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Acusado de chacina vai a júri popular

Violência Comentários 30 de outubro de 2015

Crime que comoveu a Cidade, em 2013, terá no banco dos réus, Rogério Lopes dos Santos, acusado de matar a avó e três irmãos


Rogério Lopes dos Santos, acusado de matar a avó e seus três irmãos, vai ser julgado em júri popular no dia 17 próximo. A sessão será presidida pela juíza Lara Gonzaga Siqueira, da 4ª Vara Criminal da comarca de Anápolis. O crime aconteceu no dia 18 de fevereiro de 2013, quando o réu acertou os familiares com golpes de enxada na cabeça e jogou os corpos em uma fossa desativada no quintal da casa onde moravam.


Os quatro residiam juntos no Bairro Novo Paraíso. Segundo narra a denúncia, Rogério atacou as vítimas enquanto elas dormiam. A avó, Vandelina dos Santos, e os irmãos Romário, 15 anos, e Rosana, 12 anos, morreram na hora. O caçula da família, Roger, de nove anos, foi resgatado com vida, passou por várias cirurgias na cabeça, mas morreu seis meses depois da tragédia, devido às sequelas dos ferimentos.


O réu foi preso horas após os assassinatos e confessou o crime na delegacia, dizendo ter consumido drogas e não se lembrar do que aconteceu. Ele vai ser julgado por homicídio qualificado, que impossibilitou a defesa das vítimas, e ocultação dos cadáveres.


Bairro bem afastado do centro, povoado por famílias humildes, em sua maioria, trabalhadores de baixa renda, o Novo Paraíso tem sido, ao longo dos anos, palco de muitos crimes. Mas, nenhum deles, certamente, com tantos requintes de crueldade.


Segundo reportagens veiculadas na época, Rogério Lopes dos Santos tinha apenas 19 anos, mas, um histórico comprometedor recheado de passagens pela polícia, uma delas pela acusação de homicídio (crime que teria cometido na comunidade de Santo Antônio) e outra por roubo, além de reconhecido usuário de drogas e encrenqueiro na região. Sem um motivo aparente matou a avó e três irmãos, crime que teve um grande clamor na sociedade e repercutiu nas redes sociais e na mídia nacional.


Consta que Rogério foi criado pela avó, embora tenha pai e mãe. Dona Vandelina, 65 anos, depois de criar os filhos, assumiu, como milhões de outras pessoas neste Brasil, a tarefa de, também, cuidar dos netos. Rogério, o mais velho. Todos viviam em uma modesta casa, mantendo-se como podiam, mais à custa do salário da aposentada. A história, verídica, mostra que, desde a adolescência, Rogério apresentava comportamento diferenciado. Os vizinhos, também conforme relatos da época, diziam que ele era ‘problemático’. Não gostava de estudar, não tinha interesse em trabalhar e que teria caído no mundo das drogas. Certa vez, foi preso por roubo e, a avó, condoída, se virou como pôde, arranjou recursos para pagar advogado e soltá-lo da cadeia.


 


O crime


Conforme foi descrito na época, o fato ocorreu da seguinte forma: Era noite de segunda-feira (dia 18 de fevereiro de 2013), quando Rogério teria chegado em casa com comportamento alterado. Havia bebido um ‘carotinho’ (minúsculo barril de madeira) de pinga, fumado um ‘baseado’ (cigarro de maconha) e ‘queimado’ uma pedra (crack), segundo suas próprias palavras. No depoimento que prestou à delegada Marisleide Santos, ele disse que estava “vendo coisas e ouvindo vozes”. Disse que seus irmãos o chamaram de ‘maconheiro’ e que, por isso, ficou muito irritado. Depois, afirmou que não se lembra de mais nada.


Esse ‘mais nada’, foi a cena de horror que ele protagonizou. Passava da meia noite, Rogério, completamente alucinado, saiu para o quintal da casa e deparou com uma enxada escorada na parede. Apanhou a ferramenta agrícola e, com ela, iniciou a perversidade que causou arrepios até nos policiais mais experientes, acostumados com cenas de crimes bárbaros.


Primeiro, ele golpeou a avó com certeiras enxadadas na cabeça e pelo restante do corpo. A anciã nem acordou. Em seguida, ele foi ao quarto onde dormiam os irmãos e com um só golpe, matou a adolescente Rosana Lopes, sua irmã, de 12 anos. Para certificar-se de que ela havia morrido, deu mais dois golpes. Logo após, aproximou-se da cama de Romário, seu outro irmão, de 15 anos. Este, também, morreu dormindo, após receber vários golpes com o “olho” da enxada. O último a ser golpeado foi Roger, de nove anos, que teve o occipital (osso posterior do crânio) esmagado pelas enxadadas. Ele dormia de bruços.


 


Frieza


Depois de matar a avó, os dois irmão e ferir, gravemente, o caçula, Rogério arrastou os corpos e os jogou em uma cisterna abandonada, que fica nos fundos do imóvel. Teve força suficiente para remover a tampa de concreto e atirou os corpos amontoados. Depois, arrastou a tampa para o lugar de origem. Todavia, uma vizinha acordou com os estranhos barulhos e logo que amanheceu, ligou para um tio de Rogério, pedindo que este fosse à casa, pois suspeitava que algo de grave havia ocorrido. Este tio, ao chegar, deparou com a cena horripilante. Sangue por todo lado, pedaços de corpos espalhados nas camas e no chão e o rastro deixado pelos corpos arrastados e jogados na fossa.


Não havia outro suspeito, se não Rogério. A polícia foi acionada e passou a procurá-lo pelas redondezas. Rogério foi localizado por policiais militares, com o apoio de um helicóptero trazido de Goiânia. Ele estava a poucos metros da cena do crime, escondido em um capinzal. Trajava, apenas, cuecas, visto que a roupa havia se encharcado de sangue e ele não poderia circular pelas ruas daquela maneira. Estava esperando escurecer, para tentar a fuga. Não deu tempo. Foi preso em fragrante e levado para o Quartel do Quarto Batalhão de Polícia Militar. Depois, foi encaminhado à Polícia Civil. Nas entrevistas que concedeu, ele insistiu em dizer que não se lembrava de nada e, em diversas oportunidades, chorou dizendo-se arrependido. Ele foi recolhido a uma cela do DNARC, na Cidade Jardim.

Autor(a): Da Redação

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