animais membros da família é de 10%, apontando para uma crescente, segundo pesquisas da multinacional francesa Evialis, uma das maiores fabricantes de alimentos para animais de estimação no mundo. São as pessoas desse percentual as responsáveis por haver uma significativa movimentação de dinheiro nesse nicho comercial.

Autor(a): Carol Evangelista

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