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Anápolis pode perder entidade construída durante seis décadas

Saúde Comentários 29 de abril de 2011

Hospital Espírita está completando 61 anos de fundação, sendo 60 anos de atendimentos ininterruptos para pacientes portadores de transtornos mentais e de dependência química


No dia 23 de abril, a entidade filantrópica Sanatório Espírita de Anápolis (SEA), mantenedora do Hospital Espírita de Psiquiatria (HEP) completou 61 anos de fundação e 60 de atendimento ininterrupto. Com exceção do primeiro ano de vida, quando os pioneiros procuravam por um terreno para construir a sede, todos os seguintes foram de atividade voltada aos portadores de transtornos mentais e dependência química.
Dentro das celebrações do aniversário, a diretoria da instituição programou um evento para 30 de abril, às 19 horas, no auditório “José Diniz”, localizado no HEP, com palestra e momento de confraternização dos presentes. A palestra será proferida por Eurico Monteiro Alarcão Júnior, um dos diretores da Federação Espírita do Estado de Goiás.

BENEFÍCIO AO PAÍS

O SEA chega ao 61º ano de existência com uma vasta folha de serviços prestados à comunidade do País, não apenas de Goiás, e “seria de se esperar que um marco como este, expressivo na história da saúde nacional, fosse também um momento de reconhecimento por parte das instâncias governamentais que detêm o poder de gerir os destinos da saúde”, afirma o diretor executivo do SEA, Cauby Moreira Pinheiro. Entretanto, não é o que está ocorrendo “em relação ao SEA e a todas as outras instituições congêneres no Brasil”, acrescenta.
Cauby explica que, no exato mês que o SEA completa 61 anos, e a chamada “Lei da Reforma Psiquiátrica” uma década, um balanço do serviço psiquiátrico oferecido no território nacional mostra que, “enquanto 1.329 novos centros terapêuticos (como os caps - centros de atenção psicossocial) foram criados, para atender a pacientes com problemas mentais, 19 mil leitos de hospital para a internação de doentes foram extintos”, informa o diretor, apresentando dados do Departamento de Psiquiatria da Federação Brasileira de Hospitais.
Conforme dados do dirigente, a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de um leito psiquiátrico para cada grupo de mil pessoas. Hoje, o país precisaria abrir 154 mil leitos, para atingir a meta da OMS. No caso de Anápolis, só para os moradores há necessidade de 320 leitos. Mas cerca de 70 municípios utilizam hoje os serviços do HEP. Há oito anos eram muito mais, inclusive de oito estados da Federação.
Alguns milhões de brasileiros necessitam dessa estrutura. Pesquisas mostram, que, atualmente, em relação direta à redução dos leitos psiquiátricos, vem crescendo a quantidade de episódios traumáticos causados pela ação de portadores de transtornos mentais em crise, pelas vias públicas ou no ambiente doméstico. Cauby Pinheiro mostra portfólio com algumas centenas de reportagens e relatórios referentes a ocorrências graves que pacientes psiquiátricos causaram a si próprios e a outras pessoas.

MEIO MILHÃO DE ATENDIMENTOS

Ao longo das seis décadas de existência, o SEA atendeu a pessoas de todo os cantos da nação. Já na construção de Brasília, foi o primeiro hospital psiquiátrico a receber “candangos”, como eram conhecidos os trabalhadores que vieram para a edificação da Nova Capital da República. Desde então, algo em torno de meio milhão de atendimentos foram realizados pelo SEA, entre internações, consultas e exames, comprovam os registros.
Entretanto, “todos os dados apontam para o fato de que a entidade fechará suas portas em poucos meses, provavelmente em um semestre, se decisiva mudança dos gestores municipais e estaduais não interceptarem ações ideológicas desenvolvidas na esfera federal com apoio de grupos locais engajados numa causa equivocada”, afirma o presidente da casa, Adilson Pinto.
“Há uma ordem surda e silenciosa para que os hospitais psiquiátricos fechem suas portas, com a assertiva de que ‘não existe enfermidade psiquiátrica’, mas problema social”, diz Adilson.
Conforme é possível se observar, o tema é tratado de forma confusa por militantes como se fosse discutida política ou preferência por uma equipe desportiva. O resultado tem sido uma ação proposital do Ministério da Saúde, causando extrema defasagem nos valores dos serviços das instituições psiquiátricas “coagidas pelas circunstâncias a prestarem serviço ao SUS”, pondera Adilson Pinto, explicando que “não é intenção fechar as portas, e nunca foi, mas a situação está chegando ao extremo suportável”, revela.
Já o diretor médico do HEP, psiquiatra Maurício Candiotto Guimarães, analisa que os caps, “pela proposta com que foram anunciados há mais de uma década, deveriam ser um complemento do atendimento hospitalar e não suprimi-lo”. O Doutor Maurício explica, também, que “grande parte dos pacientes não pode abrir mão do tratamento hospitalar; muitos, até, dependem exclusivamente do atendimento em um hospital especializado, o que afasta a possibilidade de tratamento psiquiátrico em hospital geral para uma expressiva maioria; sem contar que em nenhum dos estados da Federação o serviço funciona, sequer, para atender a proposta básica”, revela o médico.

Autor(a): Henrique Mendonça

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