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Adhemar e Onaide fora da campanha de Íris Rezende

Política Comentários 10 de outubro de 2010

Presidente do PMDB Municipal coloca fogo na política de Anápolis, questionando a força do PT no apoio à candidatura de Íris Rezende ao Governo. De quebra, ataca o candidato


Adhemar e Onaide Santillo, casal histórico do PMDB em Goiás, ao que tudo indica, devem ficar fora da campanha de Íris Rezende ao Governo do Estado no Segundo Turno. O motivo: o desconforto provocado pelas declarações do deputado federal reeleito, Rubens Otoni (PT), a uma emissora de rádio em Goiânia, reproduzida em jornais da Capital, dando conta de que o PMDB anapolino estaria mal avaliado, e pelo prefeito Antônio Gomide (PT), assegurando que o desempenho da votação de Íris, em Anápolis, no primeiro turno, estaria relacionado a alguns fatores, dentre eles, problemas antigos do PMDB no Município.
Se o relacionamento entre o casal que comanda o PMDB de Anápolis com o Partido dos Trabalhadores já não era bom, agora, “azedou” de vez. Ressalte-se que, desde o início da campanha sucessória, Adhemar Santillo vinha questionando a aliança PT/PMDB. Ele chegou a anunciar uma provável aproximação com o PSDB de Marconi Perillo, o que o encaminharia a uma candidatura ao Senado da República. Citando números, Adhemar Santillo assegurou que o desempenho de Íris em Anápolis era previsível. “Ele obteve os mesmos 20, 25 por cento de votos que o PMDB vinha registrando nas últimas eleições. Quer dizer: o apoio do PT em nada acrescentou. Acredito que, até, prejudicou, pois está provado que o eleitorado anapolino não é petista. Se fosse, a candidata Dinamélia Rabelo teria sido eleita, pois toda a força do PT e da atual administração foi direcionada à sua candidatura. Mesmo com isso, ela teve uma votação muito fraca, em relação aos demais candidatos de Anápolis”, alfinetou Adhemar Santillo.
Menosprezo
Adhemar Santillo ressalta, também, que não houve apoio do Diretório Regional do Partido à candidata Onaide Santillo e que a legenda se preocupou mais em eleger os chamados “golden boys” que, conforme disse, foram candidatos que se valeram da Prefeitura de Goiânia, exercendo todos os poderes e, depois, lançados na Capital, mas que buscaram votos em todas as regiões, inclusive, em Anápolis, para serem eleitos. “Tanto é assim, que os candidatos do PMDB do interior foram menosprezados. É o caso de Adriete Elias, em Catalão, José Essado, em Inhumas e Mara Naves, em Goianésia” declarou Adhemar. Soma-se a isso, ainda, o fato de o próprio Íris - conforme destacou Adhemar Santillo - não haver demonstrado interesse pelo apoio do PMDB de Anápolis, se preocupando, mais, em ficar “agarrado” ao PT.
“Ele [Íris Rezende] fez apenas um comício em Anápolis, no Conjunto Filostro Machado para carregadores de bandeiras”, esbravejou Adhemar em entrevista ao programa Bate Rebate, da Rádio São Francisco, lembrando que, naquela oportunidade, ele e a, então, candidata Onaide Santillo sequer foram formalmente convidados por Íris e, no referido comício, ele (Adhemar), nem teve seu nome mencionado. “Tenho dignidade, tenho história. Não surgi agora, surgi com ele [Iris] combatendo a ditadura”, ressaltou, observando que o governadoriável desconhece o seu partido em Anápolis.
Os números
Adhemar Santillo declarou que “se o PT de Anápolis tivesse tanta força como alardeia, seu candidato ao Senado (Pedro Wilson) não teria a votação pífia que registrou no Município. Ele ficou com 43 mil votos, contra 92 mil de Lúcia Vânia e 133 mil de Demóstenes Torres”, argumentou. Afirmou, também, que “a força do PT de Anápolis pode ser avaliada na votação de Dilma Rousseff, que teve 59 mil votos, conta 77 mil de José Serra na disputa pela Presidência da República”. Em seguida, declarou que o desempenho de Íris Rezende, que é do PMDB, mas que foi apoiado pelo PT, “é a mais clara demonstração do quanto o PT tem força em Anápolis. Íris, mesmo com o apoio do Prefeito Antônio Gomide e do deputado Rubens Otoni, teve uma votação ridícula. Seus votos foram os mesmos que o PMDB sempre obteve, independentemente de coligação com o Partido dos Trabalhadores, ou seja, 38 mil 706 votos, 22,4 por cento, contra 112 mil 283 votos de Marconi, representando 65 por cento. São números incontestáveis”, afirmou Adhemar Santillo.
Perguntado sobre seu futuro no PMDB, Adhemar Santillo disse que ainda não tem previsão. “Vamos ouvir os companheiros, vamos avaliar o que está ocorrendo e, só então, firmarei uma posição. Não posso dizer se fico no Partido ou se vou sair. Sou fundador do PMDB, estou nele há décadas e tenho total identificação com os peemedebistas autênticos”, falou Adhemar. Quanto à composição com o PT, pontualmente no segundo turno das eleições 2010, ele foi claro: “acabou, não existe mais”.
Respostas
Reagindo à fala de Adhemar Santillo, o Presidente do Diretório Municipal do PT, Antônio Júlio, contestou as colocações, afirmando que ao contrário, “Adhemar e Onaide em nada ajudaram. A votação obtida por Íris foi conseguida pelo trabalho do PT. Eles não participaram de nada”, disse Júlio. Também os vereadores do PMDB, Assef Nabem e Wesley Silva, que apóiam a Administração Antônio Gomide, asseguraram que o PT ajudou muito e que estarão trabalhando pela eleição de Íris. Os vereadores declararam que a pouca aceitação aos candidatos do PMDB em Anápolis remonta de épocas anteriores, principalmente do então Governo Maguito Vilela, quando se criou um clima hostil entre a Cidade e a Administração Estadual, “ferida que nunca foi curada”, alegam.
O certo é que as colocações de Adhemar Santillo feitas na quinta-feira, 07, repercutiram em todo o Estado de Goiás e mobilizaram os comandos do PT, PMDB e partidos aliados. Há quem diga que Adhemar estaria se preparando para deixar o Partido e que estaria liberando os correligionários para optarem por qualquer candidatura (Íris ou Marconi), ou, quando muito, cruzar os braços. Mas, integrar-se à campanha de Íris, ao que parece, está fora de qualquer cogitação.

Autor(a): Claudius Brito / Nilton Pereira

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