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A incrível arte de pintar quadros com uma caneta esferográfica

Cultura Comentários 25 de fevereiro de 2012

Artista anapolino faz sucesso na internet com desenhos obtidos a partir de uma técnica própria que mistura, de modo criativo, muitas formas e cores


O engenheiro civil anapolino Renato Paiva, 42, desenvolve, há cerca de três anos, uma técnica para a produção de telas e painéis, que tem marcas bem peculiares. Os seus trabalhos são feitos à mão, utilizando caneta esferográfica, com papel linho, lápis de cor, giz de cera e grafite. Com esse material, ele cria desenhos e formas geométricas que lhe saltam à imaginação. O resultado é impressionante.
Alguns elementos da obra de Renato Paiva, ainda pouco divulgada em exposições, mas já bastante conhecida por internautas da rede de relacionamento Facebook e do blog “Canetadas” (http://www.canetadasrenatopaiva.blogspot.com) remetem ao cubismo e ao vanguardismo. Entretanto, ele assegura que não desenvolve a sua arte preso a nenhuma escola. Autodidata, é como ele se define, para expressar-se.
Conforme relata o artista, há alguns anos, quando trabalhava com o pai, no tradicional Bar Pirraça, que existiu por muitos anos (década de 80) na Praça Dom Emanuel, costumava usar o papel que embrulhava os maços de cigarros, para fazer desenhos de caneta. Passados alguns anos, certo dia, ele teve a ideia de retomar a atividade do desenho que havia deixado para trás. Mas gostaria de acrescentar um algo mais. Daí`, começou a fazer experimentos com papel Canson, caneta esferográfica e lápis de cor. Depois, acrescentou o giz de cera e o grafite para dar mais vida e, também, para dar mais durabilidade às peças criadas. Desde então, veio uma explosão criativa. Da profissão de engenheiro, Renato Paiva transporta para alguns desenhos as formas de casas; prédios de edifícios, ruas e rostos que integram essa paisagem urbana. Em outros desenhos, há guirlandas, esferas e outros elementos geométricos muito ricos em detalhes de formas e cores, que são elementos marcantes.
“Não sei se inventei uma nova técnica, mas não conheço trabalhos similares”, diz Renato Paiva, reiterando que não segue nenhuma linha em especial. Segundo ele, à medida que o trabalho evoluiu, veio a ideia de criar um blog e a página que mantém no Facebook. Isso não só ajudou a ver conhecido (e reconhecido) o seu trabalho, como também, observa, “é uma forma que tenho de aperfeiçoar com as sugestões que recebo das pessoas. Isso é muito bom”, ressalta.

Cyber canetadas
Além das telas feitas à mão, Renato Paiva utiliza outra técnica que batizou de Cyber Canetadas. Os trabalhos são escaneados e ganham uma nova roupagem através de um programa próprio de computador. Neste processo, há possibilidade de uma variação maior, por exemplo, no tamanho, podendo os desenhos ser transformados em grandes painéis. “Sempre faço algumas mudanças em relação aos desenhos originais, realçando alguns contornos e cores”, explica.
Em 2010, Renato Paiva realizou uma exposição no espaço cultural da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), obtendo, conforme disse, um excelente retorno de público. Ele planeja participar de outras mostras, pois acredita que é uma forma de o público conhecer, não só a obra, mas os processos criativos. Ele cataloga organizadamente todo o seu trabalho, como forma de acompanhar a evolução do mesmo. Isso, numa exposição, se torna bem mais interessante. Alguns de seus desenhos já foram comercializados para outros estados e, até, para o exterior. Para o artista, no entanto, o mais importante é que a arte e o dom trouxeram, não apenas, uma nova perspectiva de carreira, mas, sobretudo, uma nova essência de vida, com certeza, muito colorida e prazerosa.

Autor(a): Claudius Brito

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