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Anápolis consolida vocação logística

Economia Comentários 16 de julho de 2011

Acompanhando uma tendência histórica, Anápolis, com reduzida extensão territorial, se torna o mais importante eixo distribuidor de bens e serviços para todo o Centro Oeste


Mesmo antes de seu surgimento oficial, fins do Século XIX, Anápolis já demonstrava uma intensa vocação para a logística. Era por seu território que passavam, às dezenas, tropas carregadas de café; feijão; medicamentos; arroz; couro, carne salgada e outros produtos. Estas tropas retornavam trazendo sal, ferramentas, querosene, tecidos e outros importantes artigos para a comercialização junto aos fazendeiros e agregados que já eram em grande número. O destino era, preferencialmente, cidades como Jaraguá; Silvânia; Corumbá de Goiás, Pirenópolis e outras mais distantes, como Pilar de Goiás; Cidade de Goiás, Rio Verde e vários outros, onde a principal atividade era o garimpo de ouro e demais pedras preciosas. Depois das tropas vieram os carros de boi que, durante algumas décadas foram utilizados, agora, com cargas maiores, tendo em vista o aumento do público consumidor. As mercadorias, também, se diversificavam. Todavia, o ponto de convergência era, sempre, Anápolis, lugarejo que cresceu rapidamente e passou a ser o local de moradia para médios e grandes comerciantes das mais variadas tendências.
Com a evolução natural, o Governo da República entendeu que seria importante inserir Anápolis na chamada “Marcha Para o Oeste”, iniciativa do Governo Vargas, no final dos anos 30 e início dos anos 40. E, assim se fez. Dentro da ideia desta marcha, acoplou-se a Estrada de Ferro Goiaz, que, definitivamente, colocou o Estado entre as unidades mais respeitadas na Federação, devido ao alto índice de produtividade primária, cereais, carne e café, principalmente. O trem de ferro trazia, e levava, grandes tonelagens de produtos, o que provocou o crescimento econômico de toda a região. Com a construção de Goiânia, obra de Pedro Ludovico Teixeira, no início dos anos 40, Anápolis, mais uma vez, se destacou na política logística, fornecendo o material de cerâmica (tijolos, telhas, manilhas, etc.), alimentos e mão de obra. A Cidade estava, estrategicamente localizada a pouco mais de 50 quilômetros do grande canteiro de obras. E, para consolidar Anápolis como importante região distribuidora de bens e serviços, veio, depois, a construção de Brasília, que teve no Município o principal ponto para o depósito e a distribuição do material que vinha via estrada de ferro e era levado por caminhões, assim como a abertura da Rodovia Belém Brasília, interligando o “Mato Grosso Goiano” com o Norte/Nordeste do País, principalmente os estados do Maranhão e Pará, os maiores consumidores e os maiores clientes dos atacadistas que tinham suas empresas sediadas em Anápolis. Nos anos 60, 70 e 80, fervilhavam na Cidade as empresas atacadistas e as transportadoras, com centenas de caminhões chegando e saindo diuturnamente visando atender às comunidades que se formaram ao longo da Belém Brasília. Foi a redenção econômica de Anápolis à época. A cidade explodiu em crescimento. Tanto foi assim que, logo nasceu a ideia de se criar um setor somente para abrigar as indústrias. Nascia, então, o Distrito Agro Industrial de Anápolis, o mais completo do Centro Oeste.

Consolidação
Anápolis se consolidou como centro de logística para o Brasil, com o somatório desse e de outros fatores agregados, tendo em vista a facilidade de acesso para todos os cantos do País. A 120 quilômetros da Capital da República e a 50 quilômetros da Capital do Estado, a Cidade servia como parâmetro e como fonte geradora de uma série de serviços e produtos que interessavam, diretamente, aos governos Estadual e Federal. Assim sendo, diante dessa importância, cuidou-se da programação de investimentos de grande monta, melhorando-se as rodovias federais e estaduais, bem como, dotando o Município de uma série de projetos oficiais, visando facilitar o deslocamento de cargas nas mais diferentes dimensões.
Vieram, em seguida, órgãos importantes como uma representação da Receita Federal, cuidando do controle tributário de interesse da União, assim como facilitando o comércio exterior, uma delegacia da Receita Estadual, para o acompanhamento legal das movimentações econômico/financeiras e outros aparelhos fundamentais para facilitarem a implantação de novos empreendimentos comerciais e, principalmente, industriais. Em pouco tempo, Anápolis se apresentou como uma importante região para se viabilizar os comércios nos mais diferentes aspectos.

Modernidade
Com o avanço observado a partir da chegada de grandes empresas para o Distrito Agro Industrial, os governos do Estado e da União sentiram a necessidade de olharem com mais interesse para o que ocorria no Município. O comércio exterior era uma realidade e necessitava de uma logística mais eficiente. Surgiu, então, a Estação Aduaneira de Interior (Porto Seco Centro Oeste), que dividiu a história desse tipo de atividade econômica. Com o Porto Seco, Anápolis passou a viver outra realidade. O nome do Município atravessou fronteiras nacionais e internacionais, devido à facilitação que ele veio oferecer nas atividades empresarias, tanto de importação, quanto de exportação.
Não seria mais necessário, por exemplo, que o empresariado local recorresse a outras cidades e a outros estados para o desembaraço de mercadorias. Tudo passou a ser feito em Anápolis, com a qualidade e a eficiência dos chamados grandes centros. Isto proporcionou a remissão de tempo e de dinheiro, além de representar um substancial reforço na economia de Goiás e de Anápolis, via tributos gerados a partir do Porto Seco.
E, com o sucesso do Porto, nasceu a proposta de se instalar na região a Plataforma Logística Multimodal, o que está em franca implantação. Em pouco tempo, a semente plantada pelo Porto Seco Centro Oeste vai germinar o mais importante complexo distribuidor de cargas e serviços de todo o Brasil Central. Sem contar que será implantada, em curto prazo, uma unidade para receber produtos industrializados na Zona Franca de Manaus. O entreposto de Anápolis atenderá a comunidades em um raio de mil quilômetros, barateando os custos e diminuindo o tempo para as entregas. A conexão das ferrovias Centro/Sul (já em operação) e Norte Sul, cujas obras se acham em andamento, vai possibilitar a interligação Norte/Centro/Leste e Sul do Brasil, formando uma malha que terá pontos finais nos portos de Itaqui, no Maranhão; Santos, em São Paulo Vitória, no Espírito Santo e outros importantes setores de embarque e desembarque de altas tonelagens. Sem contar que, está sendo viabilizado o projeto para a construção do Aeroporto de Cargas, concluindo o tripé econômico pelos sistemas rodoviário, aéreo e ferroviário. Com isso, Anápolis vai se transformar em um importante e estratégico território para a logística econômica nacional.

Crescimento
O Município de Anápolis tem uma sólida produção de alimentos industrializados; medicamentos (com destaque para os genéricos); bebidas, frigoríficos de aves e de bovinos, além de outros componentes da pauta de exportação nacional. A isto, se agregam as produções de municípios da sua região de influência, como Barro Alto; Figueirópolis, São Luiz do Norte; Crixás e outros, onde prosperam grandes empresas mineradoras, assim como a indústria sucroalcooleira que mantém um crescimento surpreendente. A maior parte desta produção passa a ser escoada a partir de Anápolis, tanto pelo Porto Seco Centro Oeste, quanto por outras empresas que estão a caminho para se instalarem na Plataforma Multimodal. Com isso, Anápolis que já está em vias de ser a comunidade com o maior volume de geração de ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) no Estado de Goiás, dentro de pouco tempo, ruma para se constituir no mais avançado projeto logístico do Centro Oeste, fundamental para a proposta de interiorização da economia nacional. Isto em curto prazo.

Autor(a): Nilton Pereira

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