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A Saga de uma Japonesa no Brasil

Cultura Comentários 16 de fevereiro de 2018

Estreante no círculo literário, Takako Takahashi lança autobiografia que narra sua trajetória em 60 anos de imigração do Japão


Na década de 50, Takako Takahashi embarcou no caminho como muitos imigrantes que chegaram ao Brasil em busca de trabalho, de oportunidades e de uma vida nova. Sua ideia era fazer a jornada sozinha. Mas, na época, isso não era permitido. Aceitavam-se as imigrantes que fossem casadas ou que conhecessem alguma família do País, para fazer um intercâmbio. Ela fez a primeira opção, encontrando o seu companheiro entre alguns pretendentes que chegavam aos seus pais e, um deles, foi o autorizado a trocar correspondências, até que se firmasse a união. Para concretizar o plano ela, também, procurou ajuda de um jornalista brasileiro, à época, radicado em Tóquio, para que o mesmo a auxiliasse no aprendizado da língua portuguesa.
Em um livro autobiográfico, lançado nesta quinta-feira, 15, na Paróquia Santana, Dona Takako, ou Dona Terezinha como, também, é conhecida quase desde a sua chegada ao Brasil, faz um apanhado de seus 60 anos de imigração do Japão para cá, onde constituiu uma família de sete filhos. Sua jornada não foi nada fácil. Ela perdeu o marido, no ano de 1992, vítima de um crime envolto em mistérios, mas, provavelmente, decorrente de um roubo à propriedade. Em 2004, perdeu a filha mais velha, num acidente de carro entre Anápolis e Goiânia. A publicação foi editada pela jornalista Lúcia Monteiro.
A chegada a Anápolis ocorreu em 1965. Ela narra, com bom humor, que a “culpa” foi da jabuticaba. Explica-se: o casal, na época morando no Estado de São Paulo, trabalhando em uma granja, foi convidado a ir a uma fazenda onde havia uma plantação de jabuticabas. A fruta, entretanto, fez mal e naquela busca de recuperação da saúde, eles tiveram acesso a uma revista que falava sobre a região do Planalto Central. Brasília havia sido inaugurada há pouco tempo e a região de Goiás, portanto, se mostrava, também, um Eldorado.

O COMEÇO
O casal Takahashi veio para trabalhar em uma propriedade onde, inicialmente, se dedicou ao cultivo de morangos e de tomate, “sem remédio e sem agrotóxico”, lembra Dona Terezinha, acrescentando que sua preocupação era produzir alimentos de qualidade para Anápolis, pois aprendeu a gostar da Cidade. Ela recorda, ainda, que começou a desenvolver um estudo do clima e sobre que cultivo era bom para se fazer nas terras. Descobriu que a plantação de alho era também possível, mesmo porque, o condimento era, em boa parte, importado da Argentina.
Foi assim, com muito trabalho, determinação e com muito foco na educação, que a família se estabeleceu, fincou suas raízes em Anápolis e começou a construir a sua própria história.
O livro de Takako Takahashi não é só um trabalho autobiográfico. Nele, ela coloca com devida pertinência, a cultura de seu povo e os ensinamentos recebidos dos seus pais, dentre eles, o amor e o despojamento às coisas materiais. E mais: “No meu dicionário não tem a palavra sofrimento”, ressalta a escritora, ao recordar todas as dificuldades enfrentadas no novo País, nova cultura e na nova língua. Depois de tantos anos no Brasil, Dona Terezinha ainda não perdeu o sotaque da terra. Às vezes, demonstra dificuldades em encontrar algumas palavras. Mas o que ela viveu, aprendeu e, agora, está repassando em seu livro são palavras mais do que suficientes para mostrar que a vida é um eterno aprendizado e, sobretudo, uma eterna história.

Autor(a): Claudius Brito

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