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80% dos crimes contra deficientes são cometidos por parentes

Violência Comentários 19 de dezembro de 2014

Abandono de incapaz, apropriação de renda, lesão corporal e crimes contra a honra estão entre as práticas criminosas mais frequentes contra a pessoa com deficiência. Delegado lamenta que “o deficiente tem sido visto como um fardo para a família e para a sociedade”


De acordo com dados da Delegacia Especializada no Atendimento à Pessoa com Deficiência de Anápolis, inaugurada no dia 21 de novembro, 80% dos crimes contra deficientes no Município são praticados por familiares das vítimas. “São parentes ou filho, sobrinho, neto”, declarou o delegado titular do 6º DP, onde funciona a Delegacia, Manoel Vanderic Filho. Destes, a maioria é cometida contra deficientes mentais. O delegado acrescentou que, apenas, 30% dos crimes contra esta parcela da população são denunciados.
O titular da Delegacia indicou que a ciência dos fatos pela polícia “depende da denúncia anônima” e do “auxílio da população”. As práticas criminosas contra deficientes na Cidade, pela ordem de maior ocorrência, são: abandono de incapaz; apropriação de renda; discriminação no âmbito do trabalho; crimes contra a honra; calúnia; injúria; difamação; abusos sexuais, lesões corporais e tentativas de homicídio. Estes são “crimes cometidos em razão da deficiência, ou quando a deficiência seja o fator de vulnerabilidade da vítima”.
Na terça-feira, 02, quando a Delegacia Especializada no Atendimento à Pessoa com Deficiência completava 11 dias de funcionamento, haviam sido feitas 38 denúncias anônimas. Dois deficientes procuraram o local para denunciarem crimes cometidos contra si; duas pessoas foram presas em flagrante, seis inquéritos policiais foram instaurados e sete termos circunstanciados de ocorrência (TCOs) lavrados. Neste período, dois deficientes mentais foram encaminhados para o Sanatório Espírita de Anápolis. Uma pessoa com deficiência física foi levada para o Abrigo Monte Sinai e outra foi internada em um abrigo da Prefeitura. Esta última sofreu maus tratos, abandono de incapaz e apropriação de aposentadoria.
“É um caos”, lamentou o delegado da Delegacia Especializada no Atendimento à Pessoa com Deficiência. “São vítimas que não buscam ajuda”, acrescentou, citando que “elas não têm conhecimento, instrução, capacidade de procurar ajuda”. Entre as dificuldades em lidar com os casos que chegam à Delegacia, está a falta de “orientação do poder público com relação a esta família”, como nos casos em que há agressão e o deficiente precisa ser internado em alguma instituição hospitalar e, ao receber alta, não recebe o devido tratamento na volta à sua casa.
“Não existem abrigos para acolher este pessoal”, continuou. O delegado atestou ainda que “a Cidade está completamente desestruturada para abrigar e conviver” com a pessoa com deficiência. Evidenciou que, em Anápolis, prédios sem elevadores, calçadas não adaptadas estão entre fatores que prejudicam a pessoa com deficiência. E, ainda mencionou que “pessoas não respeitam as vagas dos deficientes”. Empresas anapolinas ainda não respeitam a obrigatoriedade de contratar pessoas nestas condições. “O deficiente hoje está à margem da sociedade”, pontuou.
Manoel Vanderic pontuou com pesar que “o deficiente tem sido visto como um fardo para a família, para a sociedade”. “Todos nós iremos desenvolver um tipo de deficiência no futuro”, avisou, dando a entender que é preciso tratar com mais dignidade a pessoa que tem algum tipo de incapacidade física.

Autor(a): Felipe Homsi

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