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ACIA e Fórum Empresarial vão cobrar explicação sobre ‘apagão’

Cidade Comentários 01 de fevereiro de 2018

Entidades convidaram direção da CELG para reunião com suas diretorias para cobrar um serviço de qualidade e confiabilidade


Provocada por um raio que causou um incêndio no grupo gerador da subestação do Distrito Agroindustrial de Anápolis, a pane no sistema que fornece energia elétrica para as empresas instaladas naquele pólo industrial serviu para mostrar que a Celg não está tecnicamente preparada para solucionar problemas dessa envergadura e que a empresa necessita de readequar o seu sistema de manutenção para que eles não voltem a se repetir.
A pane no sistema ocorreu na madrugada do último dia 25 e só foi restabelecida depois de mais de 40 horas, provocando a paralisação de linhas de produção da maioria das empresas, exceto das que dispõem de grupos de geradores próprios, além de deixar 48 bairros da região sul da cidade sem o fornecimento de água, prejudicando uma população estimada em mais de 50 mil pessoas.
A opinião é do presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia) e do Fórum Empresarial, Anastacios Apostolos Dagios anunciando que as duas entidades vão encaminhar um convite à direção da Celg para que ela participe de uma reunião com suas diretorias, em data ainda a ser confirmada, para cobrar a prestação de um serviço de qualidade e que ofereça confiabilidade e segurança às empresas instaladas não apenas no Daia, mas em todo o Município e também à população de uma maneira geral. “Vamos mostrar aos dirigentes da Celg, que esperávamos mais do serviço que a empresa presta à cidade”, acrescentou Anastacios Dagios, anunciando também que o Fórum Empresarial e a Acia vão publicar uma nota de repúdio nos veículos de comunicação, firmando suas posições sobre a questionável qualidade do serviço que a empresa hoje oferece ao Município.
Ele revelou que as duas entidades não pretendem judicializar os danos causados às cerca de 170 indústrias que foram afetadas pelo apagão porque reconhecem que a Celg não teve culpa com a queda de raios na subestação e também em um galpão da linha de produção de cosméticos da unidade fabril da FBM Farma. “Mas não podemos aceitar passivamente que a Celg tenha gasto quase 48 horas para que a energia fosse restabelecida”, disse Anastacios Dagios, afirmando que a energia retornou de forma parcial na madrugada da sexta-feira, dia 26.
Ele lamentou que a Celg, tendo conhecimento do potencial de consumo das empresas do Daia, encaminhou uma simples subestação móvel para tentar restabelecer a energia, segundo o presidente da Acia, um equipamento que acabou não suportando a sobrecarga do sistema. Por essa razão, foi preciso enviar uma subestação móvel mais potente que, segundo a Celg, continua no Daia prestando apoio ao fornecimento de energia na região.
De acordo com o presidente da Acia, até mesmo as empresas que possuem grupos geradores próprios enfrentaram problemas com o funcionamento de suas linhas de produção. Segundo ele, as empresas que operam em três turnos tiveram que dispensar os funcionários que trabalham no terceiro turno por absoluta falta de condições de funcionamento.

Resposta padrão
A reportagem do Jornal Contexto procurou a Celg em busca de esclarecimentos sobre os serviços que precisaram ser executados em razão dos danos provocados pela descarga, mas foi orientada a entrar em contato com Diretoria de Comunicação da Empresa, onde lhe foi solicitada o envio de e-mail com os questionamentos. A resposta também demorou. Chegou ao final da manhã de quinta-feira, dia 1º de fevereiro, com apenas três linhas e meia com os seguintes esclarecimentos:
“A Celg Distribuidora informa que uma falha em um equipamento da Subestação Daia, em Anápolis, interrompeu o fornecimento de energia no Distrito Agroindustrial de Anápolis, na madrugada doa dia 25/01. A empresa esclarece que iniciou imediatamente o seu plano de contingência e o serviço foi restabelecido gradativamente no dia seguinte ao ocorrido. A distribuidora informa ainda, que uma subestação móvel continua prestando apoio ao fornecimento de energia da região e acrescenta que segue trabalhando para assegurar a qualidade do serviço e a confiança do sistema”.
“Essa é uma resposta padrão”, reagiu o presidente da Acia ao ser informado sobre o envio das respostas aos questionamentos feitos pelo Jornal Contexto. Segundo ele, o mesmo texto foi encaminhado para a Acia e o Fórum Empresarial, também em resposta às indagações que as duas entidades fizeram à diretoria da Celg. “Não tem como reagir diferente porque a gente esperava mais da empresa”, resumiu Anastacios Dagios.

Blackout deixou mais de 50 mil pessoas sem água
A descarga elétrica provocada por raios que danificou a subestação do Daia afetou também o fornecimento de água na quase totalidade dos bairros da região sul da cidade, todos eles abastecidos pela água da estação de tratamento do Distrito Agroindustrial de Anápolis. No total, segundo a diretora do distrito da Saneago em Anápolis, Tânia Valeriano, 48 bairros, onde residem mais de 50 mil pessoas, ficaram sem água a partir da tarde de quinta-feira, dia 25.
Para fazer a estimativa da quantidade de pessoas que ficaram sem água, Tânia Valeriano usou como referência a média de três pessoas por família em mais de 16 mil ligações em residências e estabelecimentos comerciais existentes nos 48 bairros afetados com o desabastecimento. Segundo ela, na tarde do dia do acidente, a maior parte dos reservatórios que recebem água da estação de tratamento do Daia já estava desabastecidos.
Ele reconhece que a falta de água causou problemas para todos os moradores da região, em alguns bairros até segunda-feira, dia 29, ou seja, quatro dias depois do apagão, mas lembrou que as pessoas precisam entender que o reabastecimento dos reservatórios não ocorre automaticamente, como acontece com o retorno do fornecimento de energia elétrica. “Para encher um reservatório demanda muito tempo, principalmente se isso ocorre durante o dia, quando o consumo de água é grande”, explicou a gerente do distrito da Saneago dando razão ao grande volume de reclamações de moradores de todos os bairros afetados.

Seguro
Tânia Valeriano lembrou ainda que as grandes extensões das redes de abastecimento e o fato de as caixas de água terem ficado vazias em todas as residências dificultou ainda mais o restabelecimento. Além disso, lembrou que o restabelecimento da energia, na estação de tratamento de água, só foi normalizada no sábado, dia de grande consumo em todas as residências. Segundo Tânia Valeriano, esse fato retardou ainda mais o reabastecimento, que foi normalizado somente no dia 29, quando o último bairro afetado, o Residencial Copacabana, teve o abastecimento normalizado por volta das 11 horas.
No Daia, o administrador do distrito, de nome Cristiano não soube fornecer nenhuma informação à reportagem, sequer o número de empresas afetadas pelo apagão. Segundo ele, todas as informações teriam de ser prestadas pela Celg. Na unidade fabril da FBM Farma, que teve um galpão da linha de produção de cosméticos totalmente destruído por causa de um raio, o presidente executivo do Sindifargo, Marçal Henrique Soares informou que a empresa já acionou a seguradora para receber os prejuízos causados à empresa e que a sua direção se reuniria na noite dessa última quinta-feira para discutir as providências que seriam adotadas em outras instâncias.

Autor(a): Ferreira Cunha

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