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Ameaças rondam o crescimento industrial de Goiás

Economia Comentários 28 de maro de 2013

Uma das principais lideranças do setor produtivo goiano, o empresário Ubiratan da Silva Lopes preside a Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Estado de Goiás (FACIEG) - entidade que congrega 80 associações e tem lugar no Fórum Empresarial do Estado - e a Regional da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIE). Na entrevista que segue, Ubiratan Lopes fez um alerta em relação a algumas questões que podem prejudicar a rota de crescimento da economia goiana e, especificamente, a de Anápolis. Dentre as questões levantadas estão a uniformização das alíquotas do ICMS, a expansão do Distrito Agro Industrial e, a mais recente preocupação dos empresariado do DAIA, com relação à qualidade e a falta de manutenção e de ampliação da rede de transmissão e da subestação de energia elétrica.


O Senado deve votar no próximo mês, uma proposta para unificar as alíquotas do ICMS, com o objetivo de acabar com a chamada Guerra Fiscal. Como o senhor analisa essa questão? Goiás poderá ter prejuízo?
Ubiratan - Nós temos discutido muito essa questão e os empresários estão realmente preocupados. Há, hoje, uma proposta para que as alíquotas interestaduais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sejam unificadas em 4%, de forma gradual, em 12 anos, a partir já do ano que vem. E, temos uma proposta defendida pelos estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste de que haja duas alíquotas, de 7% e 4%, com período de transição de 10 anos. E há, ainda, uma proposta para se criar um fundo de compensação para os estados que serão prejudicados com a unificação de alíquota, como é o caso de Goiás.

- E qual seria, em sua opinião, a maior perda que Goiás sofreria com essa unificação do ICMS?
Ubiratan - A nossa preocupação maior é que o Estado de Goiás possa perder competitividade para atrair investimentos e, consequentemente, perder geração de emprego e de renda para a sua população. Creio que esta será uma grande perda. Goiás vem de um histórico de crescimento fantástico do seu PIB (Produto Interno Bruto), que saltou de 21 bilhões em 2000 para mais de 97 bilhões em 2010 e com projeções de chegar de 112 a 115 bilhões em 2012. Então, tudo isso nos traz grande preocupação, porque a unificação de alíquotas pode, sim, trazer prejuízos a Goiás. E tem, ainda, o fato de que a questão pode ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal. É importante também a gente observar que Goiás poderá não apenas ser prejudicada na política de atração de investimentos, mas também afetar os projetos de expansão dos empreendimentos existentes. É uma situação realmente preocupante. O Estado de Goiás perde, a população perde.

- Quanto à industrialização de Anápolis, a expansão do Distrito Agro Industrial tem sido uma preocupação recorrente. Para o senhor, que tem acompanhado esse processo, como está o andamento?
Ubiratan - O Governo do Estado se comprometeu que até o final do mês que vem vai desapropriar o terreno para fazer a expansão do DAIA, o que nós achamos que já deveria ter ocorrido. Também, sinalizou a licitação para o Centro de Convenções e a Plataforma Logística Multimodal. Juntamente com a obra do Aeroporto de Cargas, nós temos quatro projetos estratégicos que vão, efetivamente, colocar Anápolis no mapa logístico do Brasil. Mais do que isso, o Município estará inserido num novo rol de oportunidades para negócios no mercado de logística e de serviços no segmento de realização de eventos. Isso vai trazer repercussão na economia local. Mas, estes projetos não são de Anápolis, eles são de Goiás. Embora estejam sediados aqui, os impactos da Plataforma, do Aeroporto e do próprio Centro de Convenções vão contribuir muito para o crescimento econômico de Goiás e serão atrativos para atrair investimentos.

Ainda em relação ao Distrito Agro Industrial de Anápolis, há, também, outros “gargalos”?
Ubiratan - Nós temos, ultimamente, recebido reclamações de empresários em relação à questão energia. O que ocorre e não é só em Anápolis, mas também em outros distritos, é a falta de manutenção e de ampliação e modernização dos sistemas de transmissão e das subestações. Ou seja, hoje, no Daia, nós não temos uma energia de qualidade, ela oscila muito e isso é ruim para as indústrias e temos uma grande demanda de empresas em processo de expansão, para citar algumas a Carta Goiás, a Caoa e o Laboratório Gênix. Essas empresas até se prontificaram em fazer parceria com a Celg, com o intuito de resolver o problema de forma mais rápida possível.

- Como está hoje a gestão do senhor à frente da FACIEG?
Ubiratan Lopes - Assumi, recentemente, a presidência Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Estado de Goiás, embora já de algum tempo tenha militado na entidade com outros companheiros anapolinos, dentre eles o Luiz Medeiros, Ridoval Chiareloto e o saudoso Deocleciano Moreira Alves, que fez um excepcional trabalho e deixou um grande legado à nossa entidade. Temos avançado com os serviços oferecidos às associações, como o de Certificação Digital, o SCPC e a Rede Celular, este último, uma parceria nossa com a Tempo Telecon que foi apresentada como case de sucesso num evento com empresários de todo o País realizado pela Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB). Temos feito melhorias significativas na nossa estrutura física para ofertar esses serviços e para atender bem as associações e receber as autoridades em nossas reuniões e, principalmente, temos trabalhado para fazer uma gestão próxima das associações. Temos percorrido o Estado participando de atividades das entidades e temos buscado a participação efetiva das associações nas nossas ações. Temos também desenvolvido um trabalho muito positivo junto ao SEBRAE Goiás, onde a nossa entidade tem assento no Conselho Estadual, como temos também no Fórum Empresarial de Goiás e, recentemente, tive a honra de ser indicado para compor o Conselho Fiscal da CACB, convite este que veio em reconhecimento, segundo o presidente da entidade, do trabalho que estamos desenvolvendo na FACIEG.

- Na última reunião da Federação, um das questões debatidas foi o projeto de implantação de um distrito industrial em Goiânia. Qual a posição da entidade a esse respeito?
Ubiratan - Nós tivemos, nessa reunião, quase 50 presidentes e representantes de associações, dentre eles, 10 ou 12 que são secretários ligados à área de indústria e comércio em seus municípios; tivemos também a presença do Prefeito de Pontalina, Milton Ricardo e do presidente da Goiasindustrial, Ridoval Chiareloto. Todas as manifestações que recebemos foram contrárias, porque Goiânia já tem perfil administrativo e pelos atrativos que já tem por ser uma capital, seria uma concorrência desleal com o interior. Hoje, nós temos é que construir uma política para minimizar as desigualdades regionais. A criação de um distrito industrial em Goiânia vai na contramão dessa política. Portanto, somos contrários a esse projeto.

Autor(a): Claudius Brito

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