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A importância dos exercícios físicos para pessoas idosas

Comportamento Comentários 28 de maio de 2010

Especialistas afirmam que praticar exercícios regulares retarda o envelhecimento e traz benefícios significativos na terceira idade. Combate à depressão, tensão, e melhor sensação de bem estar são exemplos dos ganhos aos praticantes


A população está vivendo mais e chegar à terceira idade com saúde é privilégio de poucos. Para muitos, é um período difícil, devido às inúmeras debilidades e limitações físicas que o corpo passa a sofrer. Mas, praticar exercícios físicos regularmente pode ser uma boa alternativa para quem pretende estar na melhor idade com uma saúde melhor.
Envelhecer é um processo complexo. Segundo a fisioterapeuta e professora de fisioterapia geriátrica Viviane Lemos Silva Fernandes, várias dimensões devem ser consideradas ao se analisar o processo de envelhecimento de um indivíduo. Isso significa que, além da parte biológica (rugas, cabelos brancos e fragilidades físicas, por exemplo), as partes psíquica e social não devem ser deixadas de lado. “Às vezes encontramos pessoas idosas com espírito muito mais jovem do que outras. A jovialidade conta muito nessa fase da vida”, explica a professora. Ela acrescenta que em se tratando do ponto de vista biológico, o envelhecimento se dá, principalmente, por alterações celulares.
Segundo a professora, algumas teorias norteiam os estudos que justificam o envelhecimento. Liberação de radicais livres na célula; predisposição genética; fatores ambientais como estresse, sedentarismo e alimentação inadequada são algumas delas que levam a entender como acontece esse processo que é temido por tantas pessoas. Além disso, Viviane Lemos afirma que há os estudos que se baseiam em restrições calóricas, ou seja, quem ingere menos calorias está menos propenso a doenças comuns na terceira idade, como altos níveis de colesterol, diabetes e pressão alta. Dentro dessa lógica, a professora explica que os exercícios físicos desempenham papel importante no combate, ou melhor, no retardamento dos efeitos do envelhecimento biológico, psíquico e social do indivíduo.

Importância

Combate a radicais livres, prevenção de doenças, liberação de neurotransmissores que proporcionam prazer e bem estar, são alguns dos benefícios da prática regular de atividades físicas. De acordo com a fisioterapeuta, isso somado à socialização que os exercícios proporcionam ao idoso, e, a qualquer pessoa, só tende a colaborar para o retardamento dos efeitos da velhice. “O exercício físico permite manter as funções orgânicas ativadas, além de aumentar a oxigenação cerebral, ajudando na memória”, acrescenta a professora de fisioterapia geriátrica.
As vantagens da prática de atividade física na terceira idade são inúmeras e não se limitam às já citadas. De acordo com Cristina Gomes Oliveira Teixeira, professora de Educação Física, praticar musculação, por exemplo, proporciona ao idoso um fortalecimento muscular, o que permite a diminuição dos índices de quedas e fraturas. Segundo ela, a musculação ajuda, muito, na sustentabilidade física do corpo, além de trabalhar a força de membros inferiores e superiores, comprometidos após os 60 anos. Apesar de a musculação não contribuir muito na regulação dos sistemas circulatório e respiratório, Cristina Teixeira explica que a prática ajuda na queda da pressão arterial, controla os níveis glicêmicos e diminui os triglicerídeos (lipídios que circulam na corrente sanguínea, capazes de alterar o nível de colesterol). “A musculação auxilia no ganho de força, agilidade, coordenação motora e ajuda a barrar a perda da massa óssea, comum nessa faixa etária”, reitera Cristina Gomes. Ela destaca que, em um período de oito a doze semanas, qualquer individuo é capaz de sentir as adaptações fisiológicas que podem acontecer no organismo com a prática da musculação. “As mudanças só vão acontecer se os exercícios estiverem sendo realizados corretamente e respeitando a uma periodicidade de, pelo menos, três vezes na semana, com cada sessão durando entre 40 e 60 minutos”, condiciona Cristina.
A fisioterapeuta Viviane Lemos ainda destaca que treinar a força é essencial para a parte óssea, sendo um fator de proteção contra a osteoporose.

Cuidados

Para a Viviane Lemos, é importante que o indivíduo que vá praticar exercício físico tenha prazer nessa atividade. Por isso, ela considera importante uma avaliação que trate da especificidade de cada pessoa. Segundo a fisioterapeuta, fazer com que haja uma identificação entre a atividade e o praticante é fundamental para se obter bons resultados. Afinal, a atividade física deve trazer melhor qualidade de vida.
Cristina Teixeira ratifica esse cuidado na escolha do exercício correto para o indivíduo. Segundo ela, a ginástica deve se adequar à realidade do praticante. “Isso significa que não se deve direcionar um exercício que exige da coluna, a um idoso com escoliose”, exemplifica a educadora.
Considerar as particularidades do idoso que vai iniciar uma atividade física é consenso entre os especialistas. De acordo com o educador físico e proprietário de uma academia especializada em atender alunos da terceira idade, Hugo Rios, os exercícios devem ser direcionados de acordo com a necessidade. Segundo ele, o trabalho desempenhado, na academia de musculação, visa auxiliar o idoso a não perder ou a recuperar os movimentos do cotidiano como subir escadas, tomar banho e passear sozinho, por exemplo.
A musculação, de acordo com Hugo Rios, trabalha gerando tensões nos ossos, fortalecendo-os. Ele acrescenta que nesse trabalho com a terceira idade, os exercícios tomam outro direcionamento. Afinal, não são voltados para a estética do músculo, mas sim para a função do mesmo. “A musculação deve ajudar o idoso a reconquistar a independência, auxiliá-lo na diminuição das dores e aumento do sono durante a noite”. Segundo Hugo, os exercícios aplicados geram intensidades nos músculos que são insuficientes para causar mais dores, visto que muitos já se queixam de artrites. Ele destaca o aumento da disposição física e a diminuição de medicamentos utilizados por idosos praticantes de musculação.

Atividades físicas

O educador físico destaca diferenças entre a musculação e outras atividades, como caminhadas e hidroginástica. Ele esclarece que nas caminhadas o ganho é cardiorrespiratório. Por isso, a pessoa que faz, apenas, caminhadas, deixa de treinar a força muscular, a massa óssea e as articulações. Segundo ele, na hidroginástica, a tensão não é suficiente para ganho de massa óssea. Assim, essa atividade é mais direcionada para auxiliar na realização de tarefas do cotidiano. Ele garante que a musculação feita com bom acompanhamento é segura e eficaz.
O educador físico destaca que valorizar uma atividade em detrimento da outra não é suficiente para todos os resultados esperados. Hugo Rios afirma, com base no Colégio Americano de Medicina Esportiva, que para obter qualidade de vida, a pessoa necessita trabalhar a neuromusculatura (através da musculação), a cardiorrespiração (por meio de caminhadas, por exemplo) e a flexibilidade (com exercícios de alongamento).

Autor(a): Flávia Gomes

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