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A rotina como aliada na educação infantil

Comportamento Comentários 05 de maro de 2010

Começaram as aulas e muitas crianças ainda não estão com ritmo, ânimo e dedicação. Especialista discute a importância da criação de uma rotina, para uma criança, como ferramenta na concentração, e no aprendizado, no retorno escolar


Com o final das férias e, consequentemente, início do ano letivo, muitos pais estão receosos com comportamento dos filhos em sala de aula. A dúvida é saber se os pequenos estão tendo o devido rendimento e se aproveitamento das disciplinas que são aplicadas diariamente na escola. Isso se deve à quebra da rotina criada nas férias, em que elas tinham muitas horas de sono, diversão e poucos compromissos a cumprir. Para a psicóloga Christiane Santana Ribeiro Martins, a sonolência, a apatia, dificuldades para escrever, e a aparência de preguiça e cansaço, se justificam pelo rompimento dessa rotina adquirida pela criança durante o recesso escolar.
De acordo com ela, é importante que os pais e educadores deem uma rotina às crianças. “A criança necessita de rotina, ela gosta e se sente feliz com isso. É preciso para que ela possa se localizar no tempo e no espaço, entender que as coisas possuem um tempo certo e que há limites a serem respeitados”, justifica Christiane.
A psicóloga afirma que é comum todas as crianças terem um tempo para voltar ao ritmo, mas é certo que algumas têm mais dificuldade. E caso essa demora não seja percebida rapidamente, pode-se comprometer todo rendimento escolar de uma criança.

Ignorar pode ser prejudicial

O grande problema, segundo a especialista em psicologia infantil é quando os pais ignoram e prolongam um problema que poderia ser resolvido em um curto intervalo de tempo. Assim “o primeiro passo é conhecer o próprio filho e escutá-lo”, reitera a psicóloga. Ela afirma que muitas vezes a dificuldade de aprendizado e concentração de uma criança, pode estar além de uma quebra de rotina. Isso pode significar problemas físicos, ou seja, é preciso verificar a saúde da criança, como também se ela está sofrendo algum tipo de agressão moral com o bullying.
O bullying é uma agressão que crianças e adolescentes sofrem, geralmente, no ambiente escolar, e isso pode afetar sua motivação e vontade de ir à escola. A vítima recebe apelidos pejorativos e desmoralizantes, geralmente ligados à aparência física ou características psicológicas. Afetando o emocional, o primeiro sintoma será a dificuldade na aprendizagem e concentração da criança. Caso já saiba falar, ela irá conversar com os pais e professor sobre o que está acontecendo. Entretanto se ela ainda é incapaz de relatar os fatos, sinais vão ser deixados, indicando o motivo da insatisfação em ir estudar. Cabe à escola acompanhar as alterações da criança no círculo social construído nesse ambiente.
A psicóloga afirma que, de qualquer forma, um acompanhamento cuidadoso de pais e educadores é fundamental para a percepção de alterações comportamentais nas crianças. “Toda pessoa gosta de aprender, e crianças têm sede de conhecimento e de vivenciar novas descobertas. Caso esse elo entre de aprendizado e criança seja rompido, é preciso saber o porquê disso, o quanto antes”, diz Christiane Martins.

Problemas neurológicos
Além das situações já citadas, há a questão neurológica que deve ser analisada. De acordo com a especialista, desatenção contínua, ritmo atrasado em relação à maioria da turma, notas baixas, ansiedade, indisciplina e atitudes inquietas na sala de aula, podem ser distúrbios neurológicos. “O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade (TDHAI) e a dislexia são os mais comuns, capazes de afetar o aprendizado e a concentração”, afirma a psicóloga.
Segundo ela, a faixa etária mais comum com problemas de concentração e aprendizado, na infância, ocorre entre os cinco e sete anos, ou seja, principalmente no inicio da alfabetização. A justificativa é pela falta de hábito da criança em se concentrar, ficar sentado, com limites e normas a serem cumpridas. “Antes era só brincar, não havia tantas exigências e a partir dessa fase iniciam-se os deveres, e é preciso mais concentração por parte da criança para o cumprimento do que lhe é proposto. Na educação infantil (jardim), elas já são desatentas”, explica Christiane Martins. A psicóloga não descarta os problemas de concentração antes dessa fase inicial. Apesar de mais raro, ela afirma que há casos em que há a necessidade de acompanhamento de um profissional especializado.

Como lidar com o problema
O profissional que irá acompanhar tem, como primeiro passo, escutar a família. Assim ele vai ouvir as queixas dos responsáveis e irá se situar no problema. Depois ele escuta a escola, buscando compreender o que se passa no horário escolar. A criança é a ultima a ser ouvida, dando a possibilidade do profissional um diagnóstico do caso. Percebendo o problema, os pais são comunicados para conversar, a fim de se encontrar a melhor saída para a situação.
De acordo com a psicóloga Christiane Santana R. Martins, as dicas para os pais ajudarem os filhos para um maior aproveitamento escolar no início do ano letivo, são simples e muito significativas para se evitarem problemas futuros. Ela destaca a importância de por a criança próxima ao ritmo da escola que ela vai freqüentar; deve-se acordá-la mais cedo para que os horários já comecem a ser assimilados, ao menos uma semana antes do inicio das aulas; é importante também conversar com os filhos, sobre a proximidade do início da escola, explicando a eles com clareza e objetividade como será sua nova rotina. “Tudo isso é para que a volta às aulas seja algo menos sofrido, e o mais natural possível”, finaliza a psicóloga.

Autor(a): Flávia Gomes

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