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Anápolis, Capital goiana do conhecimento

Educação Comentários 22 de junho de 2012

Além do destaque na produção industrial e de um comércio altamente desenvolvido, o Município passou a se destacar, também, como grande centro universitário, o terceiro maior da região, ficando atrás, somente, de Brasília e Goiânia


Farmácia; Engenharia Civil; Direito; Medicina; Administração, Letras. Esses são alguns dos muitos cursos que as universidades (e faculdades) sediadas em Anápolis oferecem a milhares de estudantes originários dos mais diferentes pontos do Brasil. As três maiores delas são a UEG (Universidade Estadual de Goiás), a UniEvangélica e a Faculdade Anhanguera. A primeira da rede pública e, as outras, da rede privada, respectivamente. Isto garante a situação do Município como um dos mais avançados, em termos nacionais, quanto à educação superior. São poucas as cidades brasileiras do porte de Anápolis com tamanho leque de alternativas para o ensino universitário.
A UEG, em suas duas sedes (campus na BR 060 e Avenida JK), tem cerca de 20 cursos, dentre eles, Engenharia Agrícola; Física; Geografia; História; Pedagogia e Química Industrial. A UniEvagélica conta com aproximadamente 30 cursos, como Agronomia; Ciências Biológicas; Medicina; Direito; Odontologia; Sistemas de Informação, além de diversos cursos superiores na área de tecnologia. A Faculdade Anhanguera oferece, praticamente, o mesmo número de cursos, com destaque para Engenharia Elétrica; Publicidade e Propaganda; Veterinária, Psicologia e outros.
Hoje, Anápolis conta com nove instituições que oferecem cursos em nível superior. Somente as três universidades, juntas, somam cerca de mais de 20 mil graduandos, isso sem contar as demais faculdades, como Católica; Raízes; Fibra; Fama; IFG, etc. O perfil dos estudantes que chegam ao ensino superior no Brasil ainda reflete a demanda reprimida que o País não foi capaz de atender durante alguns anos. O universitário brasileiro é mais velho que a faixa etária ideal (entre 18 e 24 anos), trabalha e tem renda familiar mensal de, até, dez salários mínimos.
Segundo dados do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa, o aumento de 61,9% no número de ingressos às universidades entre 2000 e 2006 esteve ligado à faixa etária dos 25 aos 29 anos. No ano 2000, essa faixa representava 15,9% dos novos estudantes. Em 2006, eram 18,7% do total. Os ingressantes da considerada faixa adulta, acima dos 25 anos, passaram de 35,81% no ano 2000 para 39,73% em 2006.
O retardo de ingresso no sistema é por que foram para o mercado de trabalho mais cedo; quando voltam a estudar, os novos alunos não largam o emprego. O questionário socioeconômico realizado pelo Inep durante a aplicação do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) revela que 53,7% tanto dos que entram como dos que concluem o ensino superior, trabalham ou já trabalharam em tempo integral. Em 2004, esse índice era de 25%.
Outro dado que, também, influencia o perfil dos alunos que chegam à graduação é o aumento da participação da rede privada no setor. Em 1997, das 1.945.615 matrículas, 60,98% estavam na rede particular. Dez anos depois, esse índice subiu para 74,14%.
Os estudantes universitários das instituições públicas e particulares têm perfis distintos. De acordo com o Censo 2006, 63% dos alunos das públicas estudam durante o dia e freqüentam a instituição em alguma capital do País. Nas particulares, 69,2% estudam à noite e a maior parte das matrículas está em cidades do interior, assim como, no caso das instituições municipais. O único tipo de instituição que mantém predominância de matrículas na capital é o das universidades federais, com 67% dos alunos em grandes cidades.
Do total de alunos, mais de 53% estudam em universidades, seguidos por 30,8% em faculdades integradas e 15,6% em centros universitários.
Apesar de mais democrático, o ensino superior brasileiro ainda não conseguiu atingir, de maneira significativa, as classes C e D. Entretanto, de acordo com as estatísticas dos últimos anos, o número de profissionais com diploma cresceu, em se comparado as últimas décadas. E fazem parte desse levantamento - apesar de as classes mais baixas não terem atingido números como os que ainda são esperados - pessoas das mais variadas realidades socioeconômicas, inclusive dos municípios que carecem de universidades, tendo como alternativa, e necessidade, a busca pelas cidades mais próximas que oferecem opções em educação superior. É o caso da Mônica Cristina de Paula, 21, aluna do 5° período do Curso de Direito da UniEvangélica, que todos os dias percorre mais de 120 quilômetros de ida e volta para estudar. "Moro em Silvânia, e todos os dias saio de casa às cinco e meia da tarde pra chegar à faculdade às sete. E, no retorno não é diferente. Volto às dez e meia e à meia-noite chego em casa", conta a acadêmica.
E é por essa rotina que milhares de universitários, das mais diversificadas cidades do entorno de Anápolis, passam todos os dias. Isso justifica a profissão que há mais de vinte anos Seu Daeli Santos, 48, exerce, como motorista de transporte de alunos. "Trago por volta de 46 alunos, de Alexânia para Anápolis todos os dias", conta Daeli, mais conhecido por 'Gaúcho'. Situação pela qual outros motoristas, dos mais de dez ônibus estacionados diariamente ao redor da UniEvangélica, compartilham.
Mesmo diante do sacrifício, tanto em relação ao tempo, quanto ao dinheiro, Mônica, que representa essa classe estudantil, garante valer a pena. "Apesar do desgaste, e dos riscos na estrada, estou feliz e não me vejo fazendo outro curso. Minha meta é ser advogada!", afirma.
Não é possível calcular um número exato da quantidade de alunos do ensino superior oriundos de outras localidades que compõe a grade universitária em Anápolis, justamente pela demanda que, a cada semestre, alcança essas unidades. Em 2008 vinham de Goianésia para Anápolis cerca de 90 alunos divididos em dois ônibus. Nos últimos quatro anos esse número cresceu e, hoje, são mais de 250 alunos trazidos em cinco ônibus.
Mercado imobiliário
Dentro desse quadro de migração, e da necessidade de um diploma perante a concorrência no mercado profissional, Anápolis é vista como cenário de crescimento, tanto no setor econômico, como no setor imobiliário, pois muitos desses estudantes mudam de suas cidades para quitinetes ou apartamentos construídos na região especificamente para abrigar esse tipo de inquilino, fazendo, até, com que a procura seja maior do que a demanda.
Não é difícil encontrar sites de oferta e procura de pequenos imóveis, para a chamada população flutuante, formada por esses estudantes de outras cidades que vêm morar em Anápolis e, por consequência, compram ou alugam em geral os pequenos aposentos. O aluguel destes é encontrado por 500 reais em média, o que tem sido um bom negócio para os proprietários. Para tirar a prova disso, basta dar uma volta pelas regiões próximas, especialmente, aos Câmpus da UEG e da UniEvangélica que, há pouco tempo, eram formadas por terrenos baldios, ermos e hostis, com muito mato e os famosos brejos. Hoje, exibem edifícios com centenas de apartamentos e similares, destinados, quase que exclusivamente, aos estudantes universitários.
Da mesma forma, como não é difícil encontrar esses sites especializados em oferta e procura de pequenos imóveis, o mesmo acontece com os sites de aluguel de quartos, onde alunos que já residem na Cidade por conta de seus estudos, oferecem vagas para companheiros de quarto, ou seja, outros alunos vindos de cidades vizinhas que estejam à procura de um local para morar. Nesse caso os valores são mais razoáveis, pois os locatários buscam dividir o valor das despesas, inclusive do aluguel, fazendo com que os gastos caiam pela metade se comparados ao aluguel das quitinetes. Em média, os alunos que aderem a essas vagas pagam 230 reais. A influência desta população flutuante formada pro universitários é percebida, também, no comércio lojista em geral. Eles são clientes de shoppings, livrarias, supermercados, etc., representando uma boa injeção de recursos na economia de Anápolis.
Murilo Sanches, 22, estudante de Engenharia Civil na UEG, convive com um grande número de colegas advindos de outras localidades. "O número de alunos procedentes de outras cidades é bem grande. Na realidade do ensino público a gente vê isso de forma bem nítida, porque uma vez que se há vagas gratuitas para o ensino superior, o número de estudantes a fim de preenchê-las, logicamente, é maior. E, em todos os lugares tem gente bem preparada e disposta a ir a estas localidades. O que é, também, o caso da nossa universidade", opina Murilo.


Saiba qual é a diferença entre universidades, centros universitários e faculdades
Existem três tipos de instituições de ensino superior no Brasil: as universidades, os centros universitários e as faculdades. Veja qual a diferença na prática
Universidade - As universidades devem oferecer, obrigatoriamente, atividades de ensino, de pesquisa e de extensão (serviços ou atendimentos à comunidade) em várias áreas do saber. Elas têm autonomia e podem criar cursos sem pedirem permissão ao MEC. As federais são criadas, somente, por lei, com aprovação do Congresso Nacional. As particulares podem surgir a partir de outras instituições como centros universitários.
Centro universitário - Os centros universitários, assim como as universidades, têm graduações em vários campos do saber e autonomia para criar cursos no ensino superior. Em geral, são menores do que as universidades e têm menos exigência de programas de pós-graduação.
Faculdade - As faculdades são instituições de ensino superior que atuam em um número pequeno de áreas do saber. Muitas vezes, são especializadas e oferecem apenas cursos na área de saúde ou de economia e administração, por exemplo. Outra diferença para os centros universitários e universidades é que quando uma faculdade pretende lançar um curso, ela tem de pedir a autorização do Ministério da Educação.
Fonte: site do MEC

TÍTULO: Perfil dos universitários brasileiros
39,73% dos alunos que entram no ensino superior têm mais de 25 anos.
53,6% estudam em universidades.
As mulheres passaram à frente dos homens no ensino superior. 55,7% do total de estudantes são do sexo feminino.
Os universitários trabalham cada vez mais. Em 2004, 25% declararam trabalhar ou já ter trabalhado em tempo integral. Em 2006 esse índice era de 53,7%.
87% das famílias dos alunos das instituições públicas estão na classe C ou acima.
A renda familiar mensal de 73% dos estudantes do ensino superior não ultrapassa a dez salários mínimos. Em 2004, o índice era de 69,5%. Esta média é mantida, com poucas variações até hoje.
No ensino a distância, 39% trabalham e ajudam a sustentar a família e 43% têm renda familiar de até três salários mínimos.
Fonte: http://www.universitario.com.br

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Em busca de um sonho

Conheça a história de Regiane Arantes, 19, que convive com a distância dos familiares e da cidade onde foi criada para realizar seu sonho

"Minha mãe e eu morávamos na cidade enquanto meu pai ficava na fazenda. Todos os finais de semana nossa rotina era a mesma: ir fazer companhia para meu pai. Mas, com o falecimento da minha mãe, há um ano e meio, estava achando difícil morar no mesmo lugar e ficar me lembrando, a todo tempo, dos bons momentos que passei ali naquela casa com a presença dela. Como eu já vinha de Silvânia para estudar em Anápolis todos os dias numa van, achando desgastante toda aquela rotina de levantar muito cedo e chegar em casa bem mais tarde, decidi me mudar para cá. Dedico-me, inteiramente, aos estudos e, por isso, me mantenho aqui com o aluguel da casa onde morava em Silvânia. A faculdade, meu pai paga, e sempre que é possível vou visitá-lo, pois abaixo de Deus, minha família é meu maior bem. Na faculdade fiz muitas amizades, que inclusive são minhas companhias no dia-a-dia, sabendo das minhas condições aqui, mas a saudade de casa é grande! Quando me lembro de lá, tenho vontade de chorar. Fui muito feliz ali, e após o falecimento da minha mãe as coisas mudaram, mas o desejo de me formar tem me dado muita força e motivação. Desde pequena, me lembro como se fosse hoje, quando tinha por volta dos cinco anos de idade e, nem sabia falar as palavras corretamente, as pessoas perguntavam o que eu queria ser quando crescesse e eu respondia "Quero ser 'devogada'". Quando terminei o ensino médio já tinha em mente que queria fazer o curso de Direito. Eu busco viver e agradecer a Deus pelo hoje, mas faz parte dos meus planos para o futuro realizar esse sonho, o de advogar."

LEGENDA: Na década de 90 se deu a criação da UEG, antes Uniana, que veio para somar a outras instituições de ensino existentes, com o intuito de formar mão-de-obra especializada para suprir as demandas do crescimento industrial e de outros segmentos da economia

LEGENDA: Com as atividades iniciadas em 2002, a Faculdade Anhanguera de Anápolis é mantida pela Anhanguera Educacional Ltda. Atualmente a instituição tem em torno de 10 mil alunos

LEGENDA: A instituição passou a se chamar Centro Universitário de Anápolis (UniEVANGÉLICA) a partir de março de 2004, quando se credenciou como centro universitário, o primeiro de Goiás. Ela atrai alunos de cidades vizinhas, destacando-se entre as principais, Goiânia; Goianésia; Jaraguá; Pirenópolis; Alexânia; Nerópolis; Vianópolis; Silvânia, Ceres e Abadiânia.

Autor(a): Carol Evangelista

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