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A música que tem o tom da cidadania

Especial Comentários 15 de dezembro de 2012

Crianças e adolescentes descobrem através da arte da música que há um mundo sem fronteiras e de oportunidades


Crianças de nove a 17 anos de idade, em geral filhas de famílias de pequeno poder aquisitivo, e residentes em setores periféricos de Anápolis, estão descobrindo novas oportunidades em suas vidas com a arte. Mais precisamente, com o manuseio de instrumentos que as levam a um mundo sem fronteiras: a música. Violinos; violoncelos; clarinetes; saxofones; flautas, enfim, os componentes de uma pequena orquestra cheia de luz, como o brilho que irradia nos olhares de pré-adolescentes e adolescentes que, ao invés de estarem nas ruas cercadas de perigos com as drogas e a violência, encontraram um espaço de cidadania, o projeto “Música e Vida”.
O maestro Wellington José Silva está à frente do projeto, que hoje conta com cerca de 250 participantes, divididos em três unidades: no setor Itatiaia, onde é desenvolvido em parceria com a Missão Vida; no Centro Comunitário Frederico Ozanan, no setor Jardim Calixto e na Igreja Batista, no setor Arco Verde, onde funcionam em parceria com a Igreja e a Prefeitura, através das secretarias municipais de Cultura e de Educação. Um dos projetos chegou a receber o reconhecimento e recursos do projeto “Criança Esperança”, realizado pela Rede Globo e pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco).
O trabalho social já faz parte da vida do maestro há, pelo menos, 10 anos. Ele foi um dos pioneiros do projeto Criar e Tocar, desenvolvido pela UniEvangélica e a Prefeitura, o qual já descobriu vários talentos. “A nossa maior felicidade é quando vemos esses jovens tendo oportunidade com a música”, relata, afirmando que alguns deles foram para a faculdade de música e outros contratados foram tocar nas bandas da Polícia Militar, da Prefeitura (Lira de Prata) ou em igrejas. O fato é que muitos, portanto, têm na música uma forma de trabalho e renda. Dentro do programa há, também, alunos que se destacam e são colocados como monitores e ganham uma bolsa de meio salário mínimo do programa Cidadão do Futuro, do Governo Federal.
Para o maestro Wellington, outro ponto importante é que para participarem das atividades os estudantes devem estar em dia com as suas obrigações escolares. Daí, um incentivo para que as mesmas possam ter um melhor rendimento. Até o reforço escolar é garantido. Ele acredita que, no ano que vem, as atividades possam ser ampliadas abrindo oportunidades para um número maior de crianças e adolescentes, devido à receptividade encontrada nas comunidades.


Sonhos de um futuro melhor
A reportagem foi ao projeto no Bairro Arco Verde, onde segundo a coordenadora do “Música e Vida”, Marta Roberto de Souza, as turmas já somam 99 participantes. Entre eles Larissa Gomes da Silva, de 11 anos estudante do 5º ano do ensino fundamental e Thaís Santos, 16 anos, estudante do 3º ano do ensino médio.
Larissa acredita que o projeto pode ajudar, muito, a melhorar o seu futuro. Tímida, de poucas palavras e iniciante na prática musical, ela diz que depois que entrou no Música e Vida, “aumentou a minha vontade de estudar”. Thaís já está há dois anos e quatro meses no projeto e é uma das bolsistas do programa Cidadão do Futuro. Ela relata que é uma experiência boa estar no grupo e tem, inclusive, pretensões de continuar os estudos na música. Da mesma forma que a colega Larissa, ela vê também o projeto como uma porta aberta a novas oportunidades.
A coordenadora do projeto, Marta Roberto de Souza, destaca que muitas famílias vão à unidade para agradecer o fato de os filhos estarem no Música e Vida. Segundo ela, alguns adolescentes chegaram ao projeto em situação de vulnerabilidade social, inclusive, um caso de drogativo. “Hoje nós temos todos aqui integrados com as suas famílias, com os colegas, com a comunidade”, comemora. Para ela, o carinho do maestro Wellington com os jovens é um diferencial. E, de fato, quem tiver a oportunidade de assistir aos ensaios ou apresentações das crianças e adolescentes do Música e Vida, notará que há uma enorme sinergia, uma troca de ensinamentos, com certeza, muito enriquecedora para todos, coisas que não se explicam a não ser pela grandeza dos gestos, da dedicação e do amor ao próximo embalados pela nobre arte da música.

Autor(a): Claudius Brito

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