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Anápolis já registrou mais de 100 homicídios este ano

Violência Comentários 30 de setembro de 2012

De janeiro a setembro o número de homicídios ultrapassou a uma centena no Município. A maioria, segundo a polícia, por conta de rixas e do narcotráfico


Na noite de segunda-feira, 24, estava acontecendo uma festa familiar em um acampamento de ciganos nas proximidades do Vivian Park, região Oeste de Anápolis, quando os vizinhos tiveram a atenção chamada por um tiroteio. As primeiras pessoas a se aproximarem narraram que foi uma troca de tiros entre o ocupante de uma motocicleta e algumas pessoas que estavam na referida festa. Quando a polícia chegou, três homens baleados já haviam sido levados para o Hospital de Urgências. Eram eles Severino Gonçalves da Silva (45 anos), Ronildo Pereira da Silva (sem idade revelada) e Ruberley de Jesus (33 anos). Severino já chegou morto ao Hospital, enquanto que Ronildo recebeu um tiro na perna e estava fora de perigo. Ruberley levou vários tiros e se encontrava em estado grave. Dentro do veículo, um GM modelo Vectra, utilizado para o transporte dos feridos, a Polícia Militar encontrou um revólver Smith And Wesson 09 mm. Muito embora existissem evidências sobre a autoria do delito, as pessoas próximas ao ocorrido não revelaram muita coisa. Soube-se, por terceiros, que se trata de rixas antigas e que os próprios ciganos saberiam quem seria o autor do homicídio e das duas tentativas. Foi o centésimo crime de morte registrado este ano em Anápolis. A Delegacia de Homicídios está levantando dados sobre o atentado que chocou a vizinhança do acampamento cigano.
E, na terça-feira, 25, outro crime chamou a atenção das autoridades policiais. Este aconteceu no Setor Sul e vitimou Fernando Gomes Morais Júnior (22 anos), com algumas passagens pelas delegacias da Cidade. Ele foi encontrado morto minutos após assaltar a estudante Keyla Batista Ferreira (38 anos), que desembarcara de um ônibus do Transporte Coletivo e se dirigia para casa. A mulher narrou aos policiais que Fernando, que era conhecido na região por “Cabeção” e “Pezão”, armado com um facão, a abordou e tomou-lhe a bolsa. Era por volta de 22 horas. Após o roubo, o assaltante saiu em disparada pelas ruas do bairro. Desesperada, ela passou a gritar e clamar por socorro. Segundos depois, ouviram-se vários estampidos de arma de fogo. Ao se aproximarem, as pessoas viram que se tratava de “Cabeção”. Ele levou dois tiros na cabeça e quatro na região torácica. Ao lado de seu corpo caído na rua, estavam a bolsa de Keyla Batista e o facão que ele usara para assaltar a vítima. A Polícia ainda o conduziu para o Hospital de Urgências aonde ele veio a falecer. A morte de “Fernandinho Cabeção” é um mistério, pois não foram reveladas evidências do que teria acontecido. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a autoria do delito, o centésimo primeiro homicídio do ano em Anápolis.

Recorde em assassinatos
De acordo com levantamentos da Polícia Civil, durante todo o ano passado foram registrados 86 crimes de morte em Anápolis. Este ano, até a quinta-feira, 27, somavam-se 101 casos, um recorde histórico, tendo em vista que, pelos cálculos de policiais experientes, este número poderá ultrapassar a casa dos 120 ao final do ano. Um aumento de 50 por cento em relação a 2011. E, conforme se ouve nos meios policiais, estes números poderiam estar “mascarados”, tendo em vista que muitas vítimas de tentativas de homicídio acabam morrendo no hospital e não são computadas, em sua integralidade, como crimes de morte. Os assassinatos, em sua maioria, aconteceram na região urbana, com predominância para os bairros mais próximos do centro. As causas são variadas, indo desde desentendimentos pessoais, como brigas de bar e em festas, até acertos de contas entre gangues rivais, motivadas, principalmente, pela compra e a venda de substâncias tóxicas, a maior parte crack. Um policial civil disse que “a lei do tráfico é fatal. Quem deve ao traficante paga de uma forma ou de outra. Inclusive com a vida”. Para ele, há uma espécie de código entre os frequentadores do mundo das drogas. Quem fica devendo tem de se virar para quitar o débito, sob pena de ser morto. “É assim em qualquer parte o Brasil e do mundo”, justificou o agente.

Problemas estruturais
Embora sem um estudo científico mais aprofundado, sabe-se que a maioria das vítimas (e dos autores) desses crimes está na faixa jovem (16 a 39 anos), predominantemente homens e pertencentes às classes sociais de menor poder aquisitivo; baixa escolaridade, sem profissão definida e envolvida com o tráfico de drogas. Mas, entre os envolvidos (vítimas e autores) existem casos de pessoas bem relacionadas, de boa situação financeira e com grau de cultura acima da média.
Ainda, de acordo com policiais civis e militares, os crimes de homicídio são de difícil prevenção. “Ninguém sabe a hora em que duas ou mais pessoas vão se desentender, brigar e agredir uma à outra. Muito menos se alguém está com intenção de matar outra pessoa por ódio, vingança ou por encomenda”, diz um militar. Para eles, a maioria dos casos é premeditada e acontece em horários e locais atípicos, não sendo possível a polícia evitar. “Quem está disposto a matar outra pessoa planeja tudo, inclusive a fuga”, justificou um delegado. Outra questão levantada é a sensação de impunidade de quem pratica tais delitos. As polícias, de uma maneira geral, não dispõem de efetivo, equipamentos e transporte suficientes para, por exemplo, seguirem pistas dos criminosos que fogem para outras regiões, fazerem perícias aprofundadas como exames de balística, filmagens e fotografias dos locais dos delitos e outros recursos modernos que levam à elucidação dos crimes.

Autor(a): Da Redação

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