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“Anápolis já sofreu muito com políticos aventureiros”

Política Comentários 29 de setembro de 2012

Candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, Antônio Gomide, fecha a última entrevista com os prefeituriáveis de Anápolis, falando sobre os seus projetos e os desafios que irá enfrentar, caso seja eleito. Alvo do ataque de seus adversários e bem colocado nas pesquisas de intenção de votos, Gomide é cauteloso ao responder se a eleição seria decidida já no primeiro turno, mas ela manda também os seus recados. E fala, ainda, sobre o crescimento da receita municipal e sobre problemas das áreas de trânsito e da saúde.


O senhor começou a campanha de 2008 com uma margem bem pequena nas pesquisas de intenção de votos. Hoje a situação é diferente, o senhor vem sendo bem avaliado e os seus adversários estão num patamar semelhante ao que tinha no pleito anterior. Qual avaliação que o senhor faz desse processo? É mais fácil ou mais difícil trabalhar nessa “zona de conforto”?

- Quero dizer que estou muito animado, otimista com a minha cidade. Vejo que estamos fazendo uma campanha com ideias, uma campanha propositiva, com projetos, avaliando e pensando a cidade a curto, médio e longo prazos. E, com isso, estamos dando condições ao eleitor de ele avaliar o que quer para a cidade nos próximos quatro anos. Eu tenho colocado minhas propostas e tenho feito com que este debate seja em alto nível. Entendo que a cidade não pode voltar atrás. A cidade já sofreu muito com aventuras políticas, com mentiras políticas, com discursos que o candidato que ganhava não poderia cumprir. Eu, em três anos e nove meses que estou à frente da Prefeitura, tudo o que defendi na minha vida como vereador por três mandatos e agora como Prefeito tenho cumprido e, por isso, posso andar com a cabeça erguida pela cidade buscando o voto do eleitor, colocando que não fiz tudo aquilo que gostaria de fazer, mas com certeza, fiz muito mais do que as pessoas achavam que a gente poderia fazer. Nesse sentido estou trabalhando para honrar a confiança que o povo me deu nas eleições de 2008.

Mas o senhor acha que é importante que haja um contraponto nos debates na campanha política?

- Vejo como fundamental que as pessoas que entram nesse processo possam contribuir com ideias e projetos para a cidade. Eu tenho feito isso não só nos debates que tenho participado e nos programas de rádio e de televisão. Anápolis hoje é vitrine para o Brasil, está entre as 10 melhores cidades do País para se investir. Então, nós temos, dentro de um processo eleitoral, termos o debate que seja produtivo para a Cidade. Faço questão de apresentar as melhores ideias, buscar experiências de outros municípios, isso para que a população possa conhecer o que estamos pensando, possa avaliar os projetos e se os mesmos vão de encontro ao que necessita a Cidade.

Da forma como está caminhando o processo eleitoral, o senhor acha que a eleição termina no primeiro turno?

- Essa é uma decisão da população. Quero entender que o trabalho que estamos fazendo, as pessoas conhecem e quero ser avaliado por aquilo que fiz nestes três anos e nove meses de Governo. Coloquei meu nome para a eleição. Se precisar vamos para o segundo turno, não tem problema. O importante é que a população esteja esclarecida dos cinco candidatos que estão disputando, aquele que tem as melhores ideias e as melhores propostas e o melhor fundamento para executar aquilo que está colocando para a sociedade nessa campanha eleitoral.

Numa hipótese de vitória, o senhor faria uma reforma administrativa? Qual a proposta para a engenharia da máquina pública?

- Ainda não penso em relação a isso. Estou terminando e quero terminar bem a minha gestão, que vai até o dia 31 de dezembro de 2012. Quero fechá-la bem. Temos algumas ações importantes, várias obras em andamento como o Parque da Liberdade no final da Avenida Getulino Artiaga; quero ainda concluir cerca de 10 bairros que estão para ser pavimentados como o Anápolis City, estamos terminando os distritos de Goialândia, Sousânia e fazendo, também, o setor Santa Maria, próximo ao Colégio Estadual; estamos entregando creches. E, outra ação extremamente importante: estamos trabalhando junto ao Tribunal de Contas para que as nossas contas de 2011 sejam aprovadas, assim como já tivemos aprovadas as nossas contas de 2009 e de 2010. Então, juntamente com os nossos secretários, nossa equipe, estamos pensando o fechamento dessa gestão. Agora, dentro desse processo eleitoral, caso seja reeleito, ai sim nós vamos fazer algumas modificações. Mas, este é um processo que estaremos pensando posteriormente às eleições.

Nesta campanha, muito se falou sobre as finanças municipais, que Anápolis estaria “nadando” em dinheiro. Mas, há também o lado das demandas públicas que também crescem. Como o senhor vê esta discussão?

- Acho que é uma discussão importante. É óbvio que a cidade cresce, aumenta a receita. Mas, a Prefeitura não tem pé de dinheiro. Nós trabalhamos incessantemente junto às secretarias de Fazenda e de Planejamento para que pudéssemos ter um aumento de receita. Nós implantamos em 2010 a Nota Fiscal Eletrônica e aumentamos a receita do ISS. Trabalhamos o ICMS para aumentar a nossa participação. Quando chegamos, o Índice de Participação dos Municípios nosso estava em quarto e hoje estamos em segundo lugar. Fizemos, ainda, uma nova planta de valores para que pudéssemos dar um valor correto aos imóveis da nossa Cidade. Então, esse é um trabalho de gestão. Temos dado passos importantes para que a receita possa aumentar. Visitamos empresas importantes como é a Ambev, que está duplicando o seu parque industrial. A empresa está investindo 280 milhões de reais em Anápolis, triplicando a produção. Nós temos aí a Hypermarcas ampliando o seu parque industrial; a Teuto, a Roche, a Hyundai aumentando. Portanto, nós temos aí as empresas e a Cidade crescendo, aumentando a sua qualidade de vida. Eu sinto que a receita que temos significa não obter mais recursos financeiros, mas, significa fazer com a população sinta que a Prefeitura devolve os impostos em obras e investimentos. Basta ver os parques ambientais; tivemos 83 bairros asfaltados, estamos construindo 14 creches, sendo oito já entregues; nós reformamos mais de 28 postos de saúde; estamos construindo um novo hospital na Vila Esperança; fizemos um Cais Mulher; fizemos um viaduto. Ou seja, a receita do Município é revertida para a qualidade de vida do cidadão e nós percebemos nessa campanha, no contato com os eleitores, que todos reconhecem os investimentos. Não adianta nada ter um Município que tenha uma receita alta se não tem uma gestão. E a cidade foi penalizada em gestões anteriores onde, mesmo tendo receita, o Prefeito sequer dava conta de pagar folha de salários dos aposentados e dos servidores efetivos. Nós não. Fizemos um planejamento e estamos fazendo com que a receita, que trabalhamos para que ela aumente, possa ser devolvida à população em termos de investimentos.

Em relação à saúde que tem sido um verdadeiro “calcanhar de Aquiles” para os governantes anapolinos. O senhor vê este setor ainda como um grande desafio para o próximo Prefeito? O que fazer para melhorar o atendimento?

- Nós temos a saúde como uma prioridade desde o primeiro ano da nossa Administração. O nosso Orçamento, a maior dotação é para as áreas de saúde e de educação, porque precisam estar colocando em posição estratégica no Município. Não tenho dúvida de que, sendo reeleito, as prioridades à saúde e à educação serão dadas. Hoje nós temos um trabalho intenso melhorando e motivando os nossos professores com relação a salários e motivação para que eles possam dar bem as suas aulas, mas também temos motivado os alunos. Estamos trabalhando para a consolidação de um modelo nosso da escola de tempo integral. Nós temos construídas duas unidades: no Filostro Machado e outra no Calixtópolis. Estamos reformando e ampliando mais 18 escolas em bairros diferentes. E na saúde da mesma forma. Se reeleitos, queremos ampliar o programa Estratégia de Saúde da Família, vamos aumentar as equipes. Já reformamos 28 unidades. Nós queremos dar continuidade ao Programa de Saúde da Mulher, nós construímos o Cais Mulher no Bairro Maracanã e queremos fazer o Hospital Materno Infantil. Queremos levar as academias de saúde para mais 10 diferentes locais da Cidade; fazer com que as pessoas tenham um processo de educação em saúde, onde a nutrição seja uma questão discutida em toda a Cidade, com os programas informando a população sobre medias de prevenção à obesidade, também em relação ao diabetes, a hipertensão. Enfim, desenvolver um amplo trabalho preventivo envolvendo as escolas, as universidades e a comunidade junto aos nossos postos de saúde. Nós temos, então, ações concretas não só daquilo que estamos realizando, mas daquilo que estamos projetando para o caso de um segundo mandato.

Em relação a duas questões importantes para a população, que são os problemas do trânsito e da acessibilidade. Qual são as propostas do senhor para estas áreas?

- São áreas estratégicas. Nós sabemos que uma Cidade que cresce como Anápolis, será realmente um grande desafio para os próximos anos. Anápolis tem tido ações importante dentro das modificações pontuais apontadas nas pesquisas sobre trânsito que temos junto à Engenharia de Tráfego. Fizemos o viaduto numa das áreas mais críticas da Cidade, que era a Praça Oeste até a Presidente Kennedy, que é o acesso à região Norte. Foi um investimento grande, cerca de R$ 10 milhões, mas que surtiu resultado, porque melhorou bastante o trânsito naquela região. Temos outro processo em andamento já adiantado de licitação para contratar uma empresa para fazer o viaduto da Avenida Brasil com a Ana Jacinto que, se Deus quiser, se reeleito, gostaria de dar a ordem de serviço. E temos também o trabalho do Plano de Mobilidade, que é trabalhar a questão do transporte coletivo, criando alguns corredores exclusivos para as linhas de ônibus nas avenidas Pedro Ludovico, Universitária e Brasil Norte. E trabalhar também a questão das ciclovias em algumas áreas e, a partir daí, vamos desenhando uma nova conformação para essa questão da mobilidade, onde, acredito, o mais importante é o pedestre. E essa ideia de ter maior liberação das calçadas e ter um conjunto de esforços para ter mais acessibilidade, temos já feito isso em algumas praças, como é o caso da Praça Bom Jesus. Mas, nós queremos fazer com que os cidadãos tenham mais consciência e reconheça que as calçadas são de fundamental importância para que tenhamos uma Cidade com mais qualidade de vida e com mais acessibilidade. Vamos trabalhar essa questão da padronização das calçadas.

Recentemente, em reunião com empresários, o senhor se posicionou contra a proposta de o Município fazer um novo Daia. Que tipo de apoio a Prefeitura pode dar e qual a proposta do senhor para atração de investimentos?

- Acho que é fundamental procurar os empresários, buscar as indústrias, fazer parceria com o Governo do Estado, que é responsável pela gestão do Distrito Agroindustrial. Então, o fundamental é buscar parceria com os empresários para que os investimentos sejam ampliados, como é o caso que citei da Ambev e de empresas que estão chegando como a Ypê, que já se instalou no Daia, ela fez contatos com a Prefeitura e aqui veio se instalar. Hoje, as pessoas entendem que Anápolis é um grande canteiro de obras, uma grande cidade que, nos próximos anos, estará dentro de um dos três maiores eixos econômicos do País. Então, nós estamos dando qualidade de vida e temos condição de dizer que a população tem uma auto-estima elevada e que a Cidade dá retorno às pessoas que aqui investem. Esse é o nosso papel, o de fazer o dever de casa dando educação, saúde, esporte, lazer, cultura, infraestrutura. O empresário vem, vê o Distrito Agroindustrial, mas tem o prazer de ver uma Cidade que está planejada, que vai no rumo certo. O Daia precisa, sim, ser ampliado, porque a infraestrutura que tem é uma das melhores de todo o Centro-Oeste e nós temos áreas anexadas ao Distrito e o Governador já acenou que irá desapropriar e nós queremos crer que com os incentivos que nós temos, aqui no Município, mantendo, inclusive, os incentivos, dentre eles o do IPTU que não é pago nos cinco primeiros anos, isso são formas concretas de trazer empresas. O papel nosso é de articular politicamente, agora quem é o gestor do Daia, que possa realmente desapropriar as áreas para que possamos fazer a expansão. Ou, então, fazer com que a Plataforma Logística Multimodal saia realmente do papel e nós possamos garantir mais áreas para a implantação de novas empresas.

Na área social, uma preocupação é com relação ao problema das drogas, que não é um problema apenas da Prefeitura. Envolve, também, o Estado na questão da segurança. Qual seria a proposta para este problema?

- Uma primeira coisa é a segurança. Apesar de ser uma prerrogativa do Estado, nós precisamos que o Governo aumente os efetivos tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar e dar condições de trabalho, principalmente, à Polícia Civil. Nós temos feito gestões em relação a isso, para que as condições dos policiais sejam melhores. Nós temos até alugado imóveis para instalar delegacias e, mais do que isso, temos parceria com o Governo do Estado, para ampliar o Banco de Horas da Polícia Militar. Uma ação extremamente importante que foi feita, foi a implantação das câmeras de vídeomonitoramento em locais estratégicos. Nós criamos o Gabinete de Gestão Integrada Municipal, unindo esforços das polícias Militar, Civil, Federal, Polícia Rodoviária Federal, Defesa Civil, Secretaria Municipal de Serviços Sociais, CMTT e outros órgãos e entidades fazendo ações conjuntas, aonde pudemos, dentre outras coisas, identificar onde temos maiores riscos dentro da Cidade. E isso tem ajudado na segurança da população e a fazer com que tenhamos um diagnóstico melhor para diminuirmos a incidência de roubos e crimes. No momento temos 25 câmeras e estamos licitando mais 40. Isso nos dará um conforto ainda maior. Na área de desenvolvimento social, nós desenvolvimentos um trabalho interessante que é o Viva Vida, que é uma casa de recuperação para jovens e adolescentes que estejam num momento mais avançado em relação às drogas. Esse é um trabalho da Prefeitura em convênio com as igrejas, junto à Promotoria e o Juizado da Infância e da Adolescência. Agora é importante criar mais condições, para construir mais dois CRAS, na Jaiara e no Setor Industrial, para garantir a assistência em locais que possam ser de risco.

Nesta reta final da eleição, o senhor muda a estratégia ou fica como está? Qual a sua expectativa para estes últimos dias antes do pleito de sete de outubro?

- Entendo que a campanha tem o seu curso normal e agora ela se afunila. Vamos intensificar as caminhadas que estamos fazendo todos os dias da semana em um setor diferente. As reuniões serão concentradas de forma mais ampla em segmentos ligados à saúde, educação, visita a empresas e também as carreatas. Ou seja, nós queremos mostrar às pessoas a visibilidade da nossa campanha. Mas, mais do que isso, o mais importante foi e é apresentar propostas e projetos no rádio, na televisão e onde nós tivemos a oportunidade de conversar com as pessoas. Espero que possamos fechar a campanha na próxima semana com paz e que o eleitor possa ir votar no dia sete de outubro naquele que entende que é o melhor e está mais bem preparado para administrar a Cidade.

Autor(a): Claudius Brito

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