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Anapolino despreza a força do voto

Política Comentários 19 de julho de 2013

Todos os 41 deputados estaduais eleitos para a atual legislatura contaram com votos dos anapolinos para chegarem ao poder. Mas, a Cidade elegeu apenas dois representantes


Os números não mentem e a eleição de 2010 para Deputado Estadual mostra que o eleitor anapolino poderia, no mínimo, valorizar mais a sua arma de fortalecimento da sua representação no Poder Legislativo Estadual: o voto. Afinal, em tempos outros o Município já chegou a ter quatro deputados estaduais, quando as suas demandas eram muito menores. Hoje, terceiro maior colégio eleitoral de Goiás (241.871 aptos ao voto em 2012) e a terceira maior população do Estado (342.347 habitantes, segundo estimativa de 2012 do IBGE), Anápolis ressente da falta de uma representação numérica mais condizente com a sua importância política, econômica e social.
Mas, vejamos os números que reforçam a tese de que os votos podem - e devem - ser mais bem aproveitados, caso o eleitor julgue ser necessário fortalecer a representação de Anápolis na Assembleia Legislativa. Na eleição de 2010, o total de candidatos a deputado estadual somou 645. Destes, 441 tiveram votos em Anápolis. Os votos nominais somaram 156.521, de acordo com levantamento feito pelo CONTEXTO, com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dos 156.521 votos nominais, 48.331 (30,87%) foram dados para os candidatos que foram eleitos para o cargo. E, diga-se de passagem, todos os 41 deputados da atual legislatura contaram com votos dos anapolinos para se elegerem. Os dois deputados que efetivamente têm sua base política em Anápolis, obtiveram, juntos, 31.250 votos nominais (19,96%), sendo 15.474 votos para Carlos Antônio (PSC) e 15.776 para José de Lima (PDT). Retirando-se os votos dados aos deputados anapolinos, os demais parlamentares eleitos somaram 17.081 votos (10,91%). Destes, cinco deputados, apenas, arregimentaram 9.427 votos nominais (6,02%), são eles: Major Araújo - PRB (2.553); Fábio Sousa - PSDB (2.190); Túlio Isac - PSDB (1.646); Daniel Messac - PSDB (1.570) e Henrique Arantes - PTB (1.468). E, finalmente, nada menos do que 108.190 votos nominais (69,12%) foram dadas aos candidatos que, ou ficaram na suplência, ou não foram eleitos.
Em levantamento feito no ano de 2010, a reportagem do CONTEXTO apurou que havia 37 candidatos, entre os mais de 640 concorrentes, que tinham alguma ligação com o Município. Embora fosse uma quantidade razoável, muitos desses nomes tinham densidade eleitoral muito baixa, alguns eram “marinheiros de primeira viagem”, em se tratando de disputa de votos.
O que se tira na leitura dos números da eleição passada, é que Anápolis teria condições de chegar a quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, até com certa tranquilidade. Entretanto, as razões de os votos serem tão pulverizados, a ponto de reduzir essa representação a dois parlamentares, tornam-se insignificantes, não só pelo que a Cidade tem em número de eleitores, mas, sobretudo, pela sua história política.
O que se espera é que, na eleição do ano que vem, os partidos políticos elaborem boas estratégias para tentarem evitar a fuga de votos e para estimularem o eleitor a fazer a sua parte, dando os votos que Anápolis precisa para ter uma representação política forte, numérica e qualitativamente. Evidente que sempre vai haver candidatos de fora buscando votos daqui, assim como os candidatos de Anápolis não devem, também, se intimidar em buscar votos nas localidades onde o Município exerce influência. Tudo depende de um bom planejamento. Não há mais lugar para amadorismos na política e, numa eleição regional, é preciso não apenas ter bons nomes, mas boas estratégias para vencer.

Autor(a): Claudius Brito

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