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A violência sem limites contra os idosos

Violência Comentários 04 de outubro de 2013

No mêsde outubro, em que se comemora o Dia Mundial do Idoso, parte da população brasileira com mais de 60 anos tem de enfrentar uma triste realidade: a violência.


O funcionamento recente da Delegacia de Proteção ao Idoso, em Anápolis, explicitou uma realidade pouco conhecida pela maior parte dos brasileiros. É que, a cada hora que passa, são registradas cinco denúncias de violência contra esta faixa etária da população. Os dados, oficiais, são da Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República. De janeiro a junho deste ano, o Disque 100 recebeu 22.754 denúncias de violência praticada contra a pessoa idosa em todo o País. Foram, em média, 125 queixas por dia, cinco por hora. O serviço de atendimento telefônico gratuito registra os mais diversos tipos de queixas de violação aos direitos humanos e funciona 24 horas por dia, de segunda-feira a domingo.
O delegado de polícia Manoel Vanderic Filho, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso tem acompanhado, pessoalmente, diligências de seus agentes no atendimento a denúncias, as mais variadas, de agressõesfísicas (incluindo sexuais) a extorsão e maus tratos contra homens e mulheres acima de 60 anos. Ele se confessa estarrecido com os múltiplos casos que são descobertos todos os dias e encoraja a população a denunciar este tipo de violência, em sua maior parte, praticada por pessoas próximas à vítima, como filhos; noras; genros, netos, etc. Estatisticamente, pouco mais de 70% dos suspeitos denunciados têm parentesco direto com o agredido. Mas, a assustadora maioria é composta pelos próprios filhos. Em mais de 50% dos casos, são eles os suspeitos das agressões. E, em mais de 70% das denúncias, o ataque acontece na própria casa do idoso.

As mulheres
Fenômeno social incidente em todo o mundo, também no Brasil, a violência contra a mulher é marcante na terceira idade. Quase duas de cada três vítimas (64,74%) são mulheres. Mais de 47% possuem algum tipo de deficiência física. Já o perfil do suspeito é bastante equilibrado: 43% são mulheres e 41%, homens. Ainda, segundo a secretaria, a maioria dos suspeitos de agressão (36,21%) tem entre 25 e 45 anos.Os tipos de violência denunciados com mais frequência são de negligência (75,07%), psicológica (56,06%) e de abuso financeiro e econômico (45,48%). Denúncias de violência física somam 28,03%. A secretaria esclarece que uma mesma denúncia pode englobar mais de um tipo de violência.

As regiões
De acordo com a pesquisa, os Estados do Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Rio de Janeiro apresentaram, no primeiro semestre de 2013, os maiores índices de denúncias de violência contra a população idosa, feitas ao Disque 100.O Rio Grande do Norte registrou a proporção de 25 queixas para cada 100 mil habitantes; o Distrito Federal, 24,7; e o Rio de Janeiro, 21,9. Roraima foi o Estado que teve menos notificações: 3,1 para cada grupo de 100 mil pessoas. Goiás está em uma faixa intermediária.
Em números absolutos, São Paulo foi o estado que mais registrou denúncias: entre janeiro e junho deste ano foram 3.784, o que representa 16,63% do total. Em segundo lugar, ficou o Rio de Janeiro, com 3.509 queixas, equivalendo a 15,42% das denúncias. Em terceiro, aparece Minas Gerais, com 1.882, ou 8,27% do total.O Disque 100 existe desde 1997, mas só em 2011 passou a receber denúncias de violência contra a população idosa. Antes disso, o foco do serviço telefônico era para queixas ligadas à violência sexual contra crianças e adolescentes.
E, um dado preocupante é que só nos primeiros seis meses de 2013, o canal de denúncia registrou quase o número anotado ao longo de todo o ano de 2012. Neste ano, foram 22.754 queixas contra 23.523 no ano passado. Entre 2011 e 2012, houve um aumento de 65% na quantidade de denúncias de violência contra o idoso. A coordenação do trabalho, todavia, não acredita que esse crescimento signifique que mais idosos têm sido vítimas de algum tipo de violência. O que aumentou foi o volume de denúncias. Em maio de 2012, iniciou-se uma campanha junto aos conselhos, às comunidades e à imprensa, no sentido de divulgar o serviço. O resultado foi muito positivo. A sociedade está puxando para si a responsabilidade pelo cuidado em relação aos idosos.Após a ligação para o Disque 100, a queixa é encaminhada para a polícia, o Ministério Público, os centros de Referência Especializada de Assistência Social e osconselhos dosidosos.
E, apesar do aumento das denúncias de violência contra a população idosa, acredita-se que o número efetivo de casos deva ser bem maior por causa da subnotificação.Segundo dados do Disque 100, 90% das denúncias registradas no primeiro semestre deste ano foram feitas por pessoas que afirmaram ser desconhecidas ou que não quiseram dizer se conheciam ou não o idoso.

Autor(a): Da Redação

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