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Anápolis teria registro da primeira vítima

Saúde Comentários 05 de setembro de 2009

Diante do perigo iminente da Influenza A H1N1, hospitais cheios de pessoas com sintomas da gripe e um caso suspeito de morte por causa desta moléstia em Anápolis, o CONTEXTO ouviu a Diretora de Vigilância em Saúde, Nélia Marinho de Souza Barreto. Ela explicou mais sobre o quadro da doença no município, o tratamento oferecido pela rede pública, e como se prevenir.


Houve mesmo uma morte por H1N1 em Anápolis?
Um jovem de 22 anos morreu há alguns dias de pneumonia. Depois de ter sido atendido e medicado na Santa Casa, ele foi liberado e orientado a retornar para nova avaliação no dia seguinte. Mas só retornou quando seu quadro já estava avançado. Ainda o encaminhamos para o Hospital de Doenças Tropicas - HDT, em Goiânia, mas ele não resistiu e faleceu. Estamos, agora, aguardando o resultado do exame, que deve chegar em, aproximadamente, 20 dias.


“Qualquer pessoa que procura um posto de saúde ou hospital apresentando febre acima de 38 graus, tosse e dispnéia recebe a medicação.”

Além desse caso suspeito, como está o quadro da doença hoje no município de Anápolis?
Hoje existem três pessoas internadas, uma delas em estado grave, com suspeita de estarem infectadas com a H1N1. Mas a maioria das pessoas que procuram os hospitais e postos de saúde por estarem gripados tem conseguido se recuperar bem. É necessário que se explique que não estamos falando de gripe A, e sim da gripe comum, que se mal tratada também pode levar à morte.

Então, há medicamentos, para o tratamento da Influenza A, disponíveis na rede pública de saúde?
Sim, qualquer pessoa que procura um posto de saúde ou hospital apresentando febre acima de 38 graus, tosse e dispnéia recebe a medicação - o TAMIFLU. Desde que os sintomas tenham começado a menos de 48 horas.

O que é o TAMIFLU?
O TAMIFLU é um antiviral em forma de comprimido, administrado de cinco em cinco horas. Mas é preciso lembrar que mesmo recebendo a medicação o paciente irá apresentar todos os sintomas da gripe, irá passar por todo o quadro gripal – que, em média, dura 7 dias.

Como são feitos os exames de diagnóstico da nova gripe?
O Instituto Lacen em Goiânia não está conseguindo mais atender à demanda por pedidos de exame. Por isso, não temos um número exato de quantos pacientes tiveram a gripe. Só os casos mais graves têm passado por exames.


“Até o último dia 31 foram atendidas 1043 pessoas.”

O tratamento, portanto, consiste apenas na medicação? Não estão ocorrendo internações ou isolamentos em todos os casos?
Durante um período de gripe, seja ela qual for, a pessoa deve evitar multidões, tossir em lenço de papel e conversar mais afastada das outras. Entretanto, o isolamento em hospital que ocorria no início já não se justifica, pois o vírus da gripe A está em nosso meio.

Os hospitais da cidade estão preparados para receber pacientes com a H1N1, se for necessário internação ou isolamento? Quem apresentar sintomas de gripe pode procurar as unidades da rede municipal de saúde?
Quem apresentar qualquer sintoma de gripe pode procurar uma de nossas unidades. Todas elas estão preparadas. Caso seja necessário fazer uma internação para hidratação, quando o paciente se recusa a comer - o que é muito comum em crianças, estão disponíveis no Hospital Municipal quatro leitos masculinos, quatro femininos e quatro infantis. O remédio para as crianças, entretanto, ainda não está disponível e os pacientes com menos de 40 quilos que necessitam receber a medicação são encaminhados para o Materno Infantil, em Goiânia.

Houve aumento na procura pelas unidades de saúde depois do surgimento da gripe? Em quanto essa procura aumentou?
Até o último dia 31 foram atendidas 1043 pessoas. E realizados 81 tratamentos com a administração do TAMIFLU.

Existem diferenças nos sintomas da H1N1 e da gripe comum?
A gripe A, geralmente, causa dores abdominais e diarréia. Mas a gripe comum também pode provocar esse tipo de sintoma. Assim sendo, pedimos que as pessoas não esperem que outros sintomas apareçam, pois isso pode significar um estágio avançado, um quadro grave. O melhor mesmo é procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. Pois se um paciente se apresenta no início dos sintomas, podemos avaliar o quadro e iniciar o tratamento.

Cuidado com os genéricos

A Diretora de Vigilância em Saúde alerta que é preciso estar atento, não só aos sintomas da gripe, mas, também, aos tratamentos alternativos oferecidos por aí. Segundo Nélia Marinho, essa é a segunda vez que a Vigilância Sanitária apreende “remédios” desse mesmo fabricante. Na primeira apreensão, feita em janeiro, foram 16 caixas, com 12 frascos cada, contendo um suposto remédio para reumatismo. Agora, duas semanas atrás, foram presos frascos de um antigripal. O curioso é que as fórmulas do antigripal e do medicamento para reumatismo são exatamente as mesmas.
Além dos medicamentos, na última semana a Vigilância apreendeu também panfletos de uma igreja que afirma oferecer vacina contra a nova gripe. “Ainda não existe uma vacina contra a gripe A, o medicamento administrado é o TAMIFLU”, afirma, “E apenas os hospitais e postos de saúde oferecem esse medicamento”.

Autor(a): Carolina Umbelino

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