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AIDS: Uma pessoa é infectada por dia em Anápolis, alerta Saúde

Saúde Comentários 08 de maro de 2015

Ao todo, 650 pessoas estão em tratamento na Rede Pública de Saúde local, entre 850 casos diagnosticados. Especialista aponta “descuido da população”, apesar da existência de “mecanismos de prevenção” da doença. As estatísticas de Anápolis, ainda, apontam que os homens respondem pela maioria dos casos de contração do HIV


Uma pessoa foi infectada pelo vírus HIV por dia em Anápolis durante o mês de janeiro. A informação é do infectologista Marcelo Daher, assessor da Prefeitura para a Saúde, neste sábado, 28, durante o programa Viver Com Saúde, na Rádio Manchester. Cerca de 80% dos casos são de infecções ocorridas na própria Cidade, indicando a existência de um problema de saúde pública local. 650 pacientes portadores do HIV estão em tratamento, em um total de 850 diagnosticados.
De acordo com o especialista, existem critérios do Ministério da Saúde que determinam se um paciente deve ou não ser tratado. Para um “futuro próximo”, ele entende que “todos estarão em tratamento”. Marcelo Daher, citando pesquisas internacionais, especificou que, em grandes grupos de portadores do HIV, 80% procuram um médico e 60% seguem tratamento. No Brasil, a proporção de homens e mulheres que portam o vírus é de dois para um.
Ele afirmou, sem citar a proporção, que, em Anápolis, os homens respondem pela maioria dos casos. O infectologista falou que existe um “descuido da população” quanto ao HIV, apesar de existirem “mecanismos de prevenção”. Para Daher, como o “acesso à informação (sobre prevenção) é instantâneo, as pessoas sabem o que fazer para prevenir. É só usar camisinha. E as pessoas não usam”, lamenta. Disse mais: “É fácil cobrar depois, que a saúde não presta, não funciona”, declarou, ao requerer mais responsabilidade da população.
Como “não é todo mundo que se trata, pessoas acabam, depois, adoecendo” por complicações da doença. Durante a entrevista ao radialista Jairo Mendes, Marcelo Daher ainda indicou o aumento da incidência de casos em pessoas da terceira idade. E, continuou abordando a importância da prevenção para evitar o aumento de casos: “Não existe outra maneira de prevenir a AIDS do que o uso da camisinha”. Conforme observa, é fácil obter preservativos, uma vez que as unidades de saúde do município possuem dispositivos de distribuição do produto instalados.

Tratamento
O infectologista explica que, em Anápolis, “o programa (para prevenção e tratamento da AIDS) funciona já plenamente”. Existe um Ambulatório especializado no diagnóstico da presença de HIV no organismo. Psicólogas; enfermeiras; técnicos de enfermagem; assistentes sociais; farmacêuticos; médicos, (inclusive pediatras) e infectologistas estão à disposição dos pacientes. Ele observa que “o programa cresceu” e inclui, também, o combate a outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e hepatites virais.
O Governo Federal disponibiliza, gratuitamente, medicamentos para o tratamento da AIDS, que, conforme pontuou, “não tem faltado”. Ele explicou que o tratamento paralisa a multiplicação do vírus na pessoa infectada, fazendo com que as células de defesa subam no organismo. “Com isso, ele (paciente) tem uma vida praticamente normal”. Marcelo Daher mencionou a responsabilidade que as pessoas que se tratam têm para a eficácia do tratamento: “Se o paciente usa o medicamento de maneira errada, também, pode levar à resistência viral”.
Quem faz tratamento precisa tomar os medicamentos de maneira correta. O que ocorre é que muitos pacientes se cansam e acabam desistindo do tratamento. Atualmente, em Anápolis, são feitas tentativas para que os portadores do vírus que se tratam possam tomar medicamentos, apenas, uma vez por dia. A média geral é de quatro pílulas diariamente. Para pacientes novos, o Ministério da Saúde está liberando, desde o dia 20 de janeiro de 2015, uma combinação de três medicamentos em apenas uma composição. O custo do tratamento para o Governo Federal varia de R$ 500,00 a R$ 20.000,00 por paciente.

Outras doenças
Sífilis, Gonorreia e Condiloma foram citadas por Marcelo Daher como outras doenças sexualmente transmissíveis. Sobre a primeira, ele apontou que, “hoje, existe um trabalho do Ministério da Saúde para acabar com a Sífilis congênita (mãe para filho). Mas nós temos, aproximadamente, uma diagnóstico de sífilis congênita por semana na Santa Casa (de Anápolis), de criança que nasce de pai ou mãe que tiveram Sífilis. Ela nasce infectada e precisa de tratamento”, pontuou.

“Maluquices, essas perversões”
O infectologista indicou também uma tendência que tem levado portadores a contaminarem outras pessoas ‘de propósito’. Conforme indicou, métodos de transmissão estão sendo ensinados em sites, atitude que chamou de “maluquices, essas perversões”. Para o médico, alguns grupos dos que portam o vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) realizam este tipo de prática para diminuírem o estigma que existe sobre a doença. A ideia seria: quanto mais pessoas estiverem infectadas, menos preconceito haverá contra os portadores.

Autor(a): Felipe Homsi

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