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Alcoolismo: O grande mal da sociedade através dos tempos

Geral Comentários 18 de outubro de 2013

Embora a comercialização seja legal, o álcool provoca mais danos à saúde do que qualquer outra droga


O consumo de álcool remonta a séculos em todo o mundo. Ele se mostra às sociedades em geral nas mais diferentes formas, dependendo da região, da cultura e da história de um povo. No Brasil, a indústria de bebidas alcoólicas é uma da mais prósperas. Em contrapartida, os gastos do Governo com o tratamento do alcoolismo e seus desdobramentos são estratosféricos. Soma-se a isto, os estragos sociais e familiares que ele provoca em dimensões incalculáveis. Enfermidades variadas; desemprego; desajustes sociais; acidentes de trânsito, crimes contra a pessoa e baixa produtividade profissional são alguns dos efeitos negativos que o álcool causa nas sociedades.
A Medicina descreve o alcoolismo como “uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada”. Estima-se que de 10 a 18 por cento da população brasileira já desenvolveram, ou, estejam desenvolvendo o alcoolismo. Sem desprezar a importância do ambiente no alcoolismo, há evidências claras de que alguns fatores genéticos aumentam o risco de contrair a doença. O alcoolismo tende a ocorrer com mais frequência em certas famílias, entre gêmeos idênticos (univitelinos) e, mesmo, em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por famílias de pessoas que não bebem.
Outro dado importante é de que nos crimes contra a vida, o álcool está presente em 80 por cento das ocorrências e, nos acidentes de trânsito, a incidência é próxima disso. Nos casos de desajustes familiares, como espancamentos, agressões e ameaças, os números oficiais apontam que o principal fator determinante é o álcool ingerido de forma desproporcional e irresponsável.

Efeitos na saúde
O médico Dráuzio Varella (famoso por suas aparições na TV) diz que “com muita facilidade, o álcool cruza a barreira protetora que separa o sangue do tecido cerebral. Poucos minutos depois de um simples drinque, sua concentração no cérebro já está praticamente igual à da circulação. Em pessoas que não costumam beber, níveis sangüíneos de 50mg/dl a 150 mg/dl são suficientes para provocar sintomas. Esses, por sua vez, dependem, diretamente, da velocidade com a qual a droga é consumida, e são mais comuns quando a concentração de álcool está aumentando no sangue do que quando está caindo” relata.
A literatura define que os sintomas da intoxicação aguda são variados: euforia, perda das inibições sociais, comportamento expansivo (muitas vezes inadequado ao ambiente) e emotividade exagerada. Há quem desenvolva comportamento beligerante, ou, explosivamente agressivo. Algumas pessoas não apresentam euforia, ao contrário, tornam-se sonolentas e entorpecidas, mesmo que tenham bebido moderadamente. Segundo as estatísticas, essas, quase nunca, desenvolvem alcoolismo crônico.
Outros problemas causados pelo álcool são desequilíbrio; alteração da capacidade cognitiva; dificuldade crescente para a articulação da palavra; falta de coordenação motora; movimentos vagarosos ou irregulares dos olhos; visão dupla, rubor facial e taquicardia. O pensamento fica desconexo e a percepção da realidade se desorganiza. Esta doença é a porta aberta para moléstias mais graves como cardiopatias; úlceras; câncer; depressão; neurose, demência mental e vários outros tipos de problemas psicológicos e psiquiátricos.
Quando a ingestão de álcool não é interrompida, surgem: letargia, diminuição da frequência das batidas do coração, queda da pressão arterial, depressão respiratória e vômitos, que podem ser eventualmente aspirados e chegar aos pulmões provocando pneumonia entre outros efeitos colaterais perigosos. Em não-alcoólicos, quando a concentração de álcool no sangue chega à faixa de 300mg/dl a 400 mg/dL ocorre estupor e coma. Acima de 500 mg/dL, depressão respiratória, hipotensão e morte.

Alcoolismo crônico
A resistência aos efeitos colaterais do álcool está diretamente associada ao desenvolvimento da tolerância e ao alcoolismo. Horas depois da ingestão exagerada de álcool, embora a concentração da droga circulante ainda esteja muito alta, a bebedeira pode passar. Esse fenômeno é conhecido como tolerância aguda. O tipo agudo é diferente da tolerância crônica do bebedor contumaz, que lhe permite manter aparência de sobriedade mesmo depois de ingerir quantidades elevadas da droga.
Doses de álcool entre 400mg/dl e 500 mg/dl, que muitas vezes levam o bebedor ocasional ao coma ou à morte, podem ser suportadas com sintomas mínimos pelos usuários crônicos. Diversos estudos demonstraram que as pessoas capazes de resistir ao efeito embriagante do álcool, estatisticamente, apresentam maior tendência a tornarem-se dependentes.

Abstinência
Ocorre em bebedores esporádicos ou crônicos e caracteriza-se por amnésia que pode durar horas, sem perda de consciência da realidade durante a crise. O blackout (ou apagamento) acontece porque o álcool interfere nos circuitos cerebrais encarregados de arquivar acontecimentos recentes. O quadro, de certa forma, lembra o perfil de memória das pessoas idosas, capazes de contar com detalhes histórias antigas, mas que não conseguem recordar o cardápio do almoço.
O álcool é uma droga depressora do Sistema Nervoso Central. Para contrabalançar esse efeito, o usuário crônico aumenta a atividade de certos circuitos de neurônios que se opõem à ação depressiva. Quando a droga é suspensa abruptamente, depois de longo período de uso, esses circuitos estimulatórios não encontram mais a ação depressora para equilibrá-los e surge, então, a síndrome de hiperexcitabilidade, característica da abstinência. Seus sintomas mais frequentes são: tremores, distúrbios de percepção, convulsões e delirium tremens. Uma das características mais importantes do alcoolismo é a negação de sua existência por parte do usuário. Raros são aqueles que reconhecem o uso abusivo de bebidas, passo considerado essencial para livrarem-se da dependência.

Tratamento
Uma das formas de se tratar o alcoolismo é a desintoxicação, geralmente realizada por alguns dias, sob supervisão médica. Ela permite combater os efeitos agudos da retirada do álcool. Dado aos altíssimos índices de recaídas, no entanto, o alcoolismo não é doença a ser tratada exclusivamente no âmbito da medicina convencional. Existe, ainda, a reabilitação feita por grupos como os Alcoólicos Anônimos. Depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstinência, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilitação, cujo objetivo é ajudá-los a viver sem álcool na circulação sanguínea. Para que o tratamento tenha sucesso é fundamental a participação dos familiares e amigos próximos.

Autor(a): Nilton Pereira

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