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A comovente história de um refugiado africano

Geral Comentários 06 de setembro de 2014

Por ter se convertido ao cristianismo, David passou a ser perseguido em seu país. Agora, ele tenta um recomeço e quer uma oportunidade de emprego


David, 24, foi torturado e perseguido em Uganda, país onde nasceu, por ter se tornado cristão. Ele chegou a Anápolis há cerca de três meses, por meio de intervenções de pastores missionários de uma igreja. Aqui, ele tenta recomeçar a vida e, hoje, um dos maiores obstáculos é encontrar um emprego por não saber falar português.
O rapaz concordou em falar ao CONEXTO, mas receoso, pediu para não ser fotografado. Ele tem medo de mostrar sua identidade na imprensa e, isto chegar, de alguma forma, às mãos de seus perseguidores. E foi com os olhos marejados, entre pausas com suspiros profundos, que ele revelou sua história.
Apesar de muito jovem, percorreu a África fugindo de perseguidores islâmicos por ter se tornado cristão. Ele, ainda, é procurado em Uganda. David contou que existem cartazes com sua foto e uma oferta de recompensa espalhados pela cidade onde vivia. Sua condenação certa, caso volte para casa, é a morte. E, o maior interessado na sua execução é o seu próprio pai.
David vem de uma família de seis irmãos. Apesar de não dizer claramente, dá para perceber que eles têm posses. No passado, ele cursava faculdade de administração de empresas e jogava futebol profissional. Era o caçula da família. Mas, a fé islâmica não era negociável. “Saí de casa apontado como motivo de vergonha. Eles não entenderam meus motivos. Todos viraram as costas e me desejavam morto”, conta cabisbaixo.
Quando saiu de casa, passou a ser protegido por um pastor que o aprensentou à fé cristã. Mas, logo ele precisou se refugiar em outro lugar, porque o pastor começou a ser ameaçado. Sua paz não durou muito tempo. Alguns dias depois de ter se instalado na casa de um amigo a polícia foi buscá-lo. Os dois ficaram presos durante cinco dias. Durante esse período, eles apanharam e sofreram todos os tipos de torturas psicológicas. “Os policiais queriam que falássemos coisas contra nossa fé cristã, mas resistimos. Um dia, meu amigo apanhou muito até desfalecer. Eu tentei impedir, mas eles me seguravam,” narrou enquanto, emocionado, apontava para as marcas de perfurações feitas por facas no rosto, abaixo do queixo.
David e o amigo conseguiram sair da prisão depois que o pastor contratou um advogado. Após passar alguns dias se recuperando em um hospital, ele resolveu fugir para outra cidade. O dinheiro que havia levado só durou alguns dias. E, logo, David estava nas ruas de um lugar onde não conhecia ninguém, passando frio e fome. “Eu pedia para Deus me levar ou eu mesmo iria tirar minha vida. Eu estava faminto há dias. Às vezes conseguia comer uma maçã ou banana que alguém jogava fora. Não conseguia mais ter esperanças”, disse.
Para sua surpresa, uma ex-colega de faculdade o encontrou. Após ouvir o que tinha acontecido e sabendo que se ele voltasse para casa seria morto resolveu ajudá-lo. Ela ficaria naquela cidade por poucos dias, pois estava morando na África do Sul e foi para lá que o levou alguns dias depois. Ele se sentia acolhido pela amiga, mas notava que o esposo dela não concordava com aquela situação. Um dia, constatou desse desafeto pela pior forma possível. “Ele disse que tinha conseguido um emprego bacana pra mim. Quando cheguei lá eu vi homens vestidos de mulher e outro homem me mostrou uma maleta cheia de dólares e disse que eu ganharia muito dinheiro se trabalhasse para ele”, revelou.
Mais uma vez David fugiu e voltou para as ruas. “Eu dormi no ponto de ônibus. Mas no dia seguinte, uma chinesa que tinha me visto ali na noite anterior veio me perguntar o que estava acontecendo. Contei tudo de forma resumida. Ela me ajudou levando para casa de uns amigos. Fiquei lá por um bom tempo. Até que sofri outro atentado. Jogaram uma bomba de gás no quarto onde eu dormia. Pensei que fosse morrer, mas consegui fugir de novo”.
Depois disso, David conheceu outro pastor. Logo em seguida, surgiu o convite de vir para o Brasil. A África se tornara perigosa demais para ele. Sua morte seria inevitável se ficasse, era só uma questão de tempo.
“Não me arrependo de nada. Mas, sinto falta da minha família. Eu perdôo e amo meu pai. Mas sei que jamais poderei revê-los. Minha fé me moveu e me sustentou até agora e não abro mão do meu amor por Jesus Cristo. Foi Ele quem me chamou de David e disse que tinha me escolhido”, disse.
Agora, ele espera encontrar, em Anápolis, oportunidades para poder recomeçar sua vida. As aulas de português que David assiste ainda não começaram a surtir efeito. Motivo pelo qual que, vez ou outra, ele toma o ônibus errado ou se depara com uma mercadoria diferente da que ele esperava. Apesar da cultura totalmente diferente e das dificuldades em se comunicar, ele já se sente em casa. Fez novos amigos, frequenta a igreja e faz planos futuros. Seu maior desejo é encontrar um emprego para que possa se manter e, futuramente, retomar os estudos para terminar o curso superior.
De janeiro a agosto deste ano foram emitidas 189 carteiras de trabalho para estrangeiros em Anápolis, sendo que 83 são primeira via. Este dado representa um crescimento de imigrantes que recentemente têm buscado na Cidade oportunidades de crescimento e, muitas vezes, como no caso de David, um lugar para recomeçar a vida.
Se alguém tiver interesse em ajudar a esse refugiado, pode entrar em contato com a redação pelo e-mail jornalcontexto@gmail.com

Autor(a): Wanessa Mereb

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