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Aids: Doença continua sendo ameaça

Saúde Comentários 19 de junho de 2010

Dados revelam que a Aids é mais comum nas classes de menor poder aquisitivo. E o número cresce nas pessoas que se declaram heterossexuais.


A Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) representa um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade, justamente por sua gravidade e pela presença em todo mundo. No Brasil, o primeiro caso de Aids data de junho de 1980. Segundo informações do Ministério da Saúde, até junho de 2008 foram notificados 506 mil casos da doença. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o País possui uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos de idade.
No início da de década de 80, a epidemia atingiu, principalmente, os usuários de drogas injetáveis, gays, assim como indivíduos que receberam transfusão de sangue. Já nos últimos anos desse período, a moléstia passa a ter outro perfil. Dados do Ministério da Saúde apontam que a transmissão entre heterossexuais passou a ser a principal forma de contágio do HIV, e o que chama a atenção, é o crescente número de mulheres contaminadas.
Os últimos anos foram marcados pela interiorização e pela pauperização da epidemia. Isso significa que a doença passa a ter maior incidência entre a classe mais baixa economicamente falando e, para os menos escolarizados. E isso se confirma em Anápolis.

Perfil dos portadores
São cerca de 450 pessoas com a doença na cidade. Um número dentro da estimativa nacional, próximo de 1% da população. De acordo com o médico infectologista e assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis, Marcelo Cecílio Daher, os casos mais assistidos de Aids em Anápolis estão entre as pessoas de classe social mais simples. O infectologista afirma que a faixa etária mais comum, em que se descobre a Aids, é entre os 20 e 35 anos. Apesar de a contaminação acontecer cinco anos antes da descoberta da doença, nesse intervalo, geralmente não há sintomas muito aparentes. Não há uma predominância de sexo entre os contaminados na cidade. A proporção é de praticamente uma mulher contaminada para cada homem que, também, tem a doença. E isso reforça os dados nacionais de que a doença está se espalhando entre os heterossexuais.
Políticas de saúde
Em Anápolis há um Programa específico para tratar os portadores do vírus HIV. O Programa DST/AIDS trabalha no sentido de aconselhamento dos riscos das doenças sexualmente transmissíveis e no encaminhamento para os tratamentos que são necessários. Campanhas em escolas, empresas, e áreas públicas em geral, ações que visem chamar a atenção para os cuidados que se deve tomar para não contrair a doença, fazem parte dessa proposta. No ultimo dia 16 a Secretaria Municipal de Saúde realizou mais uma de suas ações de prevenção contra o vírus. A data foi escolhida como medida de reforçar os cuidados que se deve ter durante todo o ano quanto aos riscos de contaminação, já que ela é mundialmente lembrada no dia 1º dezembro.
Após a confirmação da doença, os portadores são encaminhados para tratamento ambulatorial. E esse tratamento, nem sempre, tem a atenção devida do portador. Segundo o infectologista Marcelo Daher, um dos maiores problemas é conscientizar os portadores da síndrome a não abandonarem o tratamento. E, isso é decisivo no sucesso do tratamento. “Muitos melhoram durante o tratamento e acreditam que estão curados, o que é um problema sério porque a Aids não tem cura”, destaca o infectologista.

Expectativa de vida
Quem contrai a doença e não busca tratamento, tem uma expectativa média de dois ou três anos. Mas, pessoas que aderem ao tratamento corretamente, têm mais chances de viver uma vida normal. “Há casos de pacientes com 15 anos de tratamento, e que têm qualidade de vida porque não abandonaram a terapia”, exemplifica Daher. Ele justifica que os avanços da medicina possibilitam ao portador receber medicamentos eficazes, mas que proporcionem maior qualidade de vida. Descobrir a doença o quanto antes também ajuda no sucesso do tratamento. A Aids é o estágio mais avançado da infecção pelo vírus HIV. Antes dos avanços da medicina, receber a confirmação da doença era quase uma sentença de morte. Portanto, fazer o teste sempre que se expuser ao HIV pode ser fundamental para se obter qualidade de vida mesmo sendo soropositivo.

Onde fazer?
Os testes para detectar a presença do vírus no organismo são realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) de forma sigilosa e gratuita. Nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), os exames podem ser feitos, inclusive, de forma anônima. Em Anápolis ele é feito no CTA/SAE, localizado na Avenida São Francisco, 810, no Bairro Jundiaí.

SITUAÇÕES DE RISCO
O HIV pode ser transmitido:

• Por relações sexuais desprotegidas (sem o uso do preservativo), anais, vaginais e orais;
• Pelo compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas;
• De mãe para filho durante a gestação, o parto e a amamentação;
• Por transfusão de sangue
2. Assim não pega
* beijo no rosto ou na boca;
* suor ou lagrima;
* compartilhar talheres e copos;
* banheiros, piscina ou ar,
* sexo, desde que se use corretamente a camisinha.
FONTE: Ministério da Saúde

Autor(a): Flávia Gomes

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