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"A verdade sobre a morte do anapolino Robson Alves"

Especial Comentários 13 de novembro de 2009


Provavelmente você não sabe quem sou. Talvez se lembre do meu marido, o ex-preparador físico Robson Alves Ferreira, ou não. A violência anda tão comum que as pessoas enxergam as atrocidades como cotidianas, ficando resignadas. Porém, quando ela invade brutalmente o seio do seu lar, você percebe a aberração em que vivemos, permanecendo calados e subservientes. É em protesto a isso que aqui escrevo.
Meu marido foi assassinado no dia 16 de março deste ano, na T-9, com 5 tiros, sob posterior acusação de agiotagem a juros altos. Isso foi o que a maior parte da mídia publicou, de acordo unicamente com o depoimento do assassino, como se bandido fosse fonte de provas concretas e imparciais. Você vai saber agora a verdadeira história, de como esse assassino entrou em nossa casa e ludibriou nossa família. Vai saber quem era Robson Alves Ferreira e perceber que a mídia é confiável sim, até certo ponto. Além disso, verá que não sabemos quem são as pessoas com quem estamos lidando, tamanha é a dissimulação do ser humano.
Em 2001, meu marido conheceu o técnico de futebol Karmino Colombini, um homem “simpático” e “honesto”, características essas que o Robson sempre repetia, demonstrando sua admiração e simpatia por este homem. Eles se conheceram trabalhando no Goiânia Esporte Clube. Robson viajou a trabalho para o Mundo Árabe (Dubai) e indicou o suposto “amigo” Karmino para trabalhar no clube onde estava. Ao retornarem para o Brasil, Karmino sugeriu que comprassem um caminhão em sociedade, a fim de iniciarem uma segura e lucrativa atividade de transportes em geral. Karmino sempre frisava que o negócio seria muito bom, sendo que o único risco era a confiabilidade no caminhoneiro e, por coincidência, seu irmão, um homem “honesto e trabalhador”, chamado Israel Colombini, era caminhoneiro experiente e estava disposto a entrar no negócio. Robson jamais tivera experiência no ramo e confiou cegamente no “amigo”, entrando com muito dinheiro no negócio. Em 2005, percebendo a pouca lucratividade, vendeu sua parte do caminhão aos irmãos Karmino e Israel.
Em junho de 2008, Robson voltou novamente de Dubai (onde, mais uma vez, estava a trabalho) e foi procurado por Israel, que agradeceu infinitamente a ajuda de meu marido e disse que seu negócio havia prosperado muito graças a ele, que agora, tinha dois caminhões e empregados e que já não dirigia mais. Disse reconhecer os sacrifícios e bondade do Robson. Aqui, dentro de nossa casa, sentado em nosso sofá, propôs “humildemente” que, novamente, Robson entrasse com dinheiro para que, em parceria, pudessem dividir o lucro, dessa vez no transporte de milho. Ele garantiu que tanto a carga quanto o caminhão seriam segurados, não havendo nenhum risco. Ao comprar o milho no Estado de Goiás, o mesmo já estaria automaticamente vendido no Nordeste. Além do quê, o “honesto e confiável” irmão Karmino estaria no negócio. Indaguei a meu marido se aquilo não parecia suspeito e se realmente ele confiava neles - descobrimos depois que Israel tinha mais de trinta cheques sem fundo na praça. Inocente e cegamente, meu marido chegou a acreditar que a emissão de tais cheques havia sido feita antes, quando Israel passava por necessidades, em outra fase de sua vida. Mais uma vez, Robson investiu nos caminhões uma enorme quantia.
Por muito tempo, meu marido tentou receber algum retorno de tal investimento. Israel chegou ao cúmulo de, por QUATRO vezes, ligar dizendo que o Robson poderia descontar seus cheques, pois o dinheiro já estava em sua conta. Por fim, Israel convidou Robson para irem ao banco juntos e sacar o dinheiro. Robson saiu de casa no dia 16 pela manhã, para nunca mais voltar, deixando um vazio enorme em nossas vidas. É exatamente aí que entra a distorção da mídia. Segundo a maioria dos veículos de comunicação, Israel entrou no Banco Bradesco, tirou um extrato e, notando que só tinha pouco mais de duzentos reais na conta, deu um tiro em meu marido. Basta ter uma noção mínima dos fatos para notar o que ocorreu. Em primeiro lugar, Israel tinha uma arma na cintura o tempo todo. Como ele poderia ter entrado no banco e passado pelo detector de metais? Além disso, de acordo com o depoimento da atendente de uma padaria, os dois tomaram café da manhã juntos, amigáveis e sorridentes, saindo às 9h30, aproximadamente. O banco só abre às 10h, ou seja, eles nem chegaram a entrar no banco. O dono da padaria disse que Israel insistiu em pagar a conta e quando Robson ia saindo da padaria, Israel lhe deu um tiro à queima roupa. Mesmo baleado, meu marido tentou correr e o assassino deu-lhe mais quatro tiros pelas costas, sem qualquer chance de defesa. Israel foi detido pela Rotan e o que aconteceu? Nada. Dez dias depois de ser detido, foi posto em liberdade pois o Judiciário reconheceu que ele precisava trabalhar pois era arrimo de sua família. E da minha família? Quem se preocupou como nós iríamos sobreviver a partir da morte de meu marido?
Outras testemunhas que também presenciaram o crime deram seus depoimentos, mas o mais relevante da história e único a ser veiculado pela mídia foi o depoimento do assassino. O hipócrita, “amigo”, “honesto”, “simpático” e “confiável”, cruel e frio assassino de meu marido. O homem que por tantas vezes entrou em nossa casa com um largo sorriso de “compadre”, e tramando matá-lo a cada visita, programando cada passo em um emaranhado de mentiras.
Como se não bastasse, seu irmão Karmino prestou depoimento em favor do irmão, dizendo que Robson era um homem de atitudes agressivas. Karmino foi quem fez a conexão entre Robson e seu assassino. Foi o homem de quem ficamos esperando um telefonema de pêsames, já que ele, afinal, foi o pivô de toda tragédia que aconteceu em nossa família.
Essa é minha história, sobre a violência que invadiu nossa casa. Violência que despertou em nós um sentimento de vingança, de indignação, de impunidade e de impotência. Tentamos driblar o dia-a-dia, pois cada dia é um suplício, um poço de mágoas e rancor. Escrevo aqui para tentar alcançar o maior número de pessoas amigas e distantes que não tive condições de conversar e falar a verdade. Não deixe que isso aconteça com você. Desconfie sempre. A humanidade anda tão fétida e deturpada que a desconfiança, infelizmente, é o melhor antídoto. Zele por sua família, orem juntos, agradeçam a oportunidade de estarem lado a lado. E, principalmente, valorizem-se. Vocês não sabem o quanto são importantes até terem um de vocês arrancado pela absurda violência inerente à nossa sociedade. Fica aqui o meu protesto e a verdade sobre a morte do Robson.

Autor(a): Liliane Brandão Alves

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