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A Polêmica obra da Avenida Universitária

Infraestrutura Comentários 28 de agosto de 2009

Comerciantes reclamam da poeira, da queda nas vendas, mas, principalmente, da falta de informações. Prefeitura afirma que o transtorno é em benefício de um bem maior


As obras de construção de um novo bueiro para a passagem das águas do Córrego “João Cesário”, na Avenida Universitária, vêm causando polêmica desde que começaram. A pista foi fechada no último dia 31 de julho, sem aviso prévio e logo as máquinas estavam trabalhando no local, retirando o asfalto danificado na parte baixa da via. O objetivo, segundo a Prefeitura, é solucionar os problemas de alagamentos e inundações que ocorrem durante o período das chuvas. Mas os comerciantes temem que sem bocas de lobo ao longo da via, a situação não vá mudar.
Segundo o Secretário de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Clodoveu Reis Pereira, a tubulação, que exista no local, para o escoamento do córrego, era insuficiente e estava toda danificada. “Havia dois tubos de entrada e apenas um de saída, o que não era correto. Houve então, um grande problema no final das chuvas, até que técnicos da Prefeitura visitaram o local e detectaram que era necessário realizar uma grande obra”, explica. Há aproximadamente 20 dias tiveram início, então, os trabalhos.
Entretanto, a população anapolina não foi avisada sobre a realização da obra. O secretário justificou dizendo que os trabalhos na Avenida Universitária são de vital importância para a cidade de Anápolis. E que não poderiam esperar as próximas chuvas. Por isso, foram iniciados agora, a fim de que a chuva não pudesse atrapalhá-los. Para Clodoveu, a obra irá resolver todo o transtorno causado pelas águas naquela parte da cidade, que sempre alaga quando de uma chuva mais forte. “Nós vamos resolver o problema não só da Avenida Universitária, mas de todas as ruas que vão até o Córrego João Cesário Essa obra é emergencial, porque nós detectamos que a galeria estava toda comprometida. E fizemos os projetos de imediato, para iniciar e terminar a obra antes do período chuvoso”, disse.
Nos projetos da Secretaria de Desenvolvimento está um canal que liga o início da Universitária até o final da Avenida Federal, usando-se uma tubulação com capacidade 10 vezes maior do que a anterior. “Nós chamamos de bueiro duplo”, diz Clodoveu. “O grande problema que esperamos sanar com a obra é mesmo o das inundações que ocorriam. E através disso, trazer mais segurança para a população que trafega pelas Avenidas Federal e Afonso Pena; e pelas ruas Tonico de Pina e Fayad Hanna. E, claro, pela Universitária. São todas passagens problemáticas, que apresentavam graves problemas durante o período das chuvas”.
Pelo início repentino e emergencial os recursos para a realização da obra saíram do Tesouro Municipal, num montante de 2 milhões e 499 mil reais. “Nós fizemos um sacrifício, um remanejamento com o dinheiro disponível para viabilizar a realização dessa obra”, explica o secretário. “Estamos atendendo a tudo que esperávamos. Vamos entregar a Avenida em dois meses, tempo recorde para uma obra desse porte”, acrescenta.


Os comerciantes locais

O CONTEXTO visitou o local da obra e ouviu os empresários locais. A sinalização é visível, mas insuficiente. Alguns carros ainda entram nos locais errados e atrapalham o trânsito. Mas, a maior reclamação dos comerciantes é a falta de informações.
Segundo eles, a obra começou de forma surpreendente, sem que nada fosse avisado e até hoje, ninguém da Prefeitura apareceu no local para prestar esclarecimentos. “Fechamos as portas normalmente no sábado e quando retornamos na segunda a pista já estava fechada e em obras”, afirma Cláudio Mendes, gerente comercial de uma loja de tintas. “Não foram passadas informações a respeito de nada, tudo o que sabemos é o que está escrito na faixa”, diz Kátia Flaviana, gerente de uma papelaria. Mas, apesar dos transtornos gerados pela obra como a poeira, o barulho, e claro, a queda no movimento, Cláudio acredita que, a longo prazo, os benefícios serão maiores, pois o problema na região é antigo, e várias administrações já realizaram ações tentando resolvê-lo, mas nada foi definitivo.
Já na opinião de Márcio Ribeiro e Carlos Alberto, gerente e funcionário, respectivamente, de uma auto-peças, a obra não atingirá nenhum resultado. Eles chamam a atenção para o fato de que a Avenida Universitária não conta com bocas de lobo, e que, portanto, a água continuará a escoar por cima do asfalto, se acumulando na parte baixa da via. “Várias vezes carros e motos já foram arrastados pela enxurrada. Se não forem feitos bueiros na Avenida a obra não vai adiantar nada”, alerta Carlos. Márcio reclama, ainda, que ao serem pegos de surpresa os comerciantes não puderam tomar providências contra a poeira. “A loja ficou fechada por dois dias enquanto tentávamos limpar tudo. Além disso, o movimento diminuiu aproximadamente, 50%”.
A poeira e a queda no movimento são, também, algumas das reclamações de Kátia. Ela diz que esperava o período que antecede a volta as aulas para faturar, mas ele coincidiu com o início da obra - o que espantou os clientes. “Nosso movimento caiu em 80%”, reclama. O fechamento da pista é outro fator que causa revolta. Mesmo depois da realização de um abaixo-assinado por parte dos comerciantes, ela continuava interditada, e só foi parcialmente reaberta quando do retorno dos estudantes da UniAnhanguera. Kátia diz ainda que o prejuízo alcança, também, os que dependem do transporte coletivo. As linhas de ônibus foram desviadas e o ponto mais próximo para quem precisa trabalhar ou estudar naquela parte da Avenida fica distante três quadras acima.

As explicações do secretário
Clodoveu Reis Pereira diz que vê com tristeza essas declarações, e que elas o espantam. “Tenho pela obra quase todos os dias, de um lado está a Faculdade Anhanguera, que não teve prejuízo financeiro nenhum. Do outro lado, apenas copiadoras e bares freqüentados pelos próprios alunos da universidade. Imagine os transtornos causados por obras como as trincheiras da Avenida 85 e o Viaduto da T-63, ambas no Centro de Goiânia. Estamos fazendo uma obra para beneficiar 350 mil habitantes, quando passamos pelo local e conversamos com os comerciantes, eles afirmaram que apesar da sujeira estavam felizes com os benefícios e a resolução do problema - que era algo bem maior do que os contratempos enfrentados durante as obras”, afirma.
Ele diz, ainda, que o trânsito está interrompido para um benefício maior, que durará muitos anos. E não há como reformar o centro da cidade sem criar danos. “Nós vamos criar um problema também quando abrirmos a Fayad Hanna. Não há como esperar todos estarem de acordo para realizar uma obra”. O secretário prometeu que irá recuperar as ruas adjacentes que forem danificadas pelo tráfego intenso provocado pelos desvios, com operações tapa buraco.
Mas, não sugeriu nenhuma rota alternativa para quem usava a via. Clodoveu Reis acredita que com o tempo transcorrido desde o início das obras, a população já se acostumou com os desvios. E mais: diz que a sinalização no local é nítida - já que a CMTT fez um estudo técnico do melhor roteiro para o desvio do tráfego. O secretário acrescenta que não recebeu nenhuma reclamação a respeito.

Autor(a): Carolina umbelino

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