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Adhemar Santillo: PMDB e PT juntos em 2010

Política Comentários 17 de abril de 2009

Um dos mais experientes políticos de todos os tempos em Goiás, o ex-prefeito de Anápolis faz uma análise do atual momento e prevê o que vem por aí


“Se o PT tiver juízo, e eu acredito que tenha, vai compor com o PMDB para, juntos, ganharem o Governo de Goiás nas eleições do ano que vem. Ele não tem candidato competitivo que possa disputar, em igualdade de condições, com Íris Resende ou Marconi Perillo. O máximo que o PT poderia almejar seria uma das duas vagas para o Senado Federal, ou, a vice governadoria”. Palavras do ex-deputado federal e ex-prefeito de Anápolis, Adhemar Santillo (PMDB), ao analisar o quadro político de Goiás com relação a 2010, ano de sucessão presidencial e renovação dos governos estaduais, assim como de dois terços do Senado, Câmara Federal e assembléias legislativas.
De acordo com Adhemar Santillo, as eleições do ano que vem no Estado vão se polarizar entre Íris Resende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB). Ele garante que podem surgir outras candidaturas, na chamada terceira via. “Mas, serão candidaturas inconsistentes e que, na melhor das hipóteses, promoverão mais divisões ainda”. Adhemar lembra o fato de 1986, quando Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado dividiram a chamada base aliada, permitindo a vitória de Maguito Vilela (PMDB). Assim sendo, para o experimentado político, nem mesmo “com a caneta na mão”, o Governador Alcides Rodrigues terá força para lançar um candidato. Adhemar Santillo entende que em Goiás ainda persiste a antiga luta entre UDN e PSD, “quando o grupo Caiado mandava de um lado e o grupo Ludovico mandava do outro. Hoje há subdivisões, mas a tendência continua a mesma”.
Na avaliação de Adhemar Santillo, a parceria entre PT e PMDB em Goiás, já efetivada na prefeitura de Goiânia, onde Íris Resende (PMDB) tem como vice Paulo Garcia (PT), deve prevalecer e se fortalecer, mais ainda, em 2010. Ele entende que “o Presidente Lula quer fazer o seu sucessor e vai precisar das maiores forças aliadas. Em Goiás, o grande aliado do PT é o PMDB. Como o partido do Presidente não teria um nome melhor que o de Íris Resende, certamente ele vai determinar apoio ao prefeito de Goiânia na disputa pelo Governo de Goiás. Se isto não acontecer, duas coisas serão verificadas: o PT ficará sem amparo para o palanque de Lula no Estado e, abre-se a real oportunidade para uma vitória de Marconi Perillo”, disse.
Terceira via
Adhemar Santillo diz não acreditar, também, na chamada “terceira via”, inclusive em uma candidatura de Henrique Meirelles (Presidente do Banco Central) para a sucessão estadual. “Ele pode até ensaiar uma candidatura, mas não encontrará o apoio político necessário. Eleição majoritária é bem diferente de eleição proporcional. Além do mais, Henrique Meirelles está muito distante de Goiás, embora seja nascido aqui”, justifica Santillo.
Sobre as eleições presidenciais, Adhemar Santillo assegura que o PMDB não tem nenhum nome competitivo preparado para a disputa. Embora o partido tenha o Presidente do Senado (José Sarney) da Câmara Federal (Michel Temmer), além de seis governadores, a maioria dos senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores no Brasil, não preparou um candidato para disputar a eleição presidencial. “Assim sendo, vai dar a lógica, com o partido apoiando o candidato, ou a candidata do Presidente Lula. O PMDB já faz parte do Governo Federal com seis importantes ministérios, além do comando de várias estatais e outros órgãos da União. Apoiar o candidato de Lula será até uma questão de coerência”, disse.
A única ressalva feita por Adhemar, está no fato de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, vir a aceitar o convite do senador José Sarney e se filiar ao PMDB, deixando o PSDB. “Aí, sim, teríamos um candidato competitivo. Fora disso, não vejo nenhuma chance”, justificou. De acordo com Adhemar, existe um movimento para que Aécio Neves se filie ao PMDB, “já que no PSDB ele não tem chance nenhuma. O candidato do PSDB é o Serra (José Serra, Governador de São Paulo). Mas, até algumas forças do próprio PMDB insistem com José Serra, como é o caso de Orestes Quércia, uma das principais lideranças do partido em São Paulo, e que está mantendo um relacionamento político mais próximo com o governador paulista. Entendo, até, que o PMDB vá para a eleição presidencial do ano que vem dividido, não em partes iguais, mas com um grupo apoiando o candidato do PSDB”, disse o ex-prefeito de Anápolis.
Municípios
Adhemar Santillo avaliou a crise vivida pelos municípios atualmente, quando os repasses, principalmente o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) diminuíram bastante. “É que o Governo isentou as empresas de alguns tributos, como o IPI (Imposto Sobre a Produção Industrializada) e se esqueceu dos municípios. Além disso, tem o problema que vem lá de trás, de 1996, quando foram criadas dezenas, talvez centenas de novos municípios no Brasil, sem a menor viabilidade econômica. Uma coisa bem política. Esses municípios vivem em função do FPM. Como o repasse diminuiu, os prefeitos entraram em desespero. E o Presidente Lula já disse que não tem como solucionar a questão em curto prazo. Vêm crises mais fortes por aí”, alegou.
Outra questão abordada por Adhemar Santillo é com respeito a Anápolis. Ele entende que o atual prefeito (Antônio Gomide-PT) vai ter de usar muito a criatividade, para manter as finanças em dia. “Não adianta ter a ilusão de que, por ser uma prefeitura do PT, chega-se em Brasília e se consegue o que quer. Não é assim que funciona. O Governo Federal tem compromissos com todos os municípios, incluindo, os governados pelo PT. Só que ele não pode priorizar uns em detrimento de outros. A lei não permite. É o princípio da isonomia”, falou Adhemar Santillo. Segundo ele, ainda é muito cedo para qualquer avaliação administrativa ou política da atual administração, “mas é preciso que sejam tomados os primeiros cuidados. Os problemas de Anápolis é o prefeito de Anápolis que vai ter de resolvê-los”, assegurou.
Sobre a representatividade política do município, Adhemar Santillo disse que a realidade, atualmente, é outra. “Houve época em que tínhamos, simultaneamente, quatro deputados federais por Anápolis. Eu e o Fernando Cunha do MDB e o Elcival Caiado e o Henrique Fanstone, da ARENA. Também houve época em que eram quatro os deputados estaduais: Ronaldo Jaime, Romualdo Santillo, Milton Alves e Anapolino de Faria, todos do PMDB. Mas os tempos mudaram. Hoje o eleitorado de Anápolis é formado por milhares de pessoas que vieram de outras cidades, para estudarem ou trabalharem aqui. Essas pessoas ainda têm vínculos de amizade, de família e laços políticos com lideranças de seus locais de origem e vão continuar votando nos candidatos de lá, embora sejam eleitores aqui. Desta forma, Sandes Júnior, Carlos Alberto Leréia, Jovair Arantes e outros continuarão tendo votos em Anápolis. Para a Assembléia Legislativa é a mesma coisa. O que precisa é Anápolis ter bons candidatos e que esses candidatos façam campanhas convincentes, para ganharem os votos dos eleitores daqui e dos que vieram de outras regiões”, disse ele, assegurando que o PMDB terá, a princípio, Onaide Santillo como candidata a deputada estadual. Para deputado federal não existe definição do PMDB sobre nome ou nomes de Anápolis.

Autor(a): Nilton Pereira

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