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Anápolis enfrenta desafio para atender alta demanda e coibir trotes

Cidade Comentários 25 de janeiro de 2014

Os motociclistas representam 60% dos acidentes de trânsito. Crianças e adultos ligam para a central de atendimento do órgão sem necessidade


Os tipos mais comuns de atendimentos prestados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu) de Anápolis são os clínicos emergênciais e os acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motociclistas. No boletim de estatísticas gerado pelo órgão, outro fator preocupante apontado é o crescente número de trotes.
Até o dia 22 de janeiro, exatos 7.105 atendimentos foram realizados pelo SAMU em Anápolis. Entre esses atendimentos estão, transferências hospitalares; emergências clínicas, adultas e pediátricas; emergências gineco-obstétricas; emergências clínicas psiquiátricas; traumas; acidentes de trânsito, entre outros. Viaturas foram enviadas 880 vezes para prestar atendimentos clínicos emergenciais, em que as pessoas apresentavam complicações cardíacas, respiratórias ou devido alguma doença, e 201 vezes para socorrer vítimas de acidentes de trânsito, dos quais, cerca de 60% envolviam motocicletas.
De acordo com o diretor do SAMU de Anápolis, Sérgio Marques, os maiores desafios enfrentados hoje pelo órgão são referentes aos acidentes de trânsito e a violência. Ele explica que o crescimento acelerado da cidade provoca um aumento constante no número de acidentados devido às imprudências no trânsito, em sua maioria envolvendo motociclistas, e a violência. “Praticamente todos os dias socorremos motociclistas acidentados e vítimas de arma de fogo e arma branca. As ocorrências com pessoas baleadas ou esfaqueadas acontecem mais ainda nos finais de semana. Acredito que isso se deve principalmente pelo número de usuários de crack na cidade que aumentou muito e consequentemente a violência também. Então, tanto o Samu quanto o Corpo de Bombeiros estão trabalhando com uma quantidade de ocorrências muito acima de suas capacidades”, disse.
Além disso, o Samu de Anápolis registrou, neste mesmo período, 285 trotes. O número corresponde a 4% dos atendimentos realizados. Parece pouco, mas é preciso olhar pelo aspecto de que enquanto o médico regulador atendia essa falsa chamada, outras pessoas com necessidades reais e emergenciais encontraram a linha ocupada. Mais ainda, se nessas situações viaturas fossem enviadas, pessoas com agravos reais poderiam ficar na espera pelo resgate.
Marques chama a atenção para os trotes e o mau uso do serviço. Segundo ele, na maioria dos casos são crianças que passam trotes, mas existem ocorridos em que a equipe que trabalha na central de regulação recebeu falsas informações e até mesmo ameaças de adultos. “Já tivemos pessoas se identificando como policial militar e exigindo uma ambulância ou ia mandar prender todo mundo e até casos em que a pessoa que ligou deu tantos detalhes que pareciam concretos que chegamos a enviar a viatura, mas quando a equipe chegou no local não havia ninguém”. Outra dificuldade apontada por Marques é o entendimento das pessoas em relação ao que realmente é urgência (em que há risco eminente de morte), e ficam irritadas quando o médico regulador não envia a ambulância. “Muitas pessoas tratam o Samu como um serviço de transporte que leva as pessoas aos hospitais e na verdade é muito mais que isso. É uma forma de salvar vidas”.

Autor(a): Wanessa Mereb

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