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A farsa do Profissão Repórter sobre as escolas militares de Goiás

Geral Comentários 28 de novembro de 2014

Por mais que goste de escrever, não o faço sempre. Só escrevo quando existe algo de urgente e que precise de esclarecimento. Foi isso que me motivou a abordar a estúpida reportagem do programa Profissão Repórter sobre os colégios militares de Goiás.


Por mais que goste de escrever, não o faço sempre. Só escrevo quando existe algo de urgente e que precise de esclarecimento. Foi isso que me motivou a abordar a estúpida reportagem do programa Profissão Repórter sobre os colégios militares de Goiás.
Minha mãe é professora e já lecionou em inúmeras escolas de Anápolis. Sempre estudei onde ela dava suas aulas. Sendo assim, em toda minha vida escolar passei por em oito colégios diferentes. Experimentei todas as realidades possíveis. E minha última experiência foi no Colégio da Polícia Militar de Goiás (CPMG) – Dr. Cézar Toledo, onde completei o 9º ano e o Ensino Médio (único colégio em que minha mãe não lecionou)
Num panorama geral, a matéria do referido programa busca passar ao telespectador a imagem mais negativa possível de colégios militares. Para os repórteres, a educação neste modelo é atingida por meio da truculência. O colégio possui um aspecto cinza, onde ninguém pode rir ou conversar. Individualidade e gostos pessoais são extintos e no lugar de alunos existem robôs coagidos por soldados armados. Em resumo, Goiás é o vilão da história. Os bons papéis são interpretados por Porto Alegre (RS) e Limeira (SP), que usam de projetos sociais para alcançar o interesse de alunos repetentes e detidos.
Agora, falando dos supostos “fatos” da matéria, tentarei esclarecer ao máximo possível o que procede e o que é manipulação. Isso, de acordo com a realidade que experimentei.
1) Ninguém é obrigado a andar com as mãos nas costas: A matéria exibe alunas andando com as mãos para trás, insinuando que até mesmo o modo de andar na escola possui uma regra. Não é verdade.
2) Aluno é barrado no colégio por estar com o “cabelo grande”: Isso sim procede. Além disso, existe uma revista geral em que se o aluno entrar e for “flagrado” em tal condição, será punido com advertência a qual seus pais deverão assinar.
3) Sobre a reportagem sugerir que o hino nacional é tocado no horário de intervalo: Graças ao bom Deus, isso não acontecia em meu colégio. Mas sim, cantávamos o hino nacional, o hino da Bandeira e até mesmo o da Polícia Militar. Na reportagem, o Major Gerson (sub. comandante do CPMG Hugo de C. Ramos) se referiu a música hip-hop com preconceito. Pegou mal.
4) Professores de história não podem citar a Ditadura Militar ou falar de política: Em hipótese alguma isso aconteceu em minha escola! Reitero: o que mais debatia nas minhas aulas de História eram Revolução Francesa, Ditadura Militar, questões raciais e política em geral
5) A escola cobra taxa mensal de R$50,00: É polêmico falar sobre isso, mas minha resposta final seria “sim”. Dentro de meu antigo colégio o valor era tratado como uma mensalidade comum. Quem não atrasava os pagamentos até ganhava uma caneta personalizada de brinde! Mas quando o antigo diretor foi questionado pela TV local sobre o pagamento, sua resposta foi “Não cobramos mensalidade. A taxa de 50 reais é facultativa.”
Poderia escrever dez páginas a respeito, mas prefiro pedir ao leitor que analise duas vezes. Para a televisão, é muito mais interessante “vender” uma história ou seguir a linha ideológica do chefe do que simplesmente ser imparcial. A reportagem poderia muito bem mostrar as escolas que conseguiram unir as práticas militares às boas notas, mas preferiu retratar um modelo opressor ao som de infantaria e música de suspense. Lamentável.
Por mais polêmicos que sejam, é provável que o número de colégios militares aumente mais ainda em Goiás. Se por um lado o modelo comum de escola pública é fraco, inútil e desastroso; por outro o modelo militar é eficiente, garante bom ensino e está pronto. Só precisa ser implementado. É o modo que o governo estadual achou de fazer a educação crescer.

Autor(a): Thales Moura

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